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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Fundo secreto investiu R$ 118 mi no Brasil e tem no Santos maior parceiro
O Doyen Sports, fundo com sede no paraíso fiscal de Malta, investiu um total de € 26 milhões (R$ 118 milhões) em transações de jogadores com clubes brasileiros. Esse valor foi revelado por novo vazamento de um relatório do fundo feito pelo site “Football Leaks''. O Santos foi quem realizou mais negócios com o grupo, mas há transações com Flamengo, São Paulo, Atlético-PR e Inter.
O fundo tem gerado controvérsia por conta da origem de seu dinheiro e do tipo de contrato assinado com os clubes. Um exemplo é o acordo para compra de 35% dos direitos do meia santista Geuvânio. Agora, o clube não quer pagar o percentual do grupo. A Fifa atualmente proíbe o TPO, participação de terceiros em negócios de jogadores.
O blog questionou a Fifa se havia uma investigação em curso sobre o Doyen, mas a entidade informou que não poderia comentar. A federação internacional está lidando com cautela com o “football leaks'' por não saber a origem das informações, embora até agora nenhuma delas tenha sido questionada. O Doyen acusa o site de tentar uma extorsão, mas reconheceu a veracidade dos dados.
No total, o Doyen fechou negócios de € 18 milhões com o Santos. Além disso, fez dois empréstimos ao time que somaram € 1,8 milhão. A transação mais vultosa é a de Leandro Damião por € 12 milhões, mas no total foram seis atletas em parceria com o clube.
Outros casos de negociações de alto volume são os € 3,5 milhões pagos pelo Doyen em nome do Flamengo por Marcelo Cirino, e os € 4,5 milhões dados ao Atlético-PR por Douglas Coutinho. Ambos ainda não deram o retorno esperado porque não foram transferidos.
Pelos contratos, o Doyen sempre sai ganhando, seja vendido o atleta ou não. Há valores mínimos para os atletas serem negociados que sempre representam lucro para o grupo. Caso o contrato acabe e o time não ganhe nada com o atleta, o fundo tem direito ao valor inicialmente investido mais juros. No mundo inteiro, o Doyen já investiu € 86 milhões em jogadores, principalmente na Europa.
O vazamento ainda mostrou que os clubes deram garantias ao Doyen para o pagamento. O Santos forneceu seus contratos da Nike, de patrocínio e de licenciamento. O Flamengo deu como garantia o contrato de TV da Globo. Veja os valores investidos em cada atleta:
Felipe Anderson (Santos): € 2,5 milhões
Leandro Damião (Internacional – Santos): € 12 milhões – 80%
Lucas Limas (Santos): € 1,7 milhão – 35%
Jonathan Cafu (São Paulo): € 166 mil – 35%
Douglas Coutinho (Atlético-PR): € 4,5 milhões – 65%
Gabriel (Santos): € 1,150 milhões – 20%
Geuvânio (Santos): € 250 mil – 35%
Daniel Guedes (Santos): € 250 mil
Marcelo Cirino (Atlético-PR – Flamengo): € 3,5 milhões
'Aprendi a conhecer um mundo novo', diz Lais Souza dois anos após acidente
Há exatos dois anos, em 27 de janeiro de 2014, Lais Souza viveu o maior drama de sua vida. Um acidente sofrido enquanto esquiava em Park City (EUA) em sua preparação para os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi a deixou entre a vida e a morte. Após vários dias de luta, no hospital da Universidade de Utah, a ex-ginasta conseguiu superar este momento mais delicado, mas se deparou com uma outra situação muito complicada: ficou tetraplégica, sem qualquer movimento nos membros superiores e inferiores. Tudo por causa da lesão sofrida na vértebra C3, da coluna cervical.
Hoje, aos 27 anos de idade, Lais está sem os movimentos de pescoço para baixo e dependendo de uma equipe de apoio para conseguir fazer atividades básicas como comer, escovar os dentes ou tomar banho. Viver em uma cadeira de rodas já não é algo que a assuste tanto. Lidar com as dificuldades de seu cotidiano foi uma lição que teve de aprender, e vem tirando de letra, sem perder o bom humor e o sorriso no rosto.
"Estes dois anos passaram muito rápidos. Eu fiquei praticamente um ano todo no hospital, aceitando a minha situação física, me adaptando. Hoje, eu não posso ter meu momento Laís sozinha. Sempre vou precisar de alguém me ajudando. Mas ao longo de todo este tempo, consegui encontrar coisas que me deixassem feliz, que me surpreendessem. Aprendi a conhecer um mundo novo, o da cadeira de rodas. Tive contato com pessoas maravilhosas. Tem sido um aprendizado muito grande", afirmou a ex-ginasta em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.
Lais conversou por telefone com a reportagem no intervalo das várias sessões de fisioterapia e recuperação que faz na clínica Acreditando, no bairro da Saúde, Zona Sul de São Paulo. São atividades diárias, de manhã e tarde, de segunda à sexta. Um trabalho árduo em busca daquele que é o seu maior sonho: voltar a se movimentar, e quem sabe andar. Mesmo diante de todas as dificuldades, ela não perde a fé.
"Meu sonho, não tem como negar, seria ter meus movimentos de volta, me mexer, voltar a andar e ter uma vida normal. Mas com certeza eu sou muito feliz, estou procurando ir atrás do que é possível para mim. O que me faz feliz no momento é aproveitar cada momento. Não adianta pensar muito adiante", disse a ex-ginasta que tem no cuidador William Campi, um amigo e confidente. Ele é o responsável por acompanhá-lo para cima e para baixo, nas viagens entre Ribeirão Preto, sua cidade-natal, e São Paulo e, inclusive, atender seu telefone.
Veja abaixo trechos do que Lais Souza disse ao UOL Esporte, no qual ela contou também sua expectativa para carregar a tocha olímpica no revezamento antes dos Jogos do Rio.
Sem traumas pelo ocorrido e pelas lembranças do esqui
Graças a Deus, eu não guardo nenhum tipo de trauma com o que aconteceu. Não traumatizei de maneira alguma. Não tenho problema nenhum em ver imagens minhas quando estava treinando ou competindo de esqui, nem de quando estava nas competições de ginástica. Tenho poucos vídeos disso, mas encaro numa boa. Não me faz relembrá-los.
A evolução no estado clínico e a rotina do dia a dia
Eu venho melhorando fisicamente. Logo que sofri o acidente eu tinha muita febre, dores e isso não tenho mais hoje. Mas tenho de me preocupar bastante com a minha saúde. Perco musculatura muito rápido, tenho imunidade muito baixa e posso ficar doente facilmente. Preciso me cuidar bastante para não ter problemas. Quanto à minha alimentação hoje está tranquilo. Posso comer tudo. Meu estômago está mais sensível do que antes do acidente, então procuro comer devagar. Mas como de tudo, de carne à sopa. Gosto muito de estrogonofe.
A minha rotina é de fisioterapia e exercícios de reabilitação todos os dias. Nos fins de semana, quando eu tenho descanso, eu gosto muito de ir ao cinema, teatro, barzinho e ficar com meus amigos. Eu faço de tudo.
Mas é claro que não tenho uma vida normal. Enquanto eu não me movimentar, não vai ser normal. Tenho pessoas que me ajudam para fazer o que preciso, mas tudo é um pouco lento, seja quando tenho de entrar no carro ou tomar banho, por exemplo. Se antes tomava banho de uma hora, eu agora preciso de duas ou três, e sem regalias. É mais esta dificuldade que tenho. Preciso ter muita paciência.
Apesar disso tudo, eu continuo sendo muito vaidosa, sempre gosto de passar um rímel, estar bem vestida. Claro que a maquiagem não fica da mesma forma como se eu estivesse fazendo, mas as pessoas ao meu redor também estão aprendendo as coisas. Venho me adaptando.
Situação financeira para seguir com o tratamento
Hoje eu trabalho para conseguir me manter mensalmente, dando palestras, participando de alguns eventos. Dependo também da ajuda do governo, que chegou numa hora boa. (Laís recebe pensão vitalícia de R$ 4.390,24 apoiada no ano passado pelo Senado, que terá reajuste para R$ 5.189,82 a partir deste mês.Também tem apoio financeiro do Comitê Olímpico do Brasil e da Confederação Brasileira de Desportos na Neve).
Sempre tem gente que me procura querendo fazer doação, mas prefiro trabalhar do que receber estas doações, sabe? Tenho prazer de participar das coisas, não gosto de ficar parada, não me faz bem. Prefiro ser útil, participar das coisas.
Ajuda a pessoas com deficiência física e vítimas de acidentes
Graças a Deus, eu tive muita aprendizagem com tudo que aconteceu e hoje tem pessoas que me procuram para saber como é passar por esta situação, detalhes pequenos que só a mãe, o pai e próprio cadeirante vivem. Fico feliz de passar isso aos outros. Meu sonho é ajudar estas pessoas, fornecer uma estrutura. Quem sabe não monto uma clínica, um instituto no futuro. Depois que uma pessoa sofre acidente deste nível e acaba paraplégica ou tetraplégica, fica sem chão. Queria muito poder ajudá-las.
Preconceito por causa da situação física
Não enfrentei preconceitos após ficar tetraplégica. Sempre tem um infeliz que faz um comentário ou outro em rede social. Mas estas são pessoas mal-informadas, que não têm noção das dificuldades que passamos. Sempre recebi muito mais carinho do que uma manifestação contrária.
Vontade de formar uma família
Estou solteira agora, faz um tempinho. Mas claro que tenho o sonho e desejo de me casar, ter filhos, construir uma família, como qualquer outra pessoa.
Volta ao esporte
Já pensei no esporte paraolímpico. Já me chamaram para conhecer a bocha adaptada, é uma possibilidade que eu tenho. Pretendo ir ao Rio de Janeiro em breve onde tem um instituto com jogadores de bocha paraolímpica. Quero conhecer, e quem sabe jogar. Também gosto de jogar pôquer, que já conhecia antes de sofrer o acidente. Hoje, com tantos campeonatos, considero o pôquer também um esporte.
Participação no revezamento da tocha olímpica e os Jogos do Rio
Fui convidada pela Coca-Cola (patrocinadora olímpica) para carregar a tocha. Isso será em São Paulo, mas não tenho muitos detalhes. É tipo um sonho, sabe? A Olimpíada é muito grande, um evento que eu sou muito fã. Ter a oportunidade de fazer parte e levar a tocha, vejo como uma forma de carinho em relação a mim. Isso me enche de orgulho. Podia ter tantas outras pessoas no meu lugar, mas me escolheram. Sofri um acidente tive uma fase ruim. Por tudo que passei, vejo como um prêmio pela minha história.
Ainda não consigo imaginar muito bem como vai ser carregar a tocha. Vai ter bastante gente, bastante amigos me vendo, vai ser bacana trazer o espírito da Olimpíada. A minha imagem hoje passa isso, de superação. Espero conseguir demonstrar tudo isso nessa pequena caminhada.
Eu também quero ver às competições de ginástica no Rio, e quem sabe a abertura. Mas ainda não tenho ingressos, nem recebi nenhum tipo de convite.
Hingis/Mirza vence 35ª seguida e chega à final
Foto: Arquivo

Hingis e Mirza buscam terceiro Grand Slam juntas
Hingis e Mirza buscam terceiro Grand Slam juntas
Melbourne (Austrália) - Está impossível parar a dupla de Martina Hingis e Sania Mirza. As líderes no ranking feminino da modalidade chegaram nesta quarta-feira à marca de 35 vitórias consecutivas no circuito. De quebra, garantiram lugar na final do Australian Open, a terceira de um Grand Slam jogando juntas e buscam ampliar a conta que já tem os títulos de Wimbledon e US Open do ano passado.
A vaga na decisão foi obtida com vitória or 6/1 e 6/0 em apenas 52 minutos contra a alemã Julia Goerges e tcheca Karolina Pliskova. As adversárias da final serão as tchecas Andrea Hlavackova e Lucie Hradecka, cabeças 7 em Melbourne, que superaram a jovem dupla chinesa de Yi-Fan Xu e Saisai Zheng, com parciais de 3/6, 6/3 e 6/1.
A parceria entre Hingis e Mirza foi formada em março do ano passado, e logo de cara elas já venceram Indian Wells, Miami e Charleston. As duas já têm 11 títulos juntas, incluindo os últimos sete torneios que disputaram. A última derrota aconteceu no mês de agosto, pelo Premier de Cincinnati. Só em janeiro de 2016, a dupla 'Santina' já foi campeã em Sydney e Brisbane.
A suíça tem 52 títulos de duplas femininas, sendo 11 em Grand Slam e quatro na Austrália. A última conquista em Melbourne ocorreu em 2002, ao lado da russa Anna Kournikova. Ela também venceu em duplas em 1997, 1998 e 1999, anos em que também fez um tricampeonato de simples. Já Mirza tem 34 títulos na carreira profissional de duplas e seus dois Grand Slam vieram com a atual parceira.
Já as tchecas Hlavackova e Hradecka jogaram juntas entre 2011 e 2013, depois ficaram quase um ano separadas e retomaram a parceria no fim de 2014. Elas também possuem 11 torneios lado a lado, sendo dois Grand Slam (Roland Garros-2011 e US Open-2013) e também já foram finalistas em Wimbledon e nas Olimpíadas de 2012. Hlavackova acumula 15 títulos de duplas na carreira e Hradecka tem 18.
O jogo - O único momento de risco para Hingis e Mirza na rápida semifinal desta quinta-feira ocorreu ainda no terceiro game, quando a suíça fez duas duplas-faltas e precisou salvar break points. Depois disso, a partida seguiu em mão única. Nem mesmo o bom saque de Pliskova foi suficiente para equilibrar as ações, já que a habilidade da suíça junto à rede aliada ao pontente forehand da indiana se mostram uma combinação cada vez mais forte. Além disso, Hingis tem sido consistente também do fundo de quadra.
CBF notificará Fifa e Conmebol por realização da Primeira Liga
- Secretário Walter Feldman articula com depto. jurídico da CBF uma notificação à Fifa
Apesar do tom conciliador adotado em comunicados e declarações oficiais, a CBF levará o imbróglio com a Primeira Liga ao conhecimento de Fifa e Conmebol. Inicialmente, a Confederação diz apenas ter a intenção de se consultar com as entidades internacionais sobre a realização de tal torneio.
A ideia é ter um respaldo das duas entidades sobre o melhor jeito de proceder diante da iminente realização de um torneio que não foi considerado oficial.
Dirigentes da CBF confirmaram à reportagem que a ação, por enquanto, não tem intenção de punir os clubes, mas apenas resguardar a própria Confederação de problemas futuros.
"Queremos reforçar apenas a questão do diálogo. Repito: não queremos guerra ou punições. Ainda acho que existe saída. Porém, ao mesmo tempo, precisamos ter informações da Fifa e da Conmebol. Entraremos em contato com ambas as entidades, sim", explicou o secretário-geral da Confederação, Walter Feldman, rechaçando o título de torneio amistoso que a Liga tem utilizado.
"Chamar assim é ilusão. Não é real. Há uma contradição que ficou clara na reunião entre Gilvan [Tavares, presidente da Liga] e Rubens [Lopes, presidente da Ferj]. Estamos propondo a Copa em 2017 e amistosos em 2016. Não existe torneio amistoso neste ano com torneio, medalha, classificação, pontos. É algo irreal. Não é legal", completou o porta-voz da CBF.
Apesar de tentar manter o tom diplomático, a cúpula da CBF, juntamente com presidentes de federações que não apoiam a Liga, tentam intimidar os clubes participantes através do "recado" à Fifa e à Conmebol. Nos bastidores, a ideia é buscar apoio nas duas entidades internacionais para brecar a realização do campeonato em 2016.
A "guerra", porém, ainda não assusta tanto os clubes da Liga. Os principais líderes da competição reafirmaram nesta terça-feira que não vão recuar na ideia de disputar o torneio.
"Nós estamos amparados pela Lei Pelé, que garante nosso direito de jogar a competição. O estatuto [da CBF] é que é ilegal, pois contraria a Lei Pelé", disse o vice de futebol do Fluminense, Mário Bittencourt.
Em meio ao imbróglio que aumenta a cada dia, os times entram em campo nesta quarta e quinta-feira para a primeira rodada do campeonato ainda em caráter amistoso.
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
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