terça-feira, 18 de junho de 2013

Eliminatórias da Concacaf



22h06 Estados Unidos 1x0 Honduras
23h00 Costa Rica 2x0 Panamá

Eliminatórias Asiáticas

05h30 Austrália 1x0 Iraque
09h00 Coreia do Sul 0x1 Irã
09h00 Uzbequistão 5x1 Qatar
13h00 Jordânia 1x0 Omã

O rival de Fortaleza

Uma Copa das Confederações mudou a história de Brasil x México. No estádio Azteca, a seleção de Vanderlei Luxemburgo perdeu por 4 x 3 a decisão do torneio. Nunca mais o confronto foi o mesmo. Antes daquela decisão, os mexicanos haviam vencido os brasileiros duas vezes. Nos últimos catorze anos, ganharam sete, em doze encontros. O Brasil venceu três vezes.
O susto antes do segundo jogo da seleção na Copa das Confederações tem outros ingredientes. O Brasil não perde em casa desde 2002, 29 partidas com 20 vitórias. A última derrota aconteceu na despedida de Felipão, depois da Copa da Ásia, por 1 x 0 para o Paraguai, em Fortaleza, palco da partida de quarta.
O último ingrediente foi a atuação do México contra a Itália. Massacrado nos primeiros vinte minutos da estreia, o México reagiu com a mobilidade de Giovanni dos Santos, reserva nas últimas partidas das Eliminatórias.
Na estreia da Copa das Confederações, no Maracanã, contra a Itália, Giovanni dos Santos voltou.
Filho do brasileiro Zizinho, do São Paulo dos anos 80, é hábil, rápido e tem deslocamentos que confundem. Foi ele quem sofreu o pênalti do gol mexicano.
Dos lados do campo, Aquino protege pela direita e Guardado, pela esquerda, marcará Daniel Alves toda vez que o brasileiro tentar ir ao ataque.
Os lados marcam e liberam Giovanni para se aproximar de Chicharito e criar dificuldades contra Thiago Silva e David Luiz, como fez contra Barzagli e Chiellini.
A Itália sofreu, mas venceu e encerrou série invicta de 13 partidas dos mexicanos. Golaço de Mario Balotelli, agora apelidado pelos italianos de Mariocanã.
A marcação mexicana vai subir e atrapalhar a saída de bola da defesa brasileira. Cuidado é bom, mas não é mais tempo de temer o México pela escrita dos últimos 14 anos.


Se o Brasil jogar bem, como fez contra o Japão, vencerá e garantirá o lugar nas semifinais.

A bola que queima pés brasileiros é a que os espanhóis domesticaram. E fazem dela gato e sapato

Encerrada a primeira rodada da Copa das Confederações, algumas conclusões. O time brasileiro trocou 515 passes ante o Japão e os italianos apenas nove a mais contra o México. Mas a distribuição entre os setores foi bem diferente. Luiz Gustavo e Paulinho, os dois volantes, deram, juntos, um total de 102, enquanto a dupla De Rossi-Pirlo somou 142. Os quatro defensores brasileiros (Daniel Alves, David Luiz, Thiago Silva e Marcelo) somaram 265 toques, enquanto o quarteto defensivo da Azzurra (Abate, Barzagli, Chiellini e De Sciglio) totalizou 247.
Fica evidente que os dois meio-campistas mais próximos dos defensores da Itália são mais acionados, participam mais ativamente do início dos lances. Isso faz com que o vice-campeão europeu trabalhe melhor a posse de bola, saia tocando e evite lançamentos longos a todo instante, recurso comum no futebol brasileiro e no time sob a batuta de Luiz Felipe Scolari.
Tanto que 48% da posse de bola do Brasil foi no meio-campo e a Itália alcançou 58% de sua posse nesta faixa do gramado. Isso porque o Brasil ligava diretamente da defesa ao ataque, cabendo a Hulk, Oscar e Neymar segurar a pelota, enquanto os italianos procuravam conduzí-la, tocando. Uma nítida diferença de estilo. Os brasileiros tocam menos, aceleram e esticam mais.
Mas espantoso mesmo é ver o quanto os meio-campistas da Espanha dominam a pelota, a manejam, fazem o que bem entendem com ela durante quase 80% do tempo de jogo. Busquets, Iniesta e Xavi (que não jogou os 90 minutos) deram, cada um, mais de uma centena de passes, com praticamente 97% de acerto. O Uruguai foi mais um a ficar na rodinha de bobo dos campeões mundiais.

Getty
Iniesta contra o Uruguai: dono do jogo e com mais toques na bola sozinho do que os volantes do Brasil
Iniesta contra o Uruguai: dono do jogo e com mais toques na bola sozinho do que os dois volantes do Brasil

Se no Brasil os dois zagueiros aparecem entre os três que mais passes trocaram contra o Japão, diante dos uruguaios a dupla de zaga da Espanha ocupou apenas a sexta e a sétima posições no ranking dos que mais tocaram na pelota. E como observa o companheiro Marcelo Bechler — cliqueaqui para ler ótima análise — "a seleção brasileira teve mais do que o dobro (27% a 13%) de bola na defesa do que os espanhois. A Espanha teve apenas 13% da bola no pé em sua retaguarda. A maior parte esteve no meio-campo, na construção e sobretudo controle do jogo".
Claro que o Brasil está em estágio diferente do poderoso e montadíssimo time espanhol. Mas alguns números escandalizam. Se a dupla de volantes brasileiros trocou 102 passes, sozinhos, Iniesta e Xavi tocaram mais na bola do que Paulinho e Luiz Gustavo. E Xavi (saiu 32 aos minutos do segundo tempo), teve apenas um passe a menos. Conclusão: é abissal a distância do time cebeefiano para quem hoje melhor domina a bola, a controla, e com isso constrói jogadas.
E quando falamos da seleção, a imagino buscando o melhor, a excelência. Isso não está acontecendo hoje. Não que seja obrigatório ver todos os times jogando à espanhola, pelo contrário. Mas seria ótimo observar os brasileiros praticando um futebol competitivo, moderno, técnico, como foi nos melhores tempos. Que isso pelo menos fosse um objetivo. Um exemplo? O Bayer de Jupp Heynckes (três anos mais velho do que Felipão) foi competitivo, moderno, vencedor na temporada.
A bola que queima pés brasileiros e os obriga a despachá-la para longe, para alívio e euforia de alguns, é a mesma que os espanhóis domesticaram. E fazem dela gato e sapato.
Total de passes*
Brasil (x Japão)
Daniel Alves 84 (5)
Thiago Silva 74 (3)
David Luiz 54 (3)
Luiz Gustavo 56 (0)
Marcelo 53 (5)
Oscar 48 (3)
Paulinho 46 (3)
Hulk 36 (6)
Neymar 35 (1)
Itália (x México)
Chiellini 77 (1)
De Rossi 77 (4)
Pirlo 65 (2)
De Sciglio 63 (4)
Barzagli 54 (1)
Abate 53 (3)
Montolivo 54 (3)
Giaccherini 33 (5)
Marchisio 26 (2)
Espanha (x Uruguai)
Busquets 108 (4)
Iniesta 107 (4)
Xavi 101 (4)
Alba 92 (5)
Arbeloa 81 (6)
Piqué 59 (1)
Sérgio Ramos 58 (0)
Fábregas 63 (7)
Pedro 53 (1)
* entre parênteses o número de passes errados
Fonte: Footstats

Os números incríveis da Espanha. Não no ataque, mas na defesa



A Espanha foi campeã da Europa em 2012 sofrendo um único gol em toda a campanha. É a melhor defesa da Euro em todos os tempos.
A Espanha foi campeã do mundo em 2010 com dois gols sofridos. Junto com a Itália de 2006, o campeão mundial menos vazado em todos os tempos.
O ataque da Espanha no Mundial foi fraco, é verdade. Faltava um homem gol e os oito gols da Roja, cinco de David Villa, fizeram os espanhois entrarem nos livros de recordes como o pior ataque campeão.
Mas é impressionante como a Espanha massacra seus adversários. Ainda que se possa dizer que fez falta ao Uruguai uma rotina mais forte de treinos no Recife, pelo caos e pela chuva, a Espanha segue sendo a rainha do futebol mundial.
Já são 23 jogos de invencibilidade, 18 vitórias nessa sequência. 
E com Del Bosque, no comando desde 2008, um incrível aproveitamento de 86% dos pontos após disputar 73 partidas.
16/junho/2013
ESPANHA 2 x 1 URUGUAI
Local: Arena Recife (São Lourenço da Mata); Juiz: Yoichi Nichimura (Japão); Público: 41.000; Gols: Pedro 22, Soldado 33 do 1º; Luis Suarez (falta) 43 do 2º; Cartão amarelo: Pique, Arbeloa, Lugano, Cavani
ESPANHA (4-3-3): 1. Casillas (6), 17. Arbeloa (5,5), 3. Pique (6), 15. Sergio Ramos (6,5) e 18. Alba (6); 16. Busquets (6,5), 8. Xavi (7) (4. Javi Martínez 32 do 2º (sem nota)) e 10. Fabregas (6,5) (20. Cazorla 20 do 2º (5,5)); 11. Pedro (6,5) (13. Mata 36 do 2º (sem nota)) 14. Soldado (6) e 6. Iniesta (8). Técnico: Vicente Del Bosque
URUGUAI (4-4-2): 12. Muslera (5,5), 16. Maxi Rodriguez (5), 2. Lugano (4,5), 3. Godín (5,5) e 22. Martín Cáceres (5); 18. Gastón Ramírez (5) (20. Álvaro González, intervalo (5)), 15. Diego Pérez (5,5) (10. Forlán 24 do 2º (5)), 5. Gargano (5) (14. Lodeiro 18 do 2º (6)); 7. Cavani (5) e 9. Luiz Suarez (6). Técnico: Oscar Tabarez
O Uruguai não fez reconhecimento de campo na véspera do jogo, em protesto contra a falta de locais de treinamento no Recife, por causa da chuva, durante a semana.
MELHOR EM CAMPO FIFA - Iniesta
MELHOR EM CAMPO PVC - Iniesta

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Agentino

20h15 Quilmes 0x0 Godoy Cruz

Copa das Confederações



16h00 Taiti 1x6 Nigéria

Hantuchova bate juvenil croata em Birmingham

Birmingham (Inglaterra) - A experiência sobre a quadra de grama foi decisiva em favor da eslovaca Daniela Hantuchova. A ex-top 5, agora com 30 anos, conquistou neste domingo o torneio de Birmingham, importante preparativo para Wimbledon, ao derrotar a juvenil croata Donna Vekic, de apenas 16, por dois sets a zero e parciais de 7/6 (7-5) e 6/4.

Este foi o sexto título de Hantuchova em 14 finais disputadas. Tenista sempre bem adaptada à grama, Hantuchova saiu na frente do primeiro set, mas permitiu uma quebra e a decisão foi ao tiebreak. Na outra série, ua única quebra no final do set garantiu a conquista da atual número 60 do ranking. A eslovaca havia perdido a final do torneio em 2011.

Vekic, que treina atualmente na Inglaterra, é apontada como uma das revelações do circuito feminino. Esta foi sua segunda final de nível WTA, depois de Tashkent no final do ano passado. A última vez que uma tenista com 16 anos ou menos conquistou um torneio de primeira linha foi em 2006, com a austríaca Tamira Paszek, então com apenas 15.

A croata é a tenista mais jovem a ocupar um lugar entre as 350 primeiras do atual ranking feminino.

Wimbledon recusa dar convite para Kleybanov

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Moscou (Rússia) - A russa Alisa Kleybanova lamentou neste sábado não ter sido atendida em seu pedido de convite para a chave principal de Wimbledon. A jogadora, que já foi número 20 do ranking, tenta retornar às competições após longo tratamento do Linfoma de Hodgkins. O All England Club não lhe deu o convite, apesar de ter ainda duas vagas a indicar.

"É uma prerrogativa dos organizadores. Ele tiveram uma reunião para decidir sobre isso na semana passada e na quarta-feira me informaram da recusa", lamentou a russa. "Claro que existe muita competição e dinheiro envolvidos nisso, mas prefiro não pensar assim. Terei outros torneios para jogar. Wimbledon é um dos meus favoritos e sempre joguei bem na grama".

Kleybanova teve o diagóstico confirmado em 2011 para uma doença em estágio 2 do linfoma. Retornou à competição em Indian Wells deste ano e chegou a ganhar uma rodada, mas percebeu que não estava fisicamente em forma. Voltou a treinar e disputou em maio torneios de nível US$ 10 mil nos Estados Unidos, ganhando um deles.

"O negócio é continuar lutando para recuperar meu melhor nível. Respeito a decisão dos organizadores e ficarei na luta para chegar no lugar onde desejo estar", promete a tenista

Pela Copa Pan-americana, Brasil perde a semifinal para os Estados Unidos

Divulgação
Brasileiras não conseguiram superar a forte equipe norte-americana
Brasileiras não conseguiram superar a forte equipe norte-americana
Único país a utilizar o time juvenil na competição,o Brasil não conseguiu repetir a sequência de vitórias e foi derrotado para os Estados Unidos, neste sábado, em Lima, no Peru. O jogo foi válido pela semifinal da Copa Pan-americana e as brasileiras perderam por 3 sets a 0, com parciais de 25/11, 25/20 e 25/22. Agora, em busca do terceiro lugar, elas enfrentam a Argentina, neste domingo.
O técnico Luizomar de Moura começou o jogo utilizando a levantadora Giovan, a oposto Sara, as centrais Saraelen e Valquíria, as ponteiras Gabi e Rosamaria e a líbero Dani Terra. Ao longo do confronto entraram Naiane, Maira, Domingas e Milka.
Assim como nas quartas de final contra o Canadá, Gabi foi a principal jogadora brasileira e a grande destaque do jogo, com 14 pontos marcados. Pelas adversárias, a maior pontuadora foi Rachael Adams, que marcou 12.
Na primeira partida do torneio, o Brasil estreou com uma derrota para a República Dominicana. Na sequência, a equipe se recuperou e venceu o México e a Colômbia para fechar a primeira fase. Nas quartas, contra o Canadá, as brasileiras conseguiram uma difícil vitória por 3 sets a 2.

Halep enfim conquista o primeiro título da carreira

Nuremberg (Alemanha) - Após três tentativas frustradas, enfim a romena Simona Halep conseguiu seu primeiro título de nível WTA da carreira. A tenista de 27 anos derrotou a alemã Andrea Petkovic, por duplo 6/3, na decisão do torneio de Nuremberg, disputado sobre o saibro.

Petkovi ganhou convite dos organizadores e disputou sua primeira final em 20 meses, após sofrer uma série de contusões. A ex-número 10 do ranking buscava seu terceiro troféu.

Já no torneio de Birmingham, na Inglaterra, a adolescente Donna Vekic, de apenas 16 anos, está na decisão, após derrotar a eslovaca Magdalena Rybarikova, cabeça 16 da semana, com parciais de 7/6 (7-5), 1/6 e 6/3. Vekic é croata, mas está morando na Inglaterra.

Sua adversária será a experiente eslovaca Daniela Hantuchova, que sofreu para derrotar de virada a norte-americana Alison Riske, por 5/7, 6/1e 6/4. Riske saiu do qualificatório e derrotou na manhã do próprio sábado, em partida suspensa na véspera pela chuva, a alemã Sabine Lisicki, por 7/6 (7-2), 2/6 e 6/4.

Halep confirma favoritismo e conquista primeiro título da carreira

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A romena Simona Halep golpeia bola durante o US Open
A romena Simona Halep ganhou seu primeiro título de nível WTA
A romena Simona Halep estragou a festa alemã e conquistou o título do WTA de Nuremberg, na Alemanha, nesta sábado, com a vitória sobre a tenista local Andrea Petkovic, em 2 sets a 0, com parciais de 6/3 e 6/3, após 1h25.
Cabeça de chave número 7, Halep era a principal favorita, mas a adversária chegava com uma zebra, já que havia eliminado a cabeça de chave 1 Jelena Jankovic na semifinal. No entanto, mesmo com a boa campanha, que ao longo do torneio derrotou as cabeças 4, 8 e 1, a alemã não ofereceu grande resistência à adversária.
Aos 21 anos e atualmente na 58ª posição, a romena recebe o troféu da competição alemã e ganha o primeiro título de nível WTA da carreira. Na temporada, a tenista havia se destacado em maio, quando chegou à semifinal do Premier de Roma, perdendo para a norte-americana Serena Williams, melhor tenista da atualidade.
A partida deste sábado começou equilibrada. Com boas devoluções, a alemã chegou a ter grandes chances de quebrar o serviço, mas não soube aproveitá-las. No quinto ponto, Halep foi a primeira a conseguir uma quebra, o que a deixou em vantagem até o final da parcial.
No segundo set, Petkovic deu indícios de que iria começar surpreendendo, já que fez 40/15 no primeiro ponto. No entanto, a romena reagiu, salvou dois break-points e confirmou o serviço. Na sequência, ela mesmo conseguiu uma quebra, abriu 3/0 e deixou a situação mais fácil para garantir o primeiro título da carreira.

Estreia sem susto

Uma das máximas do futebol ensina que é importante estrear com vitória, ainda mais em competições de tiro curto. Com resultado positivo, espanta-se tensão e decrescem as dúvidas, na mesma proporção em que aumentam confiança e chance de classificação. Por essa perspectiva, foram impecáveis os 3 a 0 sobre o Japão, na abertura da Copa das Confederações. Triunfo sem sobressaltos, que deu a medida da diferença entre as equipes. Felipão e seus rapazes podem curtir relaxados o domingo de folga.
Noves fora a constatação inicial, é preciso deixar claro que o Brasil desempenhou o papel que se esperava de um anfitrião de grosso calibre - quer dizer, cumpriu com a obrigação. E o fez com certo brilho, elegância e atenção. Com raros momentos de comportamento burocrático. Não foi brilhante - ainda continua comum, como observei, depois de ganhar da França -, tampouco passou tédio ao público.
Concentração talvez tenha sido o aspecto mais agradável da turma de Luiz Felipe Scolari. O pessoal levou a sério o desafio, como manda o manual do profissional correto. Como consequência dessa atitude, não passaram de esporádicos os episódios de desatenção, assim como erros de marcação. Vá lá que os japoneses não exigiram suor acima da conta - Julio Cesar apareceu no máximo com três defesas. Também os brasileiros não vacilaram a ponto de tomarem sustos. Deu pra perceber, desde que a bola começou a rolar no irregular gramado do Mané Garrincha, que o adversário oriental, já classificado para o Mundial, não seria páreo duro. E não foi, ainda bem.
A largada feliz começou pelo meio-campo, em geral o fiel da balança de qualquer equipe. Luiz Gustavo e Paulinho barraram arroubos ofensivos dos nipônicos, e receberam ajuda dos laterais, fora Hulk e Oscar. A estratégia prevaleceu cedo, e o lindo gol de Neymar aos 3 minutos deixou o rival grogue.
Neymar acabou com a cobrança de que amargava jejum de sei lá quantas horas. Os amantes das estatísticas estapafúrdias advertiam que faltavam uns poucos minutos para superar o próprio "recorde negativo" de mandar a bola às redes. Essa zica foi pro espaço, e vale notar que o rapaz não caiu muito após as divididas. Neymar saiu na metade do segundo tempo (Lucas entrou no lugar dele) por precaução, já que sentia dores. Até então, havia sido um dos destaques, ao lado de Oscar.
Ambos jogaram de acordo com a categoria que possuem e reforçaram a sensação de que a seleção vai girar, cada vez mais, em torno deles. Não se trata de supervalorização, porque são mesmo os que têm talento de sobra. Só continuo com um pé atrás pela idade e rodagem baixas. Espero que Felipão faça a cabeça da dupla para não encarar a missão como fardo pesado pra carregar. Se estiverem serenos, a tendência é a de ditarem o ritmo do time, agora e principalmente dentro de um ano.
Ainda tem vento pra chuchu pra soprar, o México será mais complicado e, espera-se, a Itália o osso duro de sempre. Mas, devagar, se delineia o contorno da amarelinha: a defesa se consolida com Julio Cesar, Daniel Alves (caiu muita na segunda parte), Thiago Silva (firme), David Luiz e Marcelo. No meio, Luiz Gustavo protege bem, Paulinho continua incansável (e faz gols, para o bem de crítica, torcida, companheiros e certamente também o treinador), Oscar assume a condição de maestro e Hulk carrega piano, é jogador que se encaixa no espírito que Felipão pretende ver. Neymar é intocável e Fred, o costumeiro centroavante, que some e aparece na hora certa (ontem, discretamente).
A seleção tem uma cara, tende a evoluir, afinar o entrosamento - e não pode ser diferente. Fico só a imaginar com que cara foram pra casa a presidente Dilma e Joseph Blatter. As vaias que tomaram não estavam no gibi. O manda- chuva da Fifa ensaiou um pito na plateia, na base do "que é isso, gente?", e ouviu assovios mais forte, interpretados como "vai mandar em outra freguesia". Na próxima, chama o Pelé. É mais seguro.

De olhos bem abertos

Os japoneses arregalaram seus olhos quando Neymar acertou o sem-pulo e acabou com seu jejum de gols. O estádio inteiro também arregalou seus olhos. E Neymar respirou fundo, de olhos bem fechados.
A seleção também respirou aliviada.
Depois do gol, o jogo do primeiro tempo pode ser chamado de insosso ou paciente. Levando em conta o fato de o time estar em construção, a troca de passes lenta entre os zagueiros foi uma qualidade. Mesmo quando Thiago Silva e David Luiz abusaram de lançamentos longos.
A ligação direta é evidência de que é preciso melhorar a saída de bola. Precisa sair pelos laterais e pelos volantes também. A dificuldade existe, porque ainda há uma distância enorme entre Luiz Gustavo e Paulinho e a linha dos três armadores, Hulk, Neymar e Oscar, o que produziu contra-ataques japoneses.
Quando a bola chegou aos quatro da frente, houve muito mais deslocamentos e trocas de posição do que contra Inglaterra e França (veja ilustração). Esse é o grande avanço. Exemplo é Fred sair da área para ajeitar com o peito no lance do gol. Ou Neymar deixar Fred na cara do gol depois de uma arrancada pela esquerda, aos 42 minutos.
Bom também o apoio de Paulinho, autor do segundo gol, dentro da área inimiga, em outra jogada iniciada por Neymar.
Não se esqueça de que o Japão é bem estruturado por Alberto Zaccheroni, técnico campeão italiano pelo Milan em 1999. A vitória não é de se desprezar.
A seleção terminou o jogo no 4-3-3 que Felipão testa como alternativa e que teve o ápice no lindo passe de Oscar para o terceiro gol, de Jô.
A seleção progride. O Brasil de Dilma Rousseff e a maior vaia de seu mandato, não. Escudos transparentes, cassetetes, capacetes reluzentes e a determinação de manter tudo em seu lugar.


Selvagem! Os versos acima, dos Paralamas, banda da turma de Brasília, são de um tempo em que cidade fazia mais sucesso.

domingo, 16 de junho de 2013

Copa das Confederações

16h00 México 1x2 Itália
19h00 Espanha 2x1 Uruguai

Argentino

14h15 Unión 1x1 Vélez Sarsfield
16h10 All Boys 0x1 Racing Club
16h10 Atlético Rafaela 0x3 Newells Old Boys
18h10 Boca Juniors 1x0 Arsenal Sarandí
21h30 Lanús 5x1 River Plate

Eliminatórias Africanas



09h00 Tanzânia 2x4 Costa do Marfim
10h00 Etiópia 2x1 África do Sul
10h00 Lesoto 0x2 Gana
10h00 Moçambique 0x1 Egito
10h30 Ruanda 0x1 Argélia
11h30 Congo RD 0x0 Camarões
13h00 Guiné Equatorial 1x1 Tunísia
13h00 Libéria 0x2 Senegal
14h00 Guiné 2x0 Zimbábue
15h00 Mali 2x2 Benin

Parte da família

A tarde de sexta-feira teve uma linda cena no centro do gramado do estádio Mané Garrincha, em Brasília. Felipão reuniu todos os jogadores na véspera da estreia contra o Japão e levou ao centro da roda o capitão do penta. Cafu falou algumas palavras. Antes e depois da curta palestra, foi aplaudido, ovacionado por todos os jogadores da seleção.
Semanas antes, foi a vez de Zagallo. Numa entrevista para a produtora Mowa, que faz trabalhos de vídeos para a CBF, o técnico do tri em 70 disse que gostaria de estar mais presente com a seleção brasileira. Ser lembrado.
A informação chegou ao coordenador da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira. E Parreira conversou com Felipão: "Eu estava pensando exatamente nisso", disse o técnico do penta ao treinador do tetra.
Na chegada da seleção ao Rio, na semana do amistoso contra a Inglaterra, Zagallo foi recebido na hora do jantar por toda a delegação. Entrou na sala onde acontecem as refeições e todo o grupo de jogadores se levantou.
Zagallo emocionou-se.
Não foi só ele. Os jogadores da campanha da Copa das Confederações também.
Há decisões na seleção brasileira que não têm por intenção reunir, motivar, formar família. A intenção fundamental é homenagear alguém que tem história, que participou do futebol brasileiro de maneira importante.
Caso de Zagallo, o primeiro campeão mundial como técnico e jogador. Ou de Cafu, o único na história das Copas do Mundo a disputar três finais --nem Pelé disputou, porque se machucou em 1962.
Mesmo sem ser estratégico, cenas como a de sexta-feira no gramado do Mané Garrincha ou do refeitório do hotel no Rio cativam os jogadores. Formam grupo.
É como se no quarto de hotel um atleta comum, como Fernando, Luiz Gustavo ou Dante, ou incomum, como Neymar, percebesse que fazer parte da história é legal.
E que para fazer parte dela é necessário desempenhar um trabalho bom agora, ser campeão da Copa das Confederações, ganhar a Copa do Mundo no ano que vem.
Várias das discussões sobre a atualização de Felipão hoje passam por ele ser um motivador. Muita gente acha que isso já não funciona mais.
De fato, se for só isso, o elenco duvida da competência, não compra o projeto.
Mas se isso completar o pacote, pode ter certeza que faz bem à saúde, ao cérebro e ao coração.


E que Felipão alcança dois objetivos: forma sua família e homenageia quem fez história no futebol brasileiro.

No meio da confusão



Eu estava no meio da manifestação no Mané Garrincha, aqui em Brasilia. A coisa estava pacifica até a pagina 2, com cara que ia dar merda.
Tudo calmo e com gritos de protesto. A manifestação era perfeita, legítima. O grito era contra os altos gastos com a Copa num país sem saúde, educação, moradia, dignidade muitas vezes.
A policia cercava os manifestantes e não permitia que eles chegassem a determinado ponto. De repente todos começaram a sair, devagar, parecia que nada ia acontecer. Só que os caras estavam afim de merda e foram correndo em direção aos torcedores que estavam nas entradas do estádio. Até ai ficaram só pulando e cantando contra a violência. Mas, de um segundo para o outro, a primeira bomba, as primeiras correrias....
Me protegi, fiquei de longe com a equipe, mandando material e olhando dos lados.
Parecia que tinha dispersado, acabado, mas não! Em 10 segundos vi uma multidão de caras correndo em minha direção, a cavalaria vinha junto, e as bombas também. Sai em disparada para a esquerda... Bombas batendo no pé e cavalos de todos os lados. Pensei: "preciso ir para longe dos manifestantes, algum lugar sem PM, choque, cavalos". 
Corri para o outro lado e não via o fim do cordão de isolamento da policia. É neste momento em que você se vê no meio da coisa e não acha saída. Tudo começa a passar pela cabeça, uma luz para sair dali. Acontece que é neste momento que o gás das bombas começam a fazer efeito, os olhos quase fecham, você não enxerga nada e a garganta começa a fechar.
Falta força nas pernas. A repetição de tosses atrapalha a respiração. Consegui sair do bolo.
O que me impressiona é a "cegueira" da polícia. Eles não se importam se quem está na frente é manifestante (legítimo), baderneiro, torcedor com família, jornalistas. Eles simplesmente atacam com objetivo de limpar a área, esteja quem estiver na frente. A sensação é terrível, uma selvageria.
Acho o protesto legitimo, o povo é tratado como babaca, é lesado de todas as formas. É violentado e feito como otário, enquanto rios de dinheiro correm, deságuam em lugares que não são para o beneficio dos donos verdadeiros deste dinheiro.
O brasileiro é - era - pacifico. Estas manifestações que estão comuns nestes dias mostram que algo pode estar mudando.
O único "senão" de tudo isso é que os manifestantes deveriam respeitar o cidadão comum, aquele que não quer saber de encrenca. Se é democrático o manifesto, é do direito de todos nao querer confusão. Andar na rua sem temer levar um tiro de bala de borracha, sem ser ofendido por um manifestante que acha que apenas a sua causa que importa.
Vivi cenas e momentos que jamais imaginei viver. Fugi, corri e fui ajudado por manifestantes profissionais, a postos com panos embebidos em vinagre e água pra lavar o olho em qualquer situação.
Da próxima vez, por precaução, vou de óculos de natação, nariz de palhaço no bolso e um pouco de vinagre na mochila. É melhor prevenir. 

Diário das Confederações - BR, de Brasil



É uma rodovia federal. BR 101. BR de Brasil.
É uma rodovia federal como várias outras. Não sei - e a conexão de internet não me permite grandes devaneios googleísticos - se há uma BR 001, outra 002 ou 003.
Falemos da BR 101. Liga Recife a João Pessoa, segundo Praxedes, o taxista com quem eu e um colega passamos a tarde. Falemos da BR 101, que liga algum ponto de Recife ao CT do Sport, onde o Uruguai treinou pela primeira vez desde que chegou ao Brasil.
Recife tem muitos carros. Não sou engenheiro de tráfego, não sei quantos são, quantos por pessoa, quais são os modelos mais comuns. Mas sei, em duas tardes quase perdidas no trânsito da cidade, que o problema de Recife, ou pelo menos o maior problema, não está no número de carros.
Getty
Seleção uruguaia teve trabalho para conseguir chegar no CT do Sport
Uruguai teve trabalho para conseguir chegar ao CT do Sport
Está nos buracos.
Calma, respira, olha o calendário e leia de novo. Junho de 2013. Buracos.
Recife, uma das cidades mais importantes do Brasil, uma das cidades com o povo mais cativante deste país, a cidade de um estádio de R$ 600 milhões, é refém de buracos no asfalto.
A prefeitura tenta tapar às pressas, mas não consegue porque - há cerca de 400 anos, segundo relatos dos moradores mais antigos - chove em Recife no mês de junho.
E aí, acontece o que acontece. Os buracos emanam, em grupos, em bandos, aos montes, os carros param, a cidade estaciona. "Isso aqui é tudo feito de última hora, uma vergonha", disse um trabalhador da operação tapa-buracos a um colega de uma rede de TV. A declaração dele não irá ao ar.
No domingo, a BR 101 continuará esburacada enquanto os torcedores estiverem a caminho de Espanha x Uruguai. O caminho é outro, por outra BR, a 408, também mal cuidada. A previsão é de 2 horas para fazer um deslocamento de 25 km, entre o centro e o estádio.
As BRs são apenas um exemplo do descaso, mas nem de perto o único. Os hospitais de Recife não vão bem, a educação também tem seus problemas, a mobilidade urbana nas regiões centrais é complicada.
São buracos, buracos, buracos.
Para a capital pernambucana, a Copa das Confederações é um teste e tanto. Um teste para se reprovar e repetir de ano. (A que custo? Com quanto de dinheiro público?)
2014 é ano de Copa. É ano de eleição, e o governador quer ser presidente.
Aí, o buraco é mais embaixo.
Se você foi ao cinema na sessão das 16 horas e ao voltar para casa se deparou com o placar da peleja em Brasília, Brasil 3 x 0 Japão, pode imaginar que foi uma exibição de gala. Não foi. O time cebeefiano está muito distante disso. E pode ser que fique mais competitivo, até deverá ficar com o passar do tempo e dos treinos. Mas com o comando de Luiz Felipe Scolari, segue marcado pelo velho pragmatismo e repertório pobre, previsível, óbvio.
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Neymar ouve instruções de Felipão ao lado do camisa 10 japonês, Kagawa: pela esquerda
Neymar ouve instruções de Felipão ao lado do japonês Kagawa: craque do Brasil ficou mais pela esquerda
O Brasil teve 59% de posse de bola, 63% na primeira etapa. E o que fez com tamanho tempo com a pelota nos pés? Trocou passes entre os homens de defesa e o primeiro volante, Luiz Gustavo. Não havia quem coordenasse a saída de bola com qualidade para fazê-la chegar bem aos homens de frente. E contra seleções mais poderosas, que marquem melhor, não será tão simples chegar ao gol diante de tamanha limitação para fazer as jogadas nascerem.
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Neymar jogou mais pelo lado esquerdo, embora Felipão o escala pela faixa central
Neymar jogou mais pelo lado esquerdo, embora Felipão o escala pela faixa central: vocação natural
Assim, quando o Japão voltou para marcar atrás foram várias trocas de passes estéreis no campo de defesa verde-e-amarelo. A ponto de Daniel Alves (89) e Thiago Silva (74) terem sido, longe, os que mais tocaram na bola, seguidos por Luiz Gustavo (56), David Luiz (54) e Marcelo (53). Paulinho (46 passes) se posicionava muito à frente, na segunda metade da cancha, e não dava opção para os defensores e ao volante do Bayern Munique.
Com isso a saída de bola era fraca, presumível, resultando em esticadas longas após toques laterais, a maioria nos pés adversários. Ou seja, bolas rifadas, especialmente com Thiago Silva. O zagueiro do PSG fez sete dos 42 lançamentos (60% errados) do time brasileiro, seis deles antes do intervalo, quando os asiáticos marcavam minimamente, mesmo que em seu próprio campo.
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Paulinho apareceu tanto no ataque quando lá atrás e pouco ajudou na saída de bola
Paulinho apareceu tanto no ataque quando lá atrás e pouco ajudou na saída de bola: não basta aparecer na área
Depois que Paulinho ampliou, em falha da Kawashima, no começo da segunda parte, os nipônicos afrouxaram ainda bastante o jogo. E foram cansando... Aí ficou mais fácil sair jogando. Os japoneses não marcaram forte nem com um técnico italiano (Alberto Zaccheroni). Foram 17 desarmes certos contra 31 do Brasil, mesmo ficando quase dois terços do tempo sem a bola. O time de Felipão também foi mais faltoso, 16 a 14.
Oscar até que teve a bola (48 passes) e fez seis dos 21 cruzamentos brasileiros, mas apenas um certo. E deu uma assistência para Jô, é claro. Fred também deu ótimo passe para gol, o de Neymar, ajeitando a bola erguida por Marcelo. Ainda chutou com perigo para defesa de Kawashima em sua única finalização certa. Mas tocou apenas 11 vezes na bola. O camisa 9 precisa participar mais. Não importa se ele pode ser decisivo, pois adversários superiores virão e em jogos mais duros e, se não se mexer, ela talvez nem chegue.
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Fred participou pouco do jogo e raramente caiu pelos lados: rara movimentação
Fred participou pouco do jogo e raramente caiu pelos lados: rara movimentação do centroavante brasileiro
Há uma diferença entre o que um time é na teoria e mostra na prática. Com 14 dos 23 convocados jogando em times internacionais e apenas nove na J-League, o Japão se apresenta, hoje, como uma seleção mais respeitável do que no passado. Isso é evidente. Mas no gramado do "Elefante Branco" de Brasília foi uma equipe frágil demais. Em parte devido à desgastante viagem até lá.
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Hulk atuou mais pelo lado direito e foi bem acionado: uma boa presença ofensiva
Hulk atuou mais pelo lado direito e foi bem acionado: uma boa presença ofensiva do questionado jogador do Zenit
O Brasil pragmático de Luiz Felipe Scolari é isso e provavelmente sempre será. Um time sem criatividade, dependente de cruzamentos, de bolas longas, pouco trabalhadas, e do talento individual. Eventualmente também de uma defesa sólida, que não foi testada diante dos nipônicos. Trocar passes, envolver o adversário, alternar marcação à frente com mais recuada para contra-atacar... Ver isso tudo junto é improvável.
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Oscar foi quem se movimentou mais pelos dois lados e na faixa central do gramado
Oscar foi quem se movimentou mais pelos dois lados e na faixa central do gramado: mal nos cruzamentos
O placar do jogo estimula a muitos ignorar a fragilidade do adversário, que pode, é evidente, jogar mais em outras oportunidades, talvez nessa Copa das Confederações mesmo. Sim, estamos analisando neste post o Japão deste sábado. E foi frágil demais. O time brasileiro tem treinado muito com o novo-velho técnico, mas não está melhor hoje do que nos últimos jogos sob a batuta de Mano Menezes. Como há 242 dias, quando fez 4 a 0... no Japão.

Sinais de vida e de evolução na seleção brasileira de Felipão, Oscar, Thiago Silva e... Neymar!



Neymar mostrou estar a fim de acabar com seu jejum de gols aos 2 minutos, quando partiu para roubar bola de Uchida, do lado direito e finalizou da entrada da área. A bola bateu na zaga. E deu prova de que pode jogar em alto nível pela seleção ao marcar uma pintura de gol, seu 21o com a camisa da seleção brasileira.
Tentou dribles, arrancou, deixou Fred na cara do gol, foi aplaudido. Saiu de campo com o prêmio de melhor em campo. Não foi um jogo nota 8, mas você verá abaixo que recebeu deste blog a melhor nota do jogo: 7,5.
O Brasil mostrou progressos. Time que tem treinado bem, jogou bem. Paciente quando era preciso, trocando passes entre os zagueiros. Aí, um defeito a corrigir. Quando o Japão sobe a marcação com Kiyotake de um lado e Kagawa do outro, os laterais têm dificuldade de fazer a saída de bola. Os volantes, ainda distantes dos três meias, não têm opção de passe e a bola volta para os zagueiros. Razão pela qual a bola saiu com passes longos de Thiago Silva e David Luiz mais vezes do que é conveniente.
É um time em obras. Daí ser natural haver erros.
Mas houve acertos. Enquanto se discute se Neymar deve jogar por dentro ou pela ponta,melhor será sempre se os três que atuam atrás de Fred se deslocarem com frequência. isso aconteceu na vitória por 3 x 0 sobre o Japão.
Felipão terminou o jogo num 4-3-3, como tem trabalhado sempre na segunda metade dos treinos. Nesse sistema, nasceu o terceiro gol,com o contra-ataque puxado por Oscar e finalizado por Jô.
Em campo, a Copa das Confederações começou bem.

AS NOTAS DA SELEÇÃO BRASILEIRA
GRUPO A
BRASIL 2 x 0 JAPÃO
Local: Mané Garrincha (Brasília); Juiz: Pedro Proença (Portugal); Bertino Miranda, José Trigo; Público: 67.847; Gols: Neymar 3 do 1º; Paulinho 2; Jô 48 do 2º; Cartão amarelo: Hasebe (46')
BRASIL (4-2-3-1): 12. Júlio César (5,5), 2. Daniel Alves (6,5), 3. Thiago Silva (7,5), 4. David Luiz (6) e 6. Marcelo (6); 17. Luiz Gustavo (6) e 18. Paulinho (7); 11. Oscar (7), 10. Neymar (7,5) (7. Lucas 28 do 2º (5,5)) e 19. Hulk (6,5) (8. Hernanes 30 do 2º (6)); 9. Fred (6,5) (21. Jô 35 do 2º (6,5)). Técnico: Luiz Felipe
JAPÃO (4-2-3-1): 1. Kawashima (5), 6. Uchida (4,5), 22. Yoshida (5,5), 15.Konno (6) e 5. Nagatomo (6,5); 7. Endo (6) (13. Hosogai 33 do 2º (sem nota)) e 17. Hasebe (5,5); 8. Kyiotake (5) (18. Maeda 5 do 2º (5,5)), 10. Kagawa (4,5) e 4. Honda (5) (19. Inui 43 do 2º (sem nota)); 9. Okazaki (4,5). Técnico: Alberto Zaccheroni

sábado, 15 de junho de 2013

Copa das Confederações

16h00 Brasil 3x0 Japão

Argentino

15h10 San Martín 2x0 Estudiantes
15h10 Independiente 0x1 San Lorenzo
15h10 Argentinos Juniors 1x0 Colón

Eliminatórias Africanas



10h00 Botsuana 3x2 República Centro-Africana
10h00 Zâmbia 1x1 Sudão
10h00 Uganda 2x1 Angola
11h30 Congo 0x1 Burkina Fasso
12h00 Gabão 4x1 Níger
14h30 Cabo Verde 1x0 Serra Leoa
17h00 Marrocos 2x0 Gâmbia

De olhos bem fechados

Os olhos de Neymar brilham um pouco mais do que de costume. É porque estão mais arregalados. Ele argumenta não se importar com o jejum de nove partidas sem marcar, não precisar de maturidade para jogar e necessitar de um time mais entrosado para que seu jogo apareça.
Seus diagnósticos estão corretos. Mas seus olhos estão arregalados.
Na quinta-feira, Neymar passou ao meu lado, enquanto caminhava os 200 metros que separam seu quarto da tenda armada para as entrevistas coletivas. Estava com Carlos Alberto Parreira, o zagueiro Réver e o assessor de imprensa Rodrigo Paiva. Transpirava tranquilidade.
Os olhos transmitiram um pouco mais de ansiedade quando se sentou em frente ao batalhão de jornalistas.
Só um personagem da seleção rivaliza com Neymar em notoriedade. Só Felipão. Nem Oscar nem Fred nem Júlio César e Thiago Silva motivam tantas perguntas, microfones e blocos de anotações.
Ninguém tem seu nome tão gritado pelos torcedores, nenhum outro foi aplaudido e vaiado por razões técnicas --Oscar recebeu apupos na Arena do Grêmio por sua ligação com o Inter.
Com Neymar, só há duas hipóteses: ser herói ou vilão. Não deveria ser assim, mas é.
Hoje, os 70 mil torcedores presentes ao Mané Garrincha querem ver Neymar. Melhor para um craque de 21 anos seria se o público quisesse assistir à seleção. Só à seleção.
Mas muitos querem ver só Neymar. Com 20 gols, é artilheiro da seleção somando todos os jogos depois da Copa da África do Sul. Não é verdade que joga mal de amarelo.
Ele só não é LeBron James. Antes do quarto jogo das finais da NBA, LeBron culpou a si mesmo pelo massacre sofrido por Miami contra San Antonio. "Eles esperam que eu faça a diferença e eu não fiz", disse. Lebron, 28, ganhou a primeira taça na NBA aos 27. Neymar tem 21.
Suas últimas atuações, comuns, vão se tornar um episódio esquecido de sua carreira. Basta exercer seu segundo dom, citado na entrevista de quinta: paciência.
Vai tirar a montanha de compromissos da cabeça, concentrar-se nos treinos, curar o resto de dor que, jura, não incomoda mais seu joelho: "Mas nenhum jogador atua 100%", ele também diz.
Quer dizer, há uma réstia de dor. Quando passar, Neymar será o cara que mostrou ser nos últimos quatro anos.
Hoje, ele tem 21 anos e é o ponto de referência da seleção. Natural ter os olhos mais arregalados que de costume. Só há um remédio para tudo isso: respirar. De preferência, de olhos bem fechados.