terça-feira, 2 de junho de 2015

Investigação mostra farra de ingressos da CBF na Copa; procurador do STJD foi grampeado

DIVULGAÇÃO - CBF
Procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt, durante evento de futebol feminino
Procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt, durante evento de futebol feminino
As relações entre CBF e Judiciário Desportivo foram alvo de investigação da Polícia do Rio de Janeiro durante a Copa do Mundo. Um dos investigados foi o procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt. De acordo com escutas telefônicas às quais a ESPN teve acesso, ele recebeu ingressos da CBF durante o evento no Brasil, e a suspeita da polícia era de que ele estivesse revendendo as entradas.
As conversas foram gravadas com autorização da Justiça, por ocasião daoperação Jules Rimet, realizada pela 18ª DP (Praça da Bandeira) que desbaratou uma quadrilha de cambistas que atuava em Copas do Mundo. Paulo Schmitt não foi denunciado. Os policiais não conseguiram avançar nas investigações sobre ele e outros suspeitos relacionados à CBF. À reportagem, o procurador negou estas acusações.
Entre os pontos que chamaram a atenção da Polícia estão diversas conversas de Paulo Schmitt com uma funcionária da CBF chamada Luciana. Era ela a responsável por distribuir os ingressos entre os agraciados pela entidade.
"Oi, Lu, a Joyce pega com você amanhã que horas e onde?", pergunta o procurador, que recebe como resposta: "Fala pra ela amanhã ao meio-dia aqui na sede da CBF", diz a funcionária da entidade.
 
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Ouça escutas que relacionam procurador do STJD a ingressos da CBF na Copa
Em outras conversas, Schmitt foi perguntado sobre os valores e a disponibilidade de ingressos para jogos, entre eles, a final entre Alemanha e Argentina. Num dos trechos, com um homem não-identificado pela Polícia, trava-se o seguinte diálogo:
"Fala presidente, o valor da final é aquele ali que eles estão praticando?", pergunta 
o homem, que recebe como resposta do procurador: "É, esse era o que eu tinha categoria 1, mas daí os procuradores já quiseram ficar, eu não posso... Não sei qual vou ter, se vou ter. A uma da tarde vou ter uma resposta. De qual categoria e o quê que eles vão me disponibilizar. Aí te aviso se for alguma coisa razoável, né".
REUTERS
Raymond Whelan, diretor da Match, durante sua prisão no Rio de Janeiro
Ray Whelan, um dos detidos na Jules Rimet
Havia trechos em que o procurador era questionado sobre como fazer o "pagamento". E em outros dizia já ter esgotado bilhetes para determinadas partidas. As investigações mostram que em alguns jogos Schmitt chegou a receber seis entradas. 

Em entrevista, o procurador confirmou que recebeu doação de ingressos da CBF, mas que não os revendeu. Segundo ele, a entidade criou um sistema para que membros dos tribunais e de federações comprassem entradas para a Copa.

"Isso não procede, porque eu cheguei a comprar, inclusive, R$ 17 mil em ingressos na Copa do Mundo, como torcedor normal. Entrei no site, comprei os ingressos por um sistema que a própria CBF facultou a membros de tribunal, membros de federações. Eu adquiri ingressos, eu adquiri, comprei ingressos", disse Paulo Schmitt.
Questionado sobre o envolvimento com a quadrilha investigada, o procurador foi taxativo: "Fiquei absolutamente tranquilo porque não tenho nada a ver com isso, não faço parte de nenhuma quadrilha de ingressos. A operação se destinava àqueles operadores que faziam venda de ingresso em camarote, etc. Não tenho nada a ver com isso".
Paulo Schmitt foi grampeado durante os 15 dias finais da operação. Apesar das suspeitas da polícia, ele não foi relacionado entre os envolvidos no esquema. Os agentes planejavam dividir a investigação sobre ele e outros suspeitos numa segunda etapa da operação, que acabou não sendo executada por falta de tempo para produção de provas durante o Mundial.
"Foi facultado aos auditores do STJD, integrantes do Pleno e das Comissões, adquirir, mediante pagamento em cartão de crédito, a quantia máxima de 2 (dois) ingressos para cada um dos jogos do Brasil na Copa do Mundo, em categoria comum, de acesso igual e irrestrito ao público. Os auditores que assim optaram, adquiriram, mediante pagamento, o máximo de 2 ingressos para cada partida. Os que não pagaram, não adquiriram ingressos. Não houve "distribuição de ingressos" para auditores. Não tenho conhecimento da 'existência de portal na internet para venda exclusiva de ingressos a autoridades'. Como não houve benefício, não vejo como a imparcialidade do STJD possa ter sido afetada", disse o presidente do STJD, Caio Rocha.
Já a CBF, não respondeu aos questionamentos sobre como funcionou o sistema de doação e venda de ingressos. A entidade limitou-se a dizer: "A CBF tem convicção de que nenhuma ação ou providência que adote ou venha a adotar possa prejudicar em algum momento os preceitos de imparcialidade e independência dos tribunais".
Veja abaixo a entrevista com Paulo Schmitt
Repórter: Doutor, o senhor recebeu ingressos da CBF durante a Copa?
Schmitt: Recebi, sim. Por quê?
Porque eu estou fazendo uma matéria que mostra isso. O senhor não acha que compromete a sua a isenção e autonomia em relação à CBF sendo o Tribunal responsável por denunciar ou deixar de denunciar a instituição tendo recebido os ingressos?Em nenhum momento deixei de denunciar a instituição quando houve qualquer tipo de cometimento de infração. Eu sou indicado pela CBF, inclusive.
Agora, doutor, as investigações mostram as suspeitas de que o senhor teria revendido os ingressos a partir do recebimento da CBF e o senhor teria revendido. O que o senhor diz a respeito?Isso não procede, porque eu cheguei a comprar, inclusive, R$ 17 mil em ingressos.
Não entendi.
Diretamente do site. Isso não procede porque eu cheguei a comprar, inclusive, R$ 17 mil em ingressos na Copa do Mundo, como torcedor normal. Entrei no site, comprei os ingressos por um sistema que a própria CBF facultou a membros de tribunal, membros de federações. Eu adquiri ingressos, eu adquiri, comprei ingressos.
A suspeita da polícia era de que você revendia esses ingressos, então não procede e essa é a sua explicação?Não tem o menor sentido, não tem o menor fundamento. Embasamento algum, zero.
O senhor sabia que estava sendo grampeado durante as investigações da Operação Jules Rimet, doutor?Não... eu sabia por cima, assim. Alguém falou alguma coisa que tinha uma série de grampos. Fiquei absolutamente tranquilo porque não tenho nada a ver com isso, não faço parte de nenhuma quadrilha de ingressos. A operação se destinava àqueles operadores que faziam venda de ingresso em camarote (inaudível), etc ... E conheço essas pessoas, não tenho nada a ver com isso.
Então só para encerrar: o senhor não acha que há aí um conflito de interesses em o senhor receber estes ingressos...Não. Todos os membros de tribunais do Brasil inteiro, pelas federações, pelo próprio STJD tiveram acesso aos ingressos...
É, eles foram doados...
Inclusive alguns doados e a maior parte, como no meu caso, né. Alguns doados, especificamente, e a maior parte aqueles que eu adquiri. Na época, acho que foram 17, 16 mil reais que eu adquiri ingressos, porque a gente tinha esse direito franqueado pela CBF.

Blatter renuncia à presidência da Fifa

GETTY
Blatter Presidente Fifa Entrevista 30/05/15
Joseph Blatter, presidente da Fifa: renúncia ao cargo após reeleição
Poucos dias após ser reeleito para um quinto mandato como presidente da Fifa, Joseph Blatter renunciou ao cargo, nesta terça-feira. Ele convocou o Comitê Executivo de forma extraordinária para escolher um novo mandatário.
"Vou continuar a exercer minha função como presidente até um novo ser escolhido. O próximo congresso demoraria muito. Esse procedimento será de acordo com os estatutos", afirmou o dirigente suíço, desde 1998 à frente da Fifa.
Blatter disse que não estava com o apoio necessário para seguir como presidente do órgão mais importante do futebol mundial. Assim, o comitê executivo extraordinário será convocado entre o final deste ano e o começo do próximo para a escolha do novo mandatário.
A entidade caiu em descrédito na última quarta-feira, dois dias antes da eleição presidencial, quando sete membros do comitê executivo foram presos acusados de corrupção. Muitas federações pediram o adiamento do pleito, o que não aconteceu.
Blatter acabou vencendo o único candidato de oposição, o príncipe da Jordânia Ali bin Al-Hussein, depois de a eleição não ter acabado no primeiro turno e o adversário ter desistido de uma nova rodada de votação.
O suíço afirmou que as prisões ajudavam a limpar a Fifa, mas na última segunda-feira seu principal braço-direito, Jerome Valcke, foi acusado de ter dado autorização para que 10 milhões de dólares de um fundo da Associação de Futebol da África do Sul (Safa) fossem para o vice-presidente da Concacaf, Jack Warner, um dos detidos pelo caso de corrupção revelado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
 

Denúncias de desvio de dinheiro fazem futsal virar caso de polícia

RODRIGO COCA/AG. CORINTHIANS
Parque São Jorge voltará a receber uma semifinal entre Corinthians e Orlândia
Ginásio do time de futsal do Corinthians, no Parque São Jorge
A cúpula da Confederação Brasileira de Futsal - CBFS - será investigada nos próximos dias por um caso de desvio de dinheiro através de empresa fantasma. A reportagem doESPN.com.br teve acesso a documentos que na próxima segunda-feira serão entregues juntamente com uma queixa crime à Polícia Civil, à Polícia Federal e ao Ministério Público.
O então vice presidente de competições da entidade e hoje presidente da Confederação, Renan Menezes, e Louise Bedê, atual vice de administração, receberam durante 2013 parcelas de R$ 10 mil por meio da ARFE, firma de "produção e logística de eventos" de propriedade de Armando Gondin, genro de Aécio de Borba, ex-mandatário da CBFS.
As parcelas de "gratificação pecuniária prevista no estatuto da CBFS" (segundo consta no recibo assinado por Renan Menezes) seriam mensais segundo a acusação e, como demonstram os documentos obtidos pelo ESPN.com.br, chegaram também à conta corrente da esposa de Renan, Edineide Menezes, que nunca foi funcionária da CBFS.
REPRODUÇÃO
Comprovante de pagamento a Renan Menezes pela empresa Arfe
Comprovante de pagamento a Renan Menezes pela Arfe
REPRODUÇÃO
Comprovante de pagamento a Edileide Menezes, esposa de Renan Menezes, pela empresa Arfe
Comprovante de pagamento a Edileide Menezes, esposa de Renan Menezes
DIVULGAÇÃO
Documentos comprovam pagamento  a membros da Confederação Brasileira de Futsal através da empresa ARFE
Documento comprova pagamento a Louise Bedê
Aécio Borba renunciou ao cargo em junho deste ano, depois de ter as contas da Confederação rejeitadas e ser acusado de nepotismo.
Auditoria realizada no primeiro semestre de 2014 apontou que cerca de R$ 3 milhões foram gastos em 2013 pela CBFS com serviços não identificados. E que a ARFE ainda emprestou R$ 2,5 milhões à parceira, em março de 2014.
Vale ressaltar que a receita da CBFS em 2013 chegou a cerca de R$ 32 milhões por meio de contratos de patrocínio com empresas públicas como Banco do Brasil e Correios. O Banco do Brasil não renovou o vínculo com a seleção de futsal, mas os Correios mantêm em sua página na internet informações sobre a parceria.
VIVIANE SOBRAL/CBFS
Da esquerda para a direita, Renan Menezes, Aécio da Borba e na ponta direita, Louise Bedê, dirigentes da CBFS
Esq à dir: Renan Menezes, Aécio da Borba, Vicente Piazza, ex-vice-presidência geral da CBFS e Louise Bedê
Ouvido pela reportagem, Renan Menezes alegou a respeito dos repasses de R$ 10 mil: "Devem ter sido pagamentos referentes ao período que integrei o comitê da liga nacional, ficou definido que tanto o comitê como a direção que integrava a liga recebiam pagamento. Não houve ilegalidade, essas denúncias são denúncias levianas da oposição."
Já sobre a informação de que sua esposa recebeu dinheiro da Confederação em 2013, o presidente da CBFS explicou: "Pode ter ocorrido de eu ter dado o numero da conta da minha esposa, mas não tem nenhum documento assinado por ela, se tivesse, tudo bem."
O motivo de pagamentos serem feito pela ARFE Renan não soube esclarecer. Ele afirma ter rompido vínculo com a empresa ainda antes de assumir a presidência. "Quem tem que dizer é o ex-presidente ou a própria empresa, mas toda movimentação financeira [da Confederação] era feita pela ARFE. O que posso dizer é que desliguei qualquer vínculo com a empresa, toda ligação familiar foi desligada."
O ESPN.com.br tentou contato com Aécio de Borba até o momento da publicação desta matéria, mas não foi atendido.
Em participação no programa 'Bola da Vez' da ESPN Brasil, no começo de abril, o jogador Falcão protestou contra a entidade então comandada por Aécio de Borba desde 1979, ano da fundação da CBFS: "No ano passado entraram R$ 30 milhões e não vimos benefício nenhum para a Liga Futsal e os atletas. Tem jogador que emitiu nota e até agora não viu o dinheiro. Os patrocinadores, então, não querem nem ouvir falar de futsal."
 
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Falcão: 'Eu nunca vi as confederações se unirem, brigando por Olimpíadas'

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segunda-feira, 1 de junho de 2015