sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Site: Auxiliar de Dunga, Mauro Silva se esquiva sobre intermediar direitos de jogadores

DIVULGAÇÃO
Gilmar Rinaldo, Mauro Silva e Dunga em reunião da comissão técnica da CBF
Gilmar Rinaldo, Mauro Silva e Dunga em reunião da comissão técnica da CBF
Se Gilmar Rinaldi, ao assumir a coordenação geral de seleções da CBF, garantiu quedeixaria de agenciar jogadores, o mesmo não pode se dizer de Mauro Silva, por enquanto.
O ex-volante, convocado por Dunga para ser auxiliar técnico pontual da seleção brasileira, possui uma empresa, a Mauro Silva Sport & Business Plan, que entre várias atividades realiza intermediação de direitos federativos entre clubes e jogadores.
A descrição disponível no site oficial explica: "Direitos federativos são aqueles que devem ser negociados por ocasião da celebração do contrato do esportista. Geralmente, a transação é feita entre o clube e o atleta. Neste caso, tanto os clubes quanto os esportistas podem contar com os serviços de assessoria da ‘Mauro Silva Sport & Business Plan'".
A empresa também presta serviços de consultoria jurídica, fiscal e trabalhista para atletas; consultoria esportiva para clubes, federações e confederações; e consultoria de direitos publicitários.
Em entrevista ao portal UOL em 2008, Mauro Silva revelou que não imaginava atuar como empresário de jogadores: "Não tinha como ideia ser agente de jogadores, mas sim prestar consultoria aos clubes da Europa. Só que não fiquei restrito ao futebol. Com o network que conquistei na Espanha, migrei pra outras áreas. Em função da estabilidade da economia brasileira, foquei na parte imobiliária e virei sócio da incorporadora".
Nesta sexta-feira, em entrevista ao site R7, o volante campeão mundial com o Brasil em 1994 se esquivou quando questionado se não via conflito de interesse entre sua empresa e o novo cargo de auxiliar-técnico da seleção. "Por enquanto não tenho nada a dizer. Quando puder, vou falar sobre estes detalhes. Sempre atendi a todos sem problemas, gentilmente. Quando peço para não falar, gostaria de ser respeitado", falou.
Mauro Silva pede priorização do futebol e ataca: 'hoje a CBF é um brinquedo de meia dúzia, infelizmente'

Mancini admite receio de debandada no Botafogo: 'Tenho de temer'

FLICKR/BOTAFOGO
Vagner Mancini, técnico do Botafogo
Vagner Mancini, técnico do Botafogo, em entrevista no Engenhão: situação difícil
A grave financeira do Botafogo que atingiu em cheio os jogadores agora alarma, também, o técnico Vagner Mancini. Após o treinamento realizado nesta sexta-feira, no Engenhão, o comandante alvinegro admitiu que teme que alguns atletas deixem o clube devido à situação difícil.
De acordo com a própria faixa exibida pelos jogadores antes do clássico contra o Flamengo, no último domingo, o clube deve cinco meses de direitos de imagem, três de carteira de trabalho e não há depósito do FGTS. Segundo a lei trabalhista, qualquer atleta já poderia pedir a quebra unilateral de contrato sem que o Botafogo receba nada em troca.
"A diretoria não se posicionou (sobre a chance de perder jogadores), mas, sinceramente, tenho que temer. Não tenho como ficar alheio ao que está acontecendo, pois a situação é gravíssima. Espero que não aconteça porque, por trás disso, existe uma instituição e uma marca forte", disse Mancini.
O treinador, no entanto, sabe que a cada dia de atraso o panorama fica ainda mais complicado. Engessado por conta de execuções na Justiça, o Botafogo tem pouca perspectiva de sair do quadro difícil no momento.
"Mas tudo na vida tem um limite e não sabemos até quando ele vai. Nosso ambiente é maravilhoso, mas pode chegar um ponto em que vai ficar mais difícil. Mesmo assim, é importante saberem que a equipe está se empenhando ao máximo", completou o técnico.


No treinamento desta sexta-feira, que contou com viatura policial na porta do Engenhão, o atacante Emerson foi poupado, mas não deve ser problema para encarar o líder Cruzeiro, às 18h30, neste sábado, no Maracanã. Airton, suspenso, não joga. Edilson deve ser deslocado para o meio com Lucas ocupando a lateral direita.

Sistema de registros da CBF tem pelo menos duas falhas por semana

GAZETA PRESS
José Maria Marin e Marco Polo Del Nero durante coletiva
José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, presidente e vice da CBF 
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem tentado resolver o caos que se instalou dentro do Departamento de Registros, depois de seguidos erros que atrapalharam o andamento dos seus campeonatos. No início desta semana, a presidência demitiu o então diretor do setor, Luiz Gustavo Vieira, como parte da reformulação que vai fazer. A gota d'água foi a confusão com a Copa Verde, que foi parar mais uma vez no STJD.
Para se ter uma ideia, o sistema que dava conta de registrar as transferências de clubes e os novos contratos de jogadores tinha pelo menos duas falhas por semana, segundo uma pessoa que fez parte do desenvolvimento do programa que segue sendo utilizado pela entidade. Entre os problemas detectados para o Boletim Informativo Diário, o BID, tinham documentos sem assinatura, cláusulas que se perdiam, além de erros de informática mesmo. É a CBF quem dá condição de jogo para os atletas.
A grande questão é que, na parte manual, o departamento não dava conta de checar toda a papelada que recebia, deixando passar boa parte dos equívocos. Cerca de 90 mil transações aconteciam por ano, de acordo com os responsáveis pelas operações.
"Não há dúvidas de que o sistema é ultrapassado. Todos lá sabem disso. E a nova gestão já estava tentando mudar isso. Só que também tem de olhar por um outro lado: há sete anos, tudo isso era feito pelos Correios, mandando os contratos por cartas. Era muito pior. O programa ajudou nesse desenvolvimento, agilizou os processos. Mas eu reconheço que ele é ultrapassado e tem falhas que acabaram atrapalhando os campeonatos", afirmou um dos responsáveis pelo programa, em contato com oESPN.com.br, e que pediu para não ter seu nome divulgado.
"Se você pensar em duas falhas por semana, dentro de mais 90 mil transações, é um número baixo. Considerando só o número, claro. Mas óbvio, alguns atrapalharam muito e é por isso que precisa mudar muita coisa", completou. 
Essa pessoa ainda explicou que houve uma mudança bastante grande entre a gestão de Ricardo Teixeira e de José Maria Marin. Na anterior, havia uma resolução da presidência que dizia que a responsabilidade dos erros desse tipo era da federação local. Na nova administração, no entanto, a resolução é outra: a culpa das falhas é assumida pela própria entidade. Na prática, o que mudou é que a atual diretoria passou a saber que deveria ter mais cuidado com os registros, ainda que isso não tenho sido feito.


Cerca de 8 mil clubes acessam esse programa, conhecido como Sistema de Gerenciamento de Dados, além das federações. Antes de essa pessoa ligada ao desenvolvimento do programa assumir que há problemas, um auditor do STJD também afirmou que a ferramenta da CBF é insegura e gera problemas graves para os campeonatos.

Após erros seguidos, CBF demite diretor de registros

GETTY
Marco Polo del nero, vice-presidente da CBF, garantiu criação de código de ética
Marco Polo del nero, vice-presidente da CBF, deu início às mudanças
Depois de diversos erros do seu departamento de registros, a CBF resolveu demitir o diretor do setor, Luiz Gustavo Vieira. A decisão foi tomada no início desta semana, especialmente por causa de uma série de problemas envolvendo o Boletim Informativo Diário (BID), que mostra a condição dos jogadores para participarem dos campeonatos.
O mais recente episódio resultou na confusão da Copa Verde. Depois de vencer o título em campo, o Brasília foi punido no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, e o Paysandu é, pelo menos temporariamente, o novo campeão do torneio e também o dono da vaga para a Copa Sul-Americana. Ainda haverá o julgamento do Pleno.
Segundo a assessoria de imprensa da CBF, já há um interino: Reynaldo Buzzoni, que era o responsável pelo programa de transferências internacionais de atletas. A equipe de comunicação, no entanto, não fala sobre o assunto, se houve ou não demissão, e trata o o tema como apenas uma troca de comando. 
Luiz Gustavo chegou para trabalhar com o futebol brasileiro junto com o ex-presidente Ricardo Teixeira, em 1989. Nos últimos meses, no entanto, a situação começou a ficar mais crítica no setor. OESPN.com.br revelou na última semana o caos que se instalou ali.
Além do caso da Portuguesa, que não envolvia sua área diretamente mas também gerou desgaste, houve o episódio com o Icasa e o Figueirense, no qual foi constatado um problema no BID, de responsabilidade da CBF. A denúncia, no entanto, não foi aceita pela procuradoria-geral do STJD, pois o prazo já havia prescrito - se fosse, teria mudado o resultado final da Série B do ano passado. 


Por conta disso, no início do ano, no dia da sua eleição, Marco Polo Del Nero, atual vice e futuro presidente da entidade, admitiu que o departamento estava cheio de problemas e prometeu mudanças.

Diretor do Corinthians se irrita com denúncia: 'STJD adora aparecer'

GAZETA PRESS
Ronaldo Ximenes comentou sobre a decisão do STJD referente ao clássico
Ronaldo Ximenes comentou sobre a decisão do STJD referente ao clássico
O diretor de futebol do Corinthians, Ronaldo Ximenes, estava sorridente ao anunciar a renovação de contrato do zagueiro Gil até 2018. Questionado sobre a possibilidade de punição do clube pela quebra de cadeiras no setor de visitantes do estádio de Itaquera, no clássico do último domingo, mudou o semblante.
"O STJD adora aparecer. E vai aparecer em cima dos grandes, do Corinthians, do maior clube do Brasil. O Corinthians dá Ibope", afirmou o dirigente. "Se o STJD levar isso a sério, será motivo de parar nos órgãos que regulam a disciplina. Se o Corinthians for prejudicado, será motivo de ainda mais descrédito."
No clássico do último final de semana, 258 cadeiras foram quebradas na parte do estádio onde ficaram os torcedores do Palmeiras. Alguns chegaram a publicar as imagens em redes sociais, cientes de que o clube alviverde seria cobrado. "Põe na conta do Nobre", escreveram, referindo-se ao presidente Paulo Nobre.
Os dois times envolvidos no dérbi foram denunciados no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que fala em "deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir desordens". Em caso de punição no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, a pena pode chegar à perda de dez mandos de campo.


"Eu espero e ainda acredito no bom-senso", disse Ximenes, chamando os homens que quebraram as cadeiras de "delinquentes, marginais que frequentam estádio de futebol". "Ainda acredito. Que o STJD possa fazer a análise mais correta e justa e não jogue a responsabilidade em cima do Corinthians. O Corinthians não é culpado."

Fã de brasileiros, técnico do Shakhtar detona jogadores e Flu: 'Falta profissionalismo. Toda Europa reclama'

DENNIS GROMBKOWSKI/BONGARTS/GETTY IMAGES
Mircea Lucescu não poupou palavras para criticar profissionalismo de atletas e clubes do Brasil
Mircea Lucescu não poupou palavras para criticar profissionalismo de atletas e clubes do Brasil
O romeno Mircea Lucescu, técnico do Shakhtar Donetsk, nunca escondeu sua admiração pelos jogadores brasileiros, mas sua paciência parece ter se esgotado. Em entrevista ao site oficial do clube ucraniano, o treinador disparou contra o profissionalismo dos atletas do país e fez duras críticas ao Fluminense, que tenta repatriar o Wellington Nem.
"Afinal de contas, não existe só o talento, mas também os critérios morais pelos quais se avaliam as pessoas. Os treinadores fazem frequentemente críticas dirigidas aos jogadores brasileiros. Dizem que é difícil manter mais do que dois na mesma equipe. Não é nada fácil trabalhar com eles", disse o treinador, subindo o tom contra Bernard e Nem.
"O mesmo é válido para o Bernard: chegou um mês e meio atrasado depois da assinatura do contrato. Mas nós o entendemos: ele é jovem. Mas agora está de novo atrasado, eu lhe dei duas semanas para descansar depois da Copa, do mesmo jeito que dei ao Srna. Ele deveria ter vindo duas semanas depois, supostamente, no dia 27, 28 no máximo, e ele ainda não veio."
"O mesmo com o Nem. Dizem que o Fluminense quer ficar com ele. Mas foi o Fluminense que nos apresentou o Nem quando ele estava tendo problemas na virilha fazia 8 meses e não nos disseram nada sobre isso. E agora querem pegar ele de volta como agente livre. No ano passado nós pagamos um bom dinheiro pelo passe dele e o próprio Nem assinou um bom contrato para si. E acabou não jogando nunca, esteve sempre lesionado. Para falar a verdade, eu nem sei direito o nível de suas capacidades!", seguiu, sobre Wellington Nem.
GETTY
Nem trocou o Flu pelo Shakhtar por R$ 25 milhões
Nem trocou o Flu pelo Shakhtar por R$ 25 milhões
"E agora eles querem ele de volta, livre, e exercem pressão sobre o jogador para que ele fique no Fluminense. Desse jeito apenas complicam a situação para ele: a relação com a equipe técnica e os colegas de equipe. A impressão que dá é que nos tomam por tolos. Nos venderam o jogador e agora criam pressão para que, passado um ano, esse mesmo jogador regresse como agente livre! A mim não me surpreende o comportamento de alguns jogadores, quando a própria liderança do seu clube se comporta desse jeito! Enviam jogadores talentosos para a Europa sem se preocuparem com a educação de seu relacionamento profissional. Nem com as obrigações ditadas pelo contrato que eles próprios assinaram. No que diz respeito a isso eu me sinto, evidentemente, muito insatisfeito", encerrou.
Leia abaixo, na íntegra, a entrevista de Lucescu:
É difícil trabalhar com os brasileiros? 
É muito difícil trabalhar com eles. Eu gosto muito deles e aprecio demais o futebol brasileiro. Mas o seu profissionalismo deixa a desejar. Quando se assina um contrato, eles precisam entender que esse contrato deve ser respeitado. O Shakhtar subiu para um nível que não pode ter jogadores pouco profissionais. Porque do Shakhtar se exige unicamente que melhore os resultados. E eu chamo a atenção dos agentes dos nossos brasileiros que não é correto conspirarem para levar daqui os jogadores. Eles trabalham contra os seus jogadores! Os agentes, infelizmente, pensam em primeiro lugar em seus interesses profissionais e não pensam no fato de os brasileiros não serem só atletas, mas também seres humanos. Apenas seres humanos! Ao fazerem pressão sobre os jogadores, eles afetam as suas vidas e a vida de suas famílias. Afinal de contas, não existe só o talento, mas também os critérios morais pelos quais se avaliam as pessoas. Os treinadores fazem frequentemente críticas dirigidas aos jogadores brasileiros. Dizem que é difícil manter mais do que dois na mesma equipe. Não é nada fácil trabalhar com eles. Eles são tão talentosos, quanto confiantes em seus instintos para tomar decisões. E acabam tomando muitas vezes decisões sem pensar. Por isso é que nós, os que convivem com eles, temos a obrigação de ajudá-los a se comportarem profissionalmente.
FRANCK FIFE/AFP/GETTY IMAGES
Luiz Adriano foi um dos elogiados por Lucescu
Luiz Adriano foi um dos elogiados por Lucescu
Está dizendo que todos os clubes têm problemas com os jogadores brasileiros? 
Toda a Europa se queixa. Até mesmo o (Daniel) Alves, do Barcelona, disse certa vez que não conseguia fazer como o resto dos brasileiros, sair do clube sempre com algum conflito. "Eu respeito o meu clube, o contrato que assinei, respeito todo mundo em volta", foram as palavras de Alves. Muitas coisas são simplesmente inexplicáveis. Eles não têm, infelizmente, este tipo de educação: cumprir os seus contratos e executar as funções que lhes são designadas. Mas há exceções. Muito depende dos agentes. Do agente de Luiz Adriano, por exemplo, só posso dizer coisas boas. Mas tem pessoas que não têm princípios de vida e que apenas exploram os seus protegidos. Eu não estou falando apenas e especificamente dos nossos jogadores brasileiros, mas no geral, dos jogadores brasileiros que atuam na Europa. Tivemos alguns problemas com Matuzalém e com Elano. Mas nunca com Fernandinho, Jadson ou Brandão. Sim, nós gostamos muito deles, estamos junto deles, mas, do mesmo jeito que a gente cumpre os contratos assinados com eles, eles devem cumprir as condições com as quais assinaram o seu nome.
Isso vale também para Bernard? 
O mesmo é válido para o Bernard: ele chegou um mês e meio atrasado depois da assinatura do contrato. Mas nós o entendemos: ele é jovem. Mas agora está de novo atrasado, eu lhe dei duas semanas para descansar depois da Copa, do mesmo jeito que dei ao Srna. Ele deveria ter vindo duas semanas depois, supostamente, no dia 27, 28 no máximo, e ele ainda não veio. O mesmo com o Nem. Dizem que o Fluminense quer ficar com ele. Mas foi o Fluminense que nos apresentou o Nem quando ele estava tendo problemas na virilha fazia 8 meses e não nos disseram nada sobre isso. E agora querem pegar ele de volta como agente livre. No ano passado nós pagamos um bom dinheiro pelo passe dele e o próprio Nem assinou um bom contrato para si. E acabou não jogando nunca, esteve sempre lesionado. Para falar a verdade, eu nem sei direito o seu nível de suas capacidades! 
FLUMINENSE F.C.
Wellington Nem, à direita, entra em campo acompanhado de Fred e Bruno, de costas
Lucescu detonou comportamento do Flu com Nem
E agora eles querem ele de volta, livre, e exercem pressão sobre o jogador para que ele fique no Fluminense. Desse jeito apenas complicam a situação para ele: a relação com a equipe técnica e os colegas de equipe. A impressão que dá é que nos tomam por tolos. Nos venderam o jogador e agora criam pressão para que, passado um ano, esse mesmo jogador regresse como agente livre! A mim não me surpreende o comportamento de alguns jogadores, quando a própria liderança do seu clube se comporta desse jeito! Enviam jogadores talentosos para a Europa sem se preocuparem com a educação de seu relacionamento profissional. Nem com as obrigações ditadas pelo contrato que eles próprios assinaram. No que diz respeito a isso eu me sinto, evidentemente, muito insatisfeito. Ainda mais, porque amo demais os brasileiros e dou grande valor ao talento deles. No entanto, eles estão cercados por pessoas que não têm perfil elevado. Por isso eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para manter o nosso grupo. E vou tentar chegar até eles: afinal, todos estes anos que eles passaram no Shakhtar só lhes fizeram bem.
Como pretende convencê-los? 
Não nos esqueçamos como eles eram quando chegaram aqui. Douglas e Teixeira tinham 18 e 19 anos. Os outros - o Fernandinho e o Jadson... Onde estão eles agora, a que nível subiram. Garantiram para eles e seus familiares uma vida futura. Eu quero que eles entendam isso muito bem. Quero que eles não esqueçam que, além de direitos, eles têm também muitas responsabilidades. Isso é mais para os jogadores mais jovens, que são influenciáveis e que, sem conhecerem a situação, sem compreenderem muitas coisas, agem por instinto. Como treinador, eu fui colocado em uma situação difícil. Muitos dos que nos deixaram estavam praticamente apresentados a outros clubes europeus! Eles são jogadores de alto nível. Têm provavelmente um bom futuro pela frente. Mas aqueles que precisam destes jogadores devem abordar o clube civilizadamente e resolver corretamente todas as questões. A imprensa europeia escreve diariamente sobre um ou outro jogador. Eles são jovens, leem isso... Por isso gostaria que eles se sentissem em um ambiente mais calmo. Mas, pessoalmente, para mim vai ser muito difícil encontrar uma linguagem comum com os agentes que se aproveitam da situação e fazem pressão sobre os nossos jogadores.
GETTY
No atual elenco, Shakhtar Donetsk conta com 12 brasileiros
No atual elenco, Shakhtar conta com 12 brasileiros. Na foto, Douglas Costa e Alex Teixeira
Se algum jogador que tivesse saído 'à revelia' de um outro clube quisesse vir jogar para o senhor, você o aceitaria? Nunca! Eu não teria nunca confiança nesse jogador. Do mesmo jeito que os presidentes dos grandes clubes não vão nunca prestar atenção nesse tipo de jogadores e aos agentes que tentam levar os jogadores.


Mas, então, com o que contam eles? Que garantias lhes dão os treinadores que os prometem encaixar? Isso não é sequer tema de discussão porque os jogadores têm contratos, têm um preço de transferência. Ainda mais porque alguns deles apenas renovaram os contratos no ano passado, com um aumento em seus salários e assim por diante.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Copa do Brasil

21h00



2 CTB Coritiba X Paysandu PAY 0

Copa do Brasil

21h00


2 LEC Londrina-PR X Santos SAN 1

Amistosos

21h00


0 CHV Chivas X Bayern de Munique MUN 1

Metrô depois da meia-noite: Globo não é a vilã, ela paga aos clubes, que assinaram o contrato

Não faço parte dos que demonizam a Rede Globo pelos jogos de futebol às 22 horas. É comum no mundo inteiro competições esportivas serem disputadas em dias e horários até então incomuns por causa das emissoras de televisão.
A TV abarrota os cofres dos grandes clubes de futebol pelo mundo. Na Espanha a bola já rolou à meia-noite. Nos anos 1980 os ingleses, que historicamente tinham jogos aos sábados, já assistiam partidas ao vivo na telinha nas noites de segunda-feira.
REPRODUÇÃO/ESPN
Sem metrô depois de 0h19, corintianos saem durante o jogo contra o Bahia
Com metrô até 0h19, corintianos saíram durante jogo contra o Bahia: tarde demais
No mesmo dia da semana, nos Estados Unidos, o Monday Night Football se consagrou com partidas de futebol americano acompanhadas de costa a costa, e também aqui no Brasil, pela ESPN. E os estádios ficam lotados, como sempre na NFL.
Se os clubes aceitaram receber determinada quantia, que cresceu muito nos últimos anos, ao contrário da audiência, que caiu, significa que pensaram na grana e não na volta do torcedor para casa. A TV paga por isso, para adequar o jogo à grade.
Shows nos estádios em geral invadem a madrugada. Cabe a quem detém a concessão de transportes públicos, seja o Estado ou empresas, atender à demanda. O cidadão tem o direito de usar metrô, trem, ônibus, não só para o trabalho. Para o lazer também.
Estender o funcionamento por mais 30 minutos provoca custo, mas também gera receita. Caso 25 mil pessoas saiam de um estádio e embarquem no trem ou metrô, mais R$ 75 mil serão arrecadados em meia hora. Fora o que torcedores pagaram na ida.
É evidente que existe um forte viés político em ano eleitoral na decisão tomada em São Paulo, com os trilhos sendo utilizados até 0h30 quando pelejas ocorrerem às 22 horas. Mas independente disso, o torcedor/cidadão tem o seu direito.
Se achamos que futebol às 22 horas é inadequado, cobremos dos dirigentes, para que questionem a Rede Globo. Ela, por sua vez, poderá oferecer menos dinheiro se não mais puder transmitir os cotejos no horário que lhe convém.
O horário da novela é valioso demais e responsável por audiências médias muito superiores às do futebol. Obviamente o interesse da emissora que detém os direitos dos campeonatos é conciliar as diferentes atrações.
Mas não esqueçamos que na última grande negociação havia o interesse da Rede Record, que em tese seria mais flexível quanto ao horário das partidas nas noites de quarta-feira. Os clubes fecharam com a Globo. Quem é o vilão?
GETTY IMAGES
Metrô lotado na Estação Sé, em São Paulo: movimento cresce com jogos de futebol
Metrô lotado na Estação Sé, em São Paulo: movimento que cresce com jogos de futebol