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terça-feira, 8 de setembro de 2015
Concorrência faz TV fechada valer mais do que a aberta no Paulistão
A concorrência fará com que o valor que será pago pelos direitos de transmissão do Campeonato Paulista seja maior em TV fechada do que na TV aberta.
O Esporte Interativo, que já “roubou” a Liga dos Campeões da Europa da ESPN, fez oferta à Federação Paulista de Futebol para ter a Série A-1 em TV fechada a partir de 2016.
Isso fez a Globo, que também transmite o torneio em seu canal fechado (SporTV) e no sistema pay-per-view, cobrir a oferta.
Os valores estão em discussão, mas estima-se que a quantia pelo direito de transmissão de TV fechada será quase 8% mais cara do que do que será pago na TV aberta, também pela Globo.
Como comparação, na fechada é quase três vezes mais do que pagava o contrato anterior.
A FPF diz que ainda negocia o acordo e o prazo de validade, e a Globo não se posicionou.
O mesmo deve acontecer, em breve, em outras federações que vão renovar acordo de televisionamento, como Rio, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Dérbi com cara de Dérbi
Nos últimos anos o Majestoso, entre Corinthians e São Paulo, tomou o lugar do Dérbi, porque o Palmeiras deixou de ser o protagonista que sempre fôra.
Mas depois do empate de ontem, somado ao 2 a 2 da semifinal do Paulistinha que classificou o Palmeiras em plena arena corintiana, o Dérbi mostrou-se revigorado e por pouco não repetiu o famoso clássico de Adãozinho, em 1971, que terminou 4 a 3 para o Alvinegro, depois que o Alviverde fez 2 a 0 e 3 a 2.
Só não aconteceu o repeteco porque Cássio, nos acréscimos, defendeu espetacularmente cabeçada de Leandro Almeida, depois de o Verdão ficar três vezes na frente.
O 3 a 3 teve tudo que um grande clássico precisa para entrar na história como inesquecível, felizmente sem erro de arbitragem, que sempre esquenta o jogo e o dia seguinte, mas que é dispensável, ainda mais no atual momento do Brasileiro.
O resultado, embora diminua de sete para cinco pontos a vantagem corintiana sobre o Galo, acabou melhor para os visitantes, não só por ter ficado sempre atrás no placar, mas também pelo jogo em si porque os anfitriões foram ligeiramente superiores.
Verdade que Fernando Prass fez duas senhoras defesas nos pés de Renato Augusto e de Christian, mas Cássio também fez outras duas, a última já mencionada, quando não haveria tempo para mais nada.
Era indisfarçável a decepção verde e a satisfação em preto e branco, mas o que deve ficar registrada é a alegria de quem vê futebol mais com a emoção do que com a busca das inevitáveis falhas que quase sempre antecedem um gol.
Quem procura chifre em cabeça de cavalo perguntará como a melhor defesa do torneio sofre três gols, dois de cabeça, de Robinho (1,70m) e de Dudu (1,67m), já que o primeiro gol palmeirense foi fruto da sorte de Lucas ao cruzar bola desviada em Guilherme Arana?
Ora, sofre porque o ótimo Lucas centrou como se fosse com a mão para Robinho e porque Zé Roberto pôs a bola com maestria na cabeça de Alecsandro que a desviou para Dudu marcar. Simples assim.
Menos simples foi o primeiro gol corintiano, quando Arana aproveitou-se da brilhante jogada de Malcom para enfiar a bola no único lugar que Prass não poderia defender.
É verdade que os dois outros gols alvinegros, de Amaral, contra, e de Vagner Love, nasceram também de bolas paradas, dos pés de Jadson. Mas Jadson não é especialista neste tipo de jogada? Não treina intensamente para aperfeiçoá-la? Então, qual é o pecado?
Pecado, é a Polícia Militar proibir o mosaico da torcida esmeraldina com a frase "Meu freguês", alusão às duas vitórias de vantagem que o Palmeiras tem sobre o rival, como se fosse incitação à violência. Bom humor só provoca riso e violência quem provoca é a própria PM ao tratar torcedores com truculência.
Jogaço
O Corinthians é um time cirúrgico, mas não merecia o gol de empate ontem à tarde no Allianz Parque. O Palmeiras já vencia por 3 x 2 no intervalo e começou o segundo tempo fazendo um arrastão.
O time de Tite provava do próprio veneno, tentando a saída de bola e devolvendo-a para a equipe de Marcelo Oliveira, postada estrategicamente para recuperá-la no campo de ataque.
Seria justo o Palmeiras definir o clássico com um gol até os quinze minutos da segunda etapa. Então, Robinho cansou, foi substituído por João Paulo –com Zé Roberto no meio-de-campo.
Lucas saiu para dar o bote errado e obrigou Leandro Almeida a fazer a falta em Rildo que resultou no gol de Vagner Love.
Incrível a sina do ex-artilheiro do amor, que hoje desperta ódio na arquibancada verde, por ter jogado mal no seu retorno ao clube em 2009 e por marcar o gol do segundo rebaixamento palmeirense, atuando pelo Flamengo, em 2012.
O clássico pode ser catalogado como o melhor jogo do campeonato e, apesar da superioridade do Palmeiras, teve uma atuação perfeita de Renato Augusto no primeiro tempo. O meia do Corinthians desestabilizou a marcação de Amaral, quase fez um gol de placa e outro que empataria o clássico no último lance antes do apito para o intervalo.
O Corinthians não perdoa. Se o adversário comete um erro, é gol do líder, o que torna mais provável o título ao final da campanha. O Palmeiras vacila. Contra o Goiás, desperdiçou chances e sofreu o gol num erro de marcação do lado direito da defesa. No clássico, sofreu dois de bola parada e pelo mesmo setor direito. Isso apesar das mudanças do lateral-direito e do zagueiro.
Do lado esquerdo, Vítor Hugo foi impecável. Não perdeu nem sequer uma jogada –nas bolas paradas, sua missão era impedir o cabeceio do também zagueiro Gil.
Jadson não teve grande atuação durante o confronto, mas cobrou as faltas do segundo e terceiro gols. Jogou pelos dois lados, ora marcando os avanços de Lucas para o garoto Malcom usar sua velocidade contra Zé Roberto. Ora duelando com o veterano lateral do Palmeiras.
Zé Roberto teve a chance de ouro, quando o placar ainda registrava 3 a 2 e a bola lhe chegou quicando, na marca do pênalti –chutou por cima da meta de Cássio. Justamente porque a bola quicou, a finalização errada é perdoável.
O clássico não foi das revelações. Gabriel Jesus teve lances de efeito, mas não brilhou. Arana foi brilhante no ataque e fez um golaço, mas sofreu muito na defesa.
O que restou do jogaço foi uma tabela limpa para o Corinthians, com jogos em casa contra Grêmio e Joinville. E futuro incerto para o Palmeiras, ultrapassado pelo Flamengo –de Oswaldo de Oliveira!– e com jogo duro contra o Inter no Beira Rio, com quatro importantes desfalques enquanto o rubro-negro recebe o embalado Cruzeiro de Mano.
GANSO BEM
A velocidade para puxar o contra-ataque na jogada do primeiro gol do São Paulo impressionou. O segundo tempo do meia foi ótimo e Osório definiu-o como fundamental. O São Paulo está em quarto, mas tem duas partidas difíceis na semana: Santos na Vila e Grêmio em Porto Alegre.
SEM NEYMAR
Antes da convocação, três jogadores disseram que um dos erros da Copa do Mundo foi não ter treinado o plano B: jogar sem Neymar. E que esse erro se repetiu com Dunga até a Copa América. Jogar sem ele, no sábado, não deu resultado. O Brasil jogou mal e ganhou com gol duvidoso.
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