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sábado, 20 de setembro de 2014
Médico vê UFC 'fechando o cerco' contra doping e diz que Spider precisa recuperar autoconfiança
O entrevistado desta edição do 'MMA Live Brasil' é o Doutor Márcio Tannure, diretor médico da Comissão Atlética Brasileira de MMA. Ele fala sobre as novas práticas que vem sendo adotadas pelo UFC contra o doping, analisa a polêmica decisão do árbitro Mario Yamasaki na luta do argentino Santiago Ponzinibbio contra Wendell Oliveira e ainda comenta sobre a a recuperação de Anderson Silva.
Uma carta para Aranha
Oi, Aranha. Tudo bem? Primeiramente queria te confessar que não te conhecia. Embora eu goste de futebol, vá ao estádio de vez em quando, acompanhe alguns programas esportivos, eu não sabia quem você era. Não sabia até o lamentável episódio envolvendo a torcida gremista, a torcedora do Grêmio que lhe chamou de macaco e todas as repercussões que houve. Desde então, tenho acompanhado mais atentamente você e sua luta, que sempre foi a minha, a luta pela eliminação do racismo. As declarações que você deu, após a violência da qual foi vítima, foram um alento à minha alma. Foram um tapa na cara do permanente mito da democracia racial brasileira. Um retumbante e contundente chega.
O posicionamento que você adotou, desde o primeiro momento, denunciando esta barbaridade, é um exemplo para toda a negritude brasileira. Você, diferente de tantos outros, não engoliu passivamente o racismo. Você se ergueu contra ele e mostrou que não devemos nos resignar, mesmo quando a sociedade, há tantos anos, vem nos dizendo o contrário.
Sabe Aranha, quando eu vi sua entrevista no Fantástico me lembrei dos meus tempos de escola. Lembrei de quando eu era uma criança e as professoras das séries iniciais sempre respondiam às minhas reclamações sobre o racismo, que era praticado contra mim, dizendo para eu deixar isso para lá. Que eu era superior aos coleguinhas e não deveria dar bola para isso. Os coleguinhas nunca eram repreendidos por debocharam do meu cabelo, por fazerem barulhos de símios quando eu passava, por perguntarem como eu conseguia ser tão preta. Nenhum coleguinha era reprendido por cantar músicas que me insultavam. Nenhum coleguinha era alertado sobre a minha suposta superioridade, que era utilizada pelas professoras para que eu não me revoltasse, para que eu voltasse quieta para minha cadeira. Afinal, tudo era brincadeira. Tudo era muito natural. E ser superior era sinônimo de aceitar todas essas dores calada.
Na minha família, sempre nos insurgimos contra o racismo. Foi na minha família que aprendi que se as professoras não faziam nada, eu é que deveria fazer. Mas, como eu era uma criança que ainda não tinha condições intelectuais de responder de forma mais racional a toda a violência racial que me cercava, adotei como estratégia ser turrona. Ser turrona incitou medo nas outras crianças, o medo fez com as agressões diminuíssem, a redução das agressões fizeram com que eu conseguisse ter uma vida escolar mais ou menos saudável. Desde muito cedo minha mãe carregava a mim e a minha irmã para as reuniões do movimento negro, nesses espaços aprendi a ter orgulho da identidade negra, da cultura afro, das minhas origens. O movimento negro e as coisas que vivíamos em casa forjaram em mim um permanente anseio por uma sociedade radicalmente diferente, livre de racismo, ausente de limitações impostas única e exclusivamente pela cor da pele.
Fiquei muito feliz também quando você se recusou o encontro com a torcedora que lhe insultou. Foi mais uma lição importante sobre como lidar com o racismo. Foi um importante aprendizado sobre o que significa perdoar. Perdoar não é igual a esquecer, perdoar não é igual a apagar os efeitos decorrentes da ação do agressor. Perdoar não significa estar disposto a apagar a dor. Porque doí, a gente sabe o quanto doí. Só nós negros sabemos o tamanho da dor que o preconceito racial acarreta na gente, uma dor que nunca passa. Uma dor que eu sinto com você, quando você é chamado de macaco, e uma dor que você sente com outro negro, quando ele é chamado de preto sujo, ou quando alguém atravessa a rua porque está na mesma calçada que a gente, ou quando alguém ri do nosso cabelo black power, ou nos olha com desprezo quando exibimos nossos turbantes. Por tudo isso Aranha, a sua negativa em abraçar a menina me encheu de alegria. Quando você se recusou ao papel que a mídia estava construindo para pôr uma pá de areia nessa história, você se recusou a abraçar a falácia da democracia racial. Você, mais uma vez, deu uma lição para a sociedade brasileira.
Hoje, dia 18 de setembro, foi o jogo posterior ao episódio de racismo do qual você foi vítima. Eu não esperava que nada de muito revolucionário fosse acontecer. Mas me enganei, você Aranha causou algo muito diferente, algo bastante revolucionário. Embora te cause dor, nos cause dor, você é um herói. As vaias que você recebeu hoje Aranha, são vaias que tentam silenciar a nossa luta. Mas você já provou que nem todas as vaias do mundo são capazes de nos calar. Essas vaias não têm força, nem grandeza para silenciar todos os negros e negras que lutam para que essas dores não sejam mais tão constantes. Não irão reduzir o exemplo que você está dando para milhões de jovens negros brasileiros, que também sonham com uma carreira no futebol e que, talvez, por exemplos menos dignos do que este que você está dando, pensam que para construir uma carreira tenhamos que aceitar o racismo nas quatro linhas e fora dela também. Não temos e não iremos mais aceitar. Vamos perder a paciência! Você pode ter sido vaiado pela torcida do Grêmio, mas queria que você soubesse que por mim, pela ancestralidade, pelas crianças negras que virão, por aquelas que já estão e por todos os lutadores e lutadoras anti-racista, você foi aplaudido de pé.
Saudações, daqui do sul do Brasil, do Rio Grande do Sul. Esse estado que tem um hino que fala de façanhas. As tuas façanhas Aranha, as façanhas de um homem negro, descendente de um povo que foi escravizado, de um povo que segundo esse mesmo hino foi escravizado porque não tinha virtudes, vão servir de exemplo para toda terra. Você que se nega redondamente ao silêncio que a sociedade racista quer lhe impor, quer impor à todos os negros e negras. As suas façanhas Aranha, assim como as façanhas dos nossos ancestrais, nos fazem livres, aguerrido e bravos.
Obrigada Aranha, obrigada por seus superpoderes. E nunca esqueça, com grandes poderes vem grandes responsabilidades. A sua é, por maior que seja a dor, continuar sendo uma voz permanente de denúncia e de luta contra o racismo. No futebol e fora dele.
Ergamos nossos punhos! Lutemos até o final contra o racismo!
*Winnie Bueno é estudante de Direito da UFPel e militante do Juntos! Negros e Negras
Estaria ele precisando de ajuda?
Sempre fui um dos maiores críticos do jogador Valdívia. Pelo que ele rende dentro de campo e o tempo que ele participa das partidas fica evidente um péssimo custo-benefício. Isso é fato. Mas tem o lado humano do cara, né? O que disse depois de ter pisado no jogador do Flamengo e ser expulso me deixou com a impressão que ele está precisando de alguma ajuda. Psicológica, talvez. Sei lá! Acho que está com problemas sérios e perdeu o rumo da carreira.
Vejam bem, eu me coloco na mesma situação porque era muito mais indisciplinado que o chileno e recebia muitos cartões amarelos e vermelhos. Ninguém me ajudou na época e tive que encerrar minha trajetória no futebol mais cedo. Com muito menos sucesso do que poderia ter tido. Que esse rapaz é bom de bola, isso é inegável. Mas em algum momento perdeu o foco.
Não acho que mereça punição do STJD. Nem punição por parte do Palmeiras. O que o Valdívia precisa é de ajuda. E estou falando isso de coração. Sem clubismos ou rancores.
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sexta-feira, 19 de setembro de 2014
2 Pontos Jogados Fora.
Peço licença a todos pra iniciar esse post relatando um pequeno drama pessoal. Ontem foi sinistro. Não transmitiram o jogo do Mengão pra BH e no hotel onde estou muquifado não tem Première FC. Pra completar, a internet da simpática estalagem é vascaína, ie, de segunda categoria. Tive que ver o jogo naquele estilo para um pouquinho, trava um pouquinho, desativa wi-fi, dá um chute no sofá e torce pra nada relevante ter acontecido enquanto ficava vendo aquela bolinha multicolorida girando, girando, girando sobre a imagem congelada do gramado da porcolândia. Sem sacanagem, parecia a saudosa Justin TV. Foi muito sofrido e me fez perder mais tempo cornetando a gambiarra que é a banda larga brasileira do que xingando Leo Moura. Pronto, acabei meu chororô, não vou mais importuna-los com as minhas desventuras pequeno-burguesas.
Clubismo à parte, acho que o Flamengo jogou dois pontos preciosos pela janela ao deixar que os porcos empatassem um jogo que poderíamos ter matado ainda na etapa regulamentar. Depois que metemos o segundo gol o parmera tava entregue, na mão do palhaço, era só dar um totozinho que iria à lona pra nunca mais levantar. Mas o Mengão tem vocação pro perrengue e deixou o morto-vivo se levantar da cova. Pela vacilação fomos severamente castigados. E o pior, o castigo foi tradicional, com gol de um renegado daqueles que a torcida não quer ver nem pintado de ouro.
Não lamento o resultado, afinal era um clássico fora de casa, mas o Flamengo ontem foi burro e a burrice tem mesmo que ser castigada. Excesso de defensivismo na escalação, falta de categoria do elenco e uma certa acomodação diante do desfigurado Palmeiras nos custaram a vitória e nos mantiveram na mediocridade da 10a posição. Precisamos voltar a melhorar, precisamos ousar um pouco mais se quisermos algo além desse chove-não-molha de meio da tabela. Mas sem psicopatia, amigos, esse Brasileiro tá muito melhor do que poderia estar sendo.
Ainda estamos na antessala do inferno, ou como diria um otimista, a dois passos do paraíso. Reparem que o Flamengo está a 8 pontos do G4 e a 7 da confusão rebaixativa. Como ninguém é de ninguém nessa suruba o melhor que se pode fazer nessas situações é manter a bunda firmemente encostada na parede pra desencorajar qualquer gracinha dozinimigo. Falando em bunda, domingo tem Fla-Flor e, que me perdoe a Lei Maria da Penha, teremos necessariamente que dar uma chacoalhada nas moças. Aos costumes.
Mengão Sempre
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Rubro-negro bem vestido, me ajuda a acabar com os perebas no time do Flamengo. Entra logo no sócio torcedor.
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quinta-feira, 18 de setembro de 2014
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