domingo, 23 de junho de 2013

Diário das Confederações - A Espanha nos ensina a tocar a bola, o Taiti nos ensina a tocar a vida



Thiago Arantes/ESPN.com.br
Ao fundo, o céu e o mar: à frente, a corrida dos jogadores do Taiti
Ao fundo, o céu e o mar: à frente, a corrida dos jogadores do Taiti

Eram 30 homens de vermelho atravessando a rua em direção à praia. O povo olhava com estranheza, meio surpreso, curioso, assustado. Mas não era só o povo que estava meio surpreso, curioso, assustado.
Eram 30 homens vivendo o sonho de uma vida. Uma vida que é modesta, mas está longe, bem longe de ser ruim. Eles moram no paraíso, têm empregos humildes, alguns nem tem emprego, mas não param de sorrir. É um conto improvável, um time de amadores chamando atenção no país do esporte que eles ainda aprendem a jogar.
Eram 30 sorrisos em rostos que se parecem, e nem precisavam ter rostos, porque não são apenas eles que estão ali, é um país inteiro de pescadores, entregadores, alpinistas e sonhadores. Um país que, a rigor, nem é país, mas que ontem fazia seus mais famosos representantes se orgulharem, era o maior país de todos.
Era apenas uma praia, um treino de futebol, um técnico, comissão técnica, dirigentes e seus jogadores. Algo simples, corriqueiro, outro dia tem mais.
Não, não era. Porque aqueles 30 homens jamais estarão ali novamente. Afinal, um homem jamais entra num rio duas vezes, porque não é mais o mesmo rio, nem o mesmo homem.
30 homens não entram para a história duas vezes, porque não será a mesma história. E os taitianos, que mudaram a história do futebol, nunca mais serão os mesmos.

Fred brilha, Neymar foi vital sem ser genial, Hernanes melhora saída de bola. Brasil bem. E a Itália gostou

Fred tocou na bola nove vezes na vitória sobre o México. Em três delas deu passes errados. Contra os japoneses foram 15, sendo quatro equivocados. Ou seja, 17 passes certos em dois jogos. Nos 4 a 2 sobre a Itália, o centroavante do Fluminense tocou na pelota em 20 oportunidades e em todas ela chegou aos pés de seus companheiros ou foi para as redes inimigas.
Mesmo que não tivesse feito os dois gols e participado de outro, o camisa 9 teria feito sua melhor atuação na Copa das Confederações. Nele, em Neymar (para variar) e nos equívocos da equipe de arbitragem o Brasil calçou sua terceira vitória em três pelejas pela Copa das Confederações. Que foi merecida, independentemente do apito. O novo atacante do Barcelona manteve o nível de suas atuações anteriores. O camisa 9, enfim, se destacou.
Mas é claro que não há como ignorar os erros do apito e do bandeira nos 90 minutos em Salvador. Um exemplo do que poderá acontecer em 2014 com a Copa do Mundo no Brasil. Times da casa costumam ser beneficados, como a Coréia do Sul em 2002, quando eliminou espanhóis e italianos graças a enormes falhas dos apitadores. Com uma camisa pesada e tradicional como a do Brasil, isso será ainda mais fácil de acontecer no Mundial de 2014.

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Fonte: Footstats
Rashvan Irmatov, do Uzbequistão, é árbitro experiente, mas teve uma atuação fraca e comprometida por um de seus auxiliares, Bakhadyr Kochkarov, do Quirguistão. No primeiro gol brasileiro o assistente não observou impedimento de Dante após a cabeçada de Fred. Em lance de bola parada, esse tipo de erro é inaceitável. Já o apitador uzquebe enxergou falta em lance normal "cavado" por Neymar. A partir da equivocada marcação nas imediações da área italiana, o camisa 10 fez bela cobrança no segundo tento "canarinho". Um belo gol em cima de Buffon!!!!!
Além da participação de Fred em três gols (dois dele e um marcado após cabeçada do camisa 9), o Brasil apresentou novidades positivas. Como Hernanes, substituto de Paulinho e muito mais participativo na saída de bola e na construção das jogadas do que o corintiano. O meia da Lazio deu 45 passes, 43 certos, número próximo do registrado pelo titular diante do Japão, mas a maioria no campo de defesa. O ex-são-paulino apareceu mais para começar os trabalhos com Luiz Gustavo e os quatro defensores.
E os pontos negativos do time "scolariano"? Para variar, foi preciso que Neymar tirasse coelhos da cartola. Mais uma vez ele apareceu com gol e participação no primeiro, que surgiu após cobrança de falta do camisa 10. Outro problema, o time pouco criava até marcar dois gols pelo chamado "Muricybol", ou seja, houve certa dependência da bola parada, já que antes dos dois primeiros gols, a partir de faltas, não foram tantas oportunidades criadas.
E Marcelo, que foi muitíssimo bem no lance do quarto gol, de Fred, chutando para o rebote de Buffon, voltou a errar lá atrás. O lateral-esquerdo do Real Madrid precisa evoluir defensivamente para se transformar num excepcional jogador da posição. Falta a ele um "quê" de Roberto Carlos. Mas o time brasileiro marcou bem, mais uma vez, a saída de bola adversária, no começo do cotejo e no final. Assim nasceu o quarto gol.
Mais uma vez decisivo (chega a ser redundante) Neymar participou menos, com 17 passes (foram 32 diante do México) e exagerou nas faltas, fez seis, mais do que qualquer outro jogador na partida. Ele segue com o vício das "cavadas" (entre faltas reais e "à brasileira" acumulou oito sofridas) e levou vantagem com a arbitragem uzbeque. Mas esse vício pode levá-lo a se dar mal. Contudo, é inegável que ele tenta participar mais do jogo, marcar, e também por isso comete mais infrações. Só não precisa exagerar, como no lance em que tirou Abate do jogo. Imagine se fosse ao contrário. "Neymarzetes" de ambos os sexos e de todas as idades estariam irados(as).
No final, brasileiros e italianos saíram satisfeitos. Os europeus por terem encarado o anfitrião do certame mesmo com desfalques seríssimos (Pirlo e De Rossi) e quase terem empatado quando Maggio cabeceou no travessão e o placar apontava Brasil 3 a 2. Os brasileiros por terem vencido o terceiro jogo na melhor atuação do time de Felipão na Copa das Confederações. Resta saber se o técnico será capaz de observar bem os problemas que seu time apresentou, apesar do triunfo. Afinal, esse foi o melhor teste para sua equipe até aqui. Quais as lições dele tiradas?
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Neymar tomou um cartão amarelo neste sábado: muitas faltas cavadas e cometidas
Neymar tomou um cartão amarelo neste sábado: muitas faltas cavadas e cometidas na vitória sobre a Itália

sábado, 22 de junho de 2013

Argentino

16h15 Estudiantes 1x1 Belgrano
19h00 Tigre 2x3 Quilmes
20h15 Colón 1x1 Independiente

Copa das Confederações



16h00 Japão 1x2 México
16h00 Itália 2x4 Brasil

Azarenka espera fazer primeira final em Londres

Londres (Inglaterra) - Bicampeã do Australian Open, Victoria Azarenka ainda não fez uma final de Wimbledon. A bielorrussa parou nas semifinais nas duas últimas edições e reconhece que o próximo passo é bastante complicado.
"Acho que é um grande desafio dar esse passo a mais. Eu perdi nos dois últimos anos para a campeã em partidas disputadas", lembrou Azarenka. Em 2011, a bielorrussa parou em Petra Kvitova. Serena Williams foi seu algoz no ano seguinte.
Semifinalista em Roland Garros, Azarenka não jogou torneios preparatórios na grama. "As coisas estão indo bem. Estou aqui desde sábado. Nunca se sabe até você jogar a primeira partida, então estou ansiosa para isso". Sua adversária será a portuguesa Maria João Koehler.
Azarenka explicou as diferenças entre os pisos e a dificuldade que alguns jogadores têm na grama. "O movimento na quadra é totalmente diferente. Você não desliza aqui. Os pontos são mais curtos, então você precisa fazer ajustes táticos e aceitar a grama como ela é e ser agressiva".
A número 2 do mundo espera não ficar no meio do caminho desta vez. "É importante aproveitar suas chances, mas, antes de tudo, chegar às rodadas finais".

Sharapova alfineta Serena ao falar de namorados

Londres (Inglaterra) - Maria Sharapova é uma das principais candidatas ao título de Wimbledon, mas sua entrevista coletiva neste sábado foi marcada pela 'bronca' que a russa deu em Serena Williams. A norte-americana deu uma entrevista à revista Rolling Stone, publicada nesta semana, criticando uma jogadora do top 5 e seu namorado. Sharapova não perdoou e devolveu o 'elogio'.
Na Rolling Stone, Serena disse: "Ela começa toda entrevista com 'estou tão feliz, sou tão sortuda'. É um tédio. Ela ainda não será convidada para as festas mais legais. Se ela quiser namorar uma pessoa que tem o coração negro, que namore". Embora Serena não tenha dito de quem se tratava, o autor da matéria indicou que seria Sharapova, namorada de Grigor Dimitrov.
A resposta da russa foi bem contundente: "Obviamente, tenho muito respeito por Serena e pelo que ela conquistou em quadra. Mas se ela quiser falar sobre coisas pessoais, talvez deveria falar sobre o relacionamento dela com seu namorado (o treinador Patrick Mouratoglou), que era casado, está se divorciando e tem filhos".
"Sei que todo mundo quer criar rivalidades em todas as áreas. Só acho que ela deveria falar sobre os feitos dela, ao invés das outras coisas que chamam atenção e são polêmicas", completou Sharapova. A russa e Serena se enfrentaram recentemente na final de Roland Garros, com vitória da número 1.

Copa do Mundo sub-20

12h - México 1x2 Grécia
12 h   Colôbia  1x1 Austraria 
15 h    Turquia     1x1  Elsalvador
15  h    Paraquai   3x0   Mali

Vesnina fica com título no Premier de Eastbourne

Eastbourne (Inglaterra) - Em um torneio com diversas top 20, o título do Premier de Eastbourne acabou nas mãos da russa Elena Vesnina. A número 36 do ranking derrotou a qualifier norte-americana Jamie Hampton por 6/2 e 6/1 na decisão e conquistou o segundo título de simples de sua carreira.
Vesnina começou a temporada com o troféu em Hobart, mas depois não teve campanhas muito boas em simples até esta semana. No entanto, nas duplas, a russa está entre as melhores do mundo ao lado da parceria Ekaterina Makarova. As compatriotas venceram Indian Wells e Roland Garros em 2013.
Na primeira rodada em Eastbourne, Vesnina precisou virar contra a sérvia Ana Ivanovic. A russa também eliminou a chinesa Na Li na grama britânica. Vesnina havia perdido seis decisões de torneios WTA até este ano, mas quebrou o tabu em janeiro.
Hampton, por sua vez, continua sendo uma das grandes promessas do tênis feminino norte-americano. A jogadora de 23 anos fez duas semifinais em 2013 e chegou às oitavas de final em Roland Garros. Em Wimbledon, Hampton encontra na primeira rodada outra jovem dos EUA, Sloane Stephens.

Bia vai à semifinal na Suíça e entra para o top 300

Lenzerheide (Suíça) - A paulista Bia Haddad Maia continua sua excelente campanha no saibro europeu. A canhota de 17 anos garantiu nesta sexta-feira vaga na semifinal do torneio de US$ 25 mil que é disputado em Lenzerheide e com isso irá aparecer pela primeira vez entre as 300 melhores tenistas do ranking profissional.

Atual 329ª colocada e já como segunda principal tenista do país, Bia superou desta vez a Imane Maelle Kocher, convidada dos organizadores, com o tranquilo placar de 6/2 e 6/1. Sua adversária será a australiana Storm Sanders, de 18 anos e 262ª do ranking, que surpreendeu a cabeça 2 Sofia Shapatava, por duplo 6/3.

Disputando torneios profissionais de US$ 10 mil a US$ 25 mil, a pupila de Larri Passos já soma 24 vitórias em 29 partidas disputadas nesta temporada, com títulos em Ribeirão Preto e Antalya. Em duplas, ela parou nas semifinais nesta semana e deve entrar na faixa das 400 mais bem colocadas no ranking.

Outra sensação do torneio é a juvenil suíça Belinda Bencic, a mesma que eliminou Bia há poucos dias nas oitavas de final juvenis de Roland Garros. Com apenas 16 anos, Bencic tirou a tcheca Katerina Siniakova, por 6/1 e 6/2, e também está na semifinal onde pega a alemã Laura Siegemund.
Duplas - A paulista Paula Gonçalves atingiu a final de duplas do  ITF de US$ 25 mil disputado no saibro francês de Montpellier. Ela e a espanhola Ines Ferrer derrotaram a francesa Amandine Hesse e a eslovaca Michaela Honcova, por 2 sets a 0 com parciais de 6/2 e 6/0. Na decisão desta sexta, elas enfrentam a russa Irina Khromacheva e a tcheca Renata Voracova, cabeças de chave 1.

Bia Haddad chega à quarta final na temporada

Lenzerheide (Suíça) - Beatriz Haddad Maia continua em excelente temporada e chegou à quarta final em 2013, desta vez no challenger de US$ 25 mil de Lenzerheide, no saibro suíço. A paulista de 17 anos já garantiu a entrada no top 300 profissional e será a número 2 do país.
Na partida deste sábado, Bia derrotou a australiana Storm Sanders com parciais de 3/6, 6/3 e 6/1. A canhota anotou dois aces, três duplas-faltas e quebrou o saque de Sanders cinco vezes em toda a partida. Bia anotou 91 pontos, contra 79 da adversária.
Bia espera na final a vencedora entre a suíça Belinda Bencic e a alemã Laura Siegemund. Bencic foi a responsável pela eliminação da paulista na segunda rodada do juvenil de Roland Garros neste ano.
Em 2013, a pupila de Larri Passos vem tendo ótimo aproveitamento. Bia venceu seu segundo torneio no ano, em Ribeirão Preto, e depois foi à Turquia, onde ganhou mais um ITF e fez semifinal em outro. Antes de Lenzerheide, a paulista foi vice-campeã no challenger de US$ 25 mil de Caserta
O placar eletrônico da Fonte Nova escrevia Brasil 0 x 0 Peru e logo abaixo a frase: "É o fim da picada!" O fotógrafo Sérgio Sade captou o momento exato. Sua foto virou um clássico para explicar como Salvador viveu a Copa América de 1989, a última competição oficial de futebol disputada no Brasil antes da Copa das Confederações 2013.
"É o fim da picada!" era o slogan da campanha de prevenção da AIDS, mas casava perfeitamente com o péssimo futebol da seleção de Lazaroni. Ela só jogou bem quando saiu da Bahia para ganhar o torneio no Recife e no Rio.
Jogou mal na Fonte Nova em parte pelo boicote da torcida baiana, insatisfeita pela escalação do centroavante Charles, do Bahia, no banco de reservas.
O protesto era estúpido e atrapalhou a seleção. As manifestações atuais têm poupado o time de Felipão. Em Fortaleza, uma faixa dizia ser contra a corrupção, não contra a seleção. É justo!
Em 1989, até o baiano Charles ficou triste: "Eu me sentia culpado, como se eu estivesse causando tudo aquilo, como se eu estivesse forçando uma situação para ser escalado", disse ontem, 24 anos depois.
Sempre fica uma lembrança da recepção ácida de 1989, quando a seleção volta à Bahia. O Brasil jogou dez vezes em Salvador, ganhou seis, empatou quatro. Estreou em 1981 e foi aplaudidíssima ao ganhar da Espanha por 1 x 0.
Telê Santana foi populista e escalou o lateral Perivaldo, baiano de nascimento, botafoguense por profissão.
Também foi aplaudida na última visita, em 2009, vitória por 4 x 2 sobre o Chile, com Daniel Alves improvisado no meio-de-campo, camisa 7. Hoje, Daniel vestirá a camisa 2. Bom baiano, bom motivo para a Fonte Nova incentivar.
Não o único.
A Copa das Confederações tem desmentido um suposto desprezo da torcida brasileira pela seleção. Dentro do estádio, ouvem-se gritos de Brasil e Lêlêô, Brasil!, como no Maracanã dos anos 70. Há também a cantoria chata do muito orgulho e muito amor, mas repetida menos que no passado. A plateia também se comporta como torcida.
"Ouvíamos que poderia haver vaia e pressão e foi tudo bem diferente. Só temos tido apoio e em Fortaleza foi emocionante", diz Carlos Alberto Parreira.


Ver Salvador como o Ceará de sábado e não como a Bahia de 1989 é importante num jogo como o de hoje. Será o duelo contra Balotelli, sempre difícil. É um clássico. A Itália fez 24 partidas oficiais com Cesare Prandelli. Só perdeu uma, a final da Eurocopa contra a Espanha.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Copa do Mundo sub-20,

12h - França 3x1 Gana, 
12h - Cuba 1x2 Coreia do Sul, 
15h - EUA 1x4 Espanha,
15h - Nigéria  2x3  Portugal

Argentino



20h30 Racing Club 3x0 Unión

Nascido a 5 de julho

Alberto Gilardino é o centroavante reserva de Balotelli na seleção italiana. Campeão mundial em 2006, perdeu importância depois de passagens medianas por clubes como Milan e Fiorentina. Ressurgiu na última temporada com 13 gols pelo Bologna na Série A --um a mais do que Balotelli, só que com número de jogos três vezes maior.
Sua data de nascimento diz muito sobre o jogo de amanhã entre Brasil e Itália. Gilardino nasceu em 5 de julho de 1982. "Meu pai sempre me contava histórias sobre a vitória no Sarriá."
Gilardino repetiu essa frase à exaustão durante a carreira, desde o início associada ao Itália 3 x 2 Brasil da Copa da Espanha. Falava-se da semelhança de seu estilo com o de Paolo Rossi e chamavam- -no de predestinado.
Não é. Gilardino enfrentou o Brasil duas vezes. Em ambas, a Itália perdeu e não fez gol. Derrotas por 2 x 0 e 3 x 0.
A não ser que marque amanhã, sua predestinação será sempre uma das lendas a respeito daquela partida. O mais grave dos mitos, o de que o Brasil preferiu o pragmatismo à beleza, porque perdeu no Sarriá.
Balela! Em 1974, a seleção de Zagallo jogou futebol horroroso e venceu só três de sete partidas. Em 1978, o time de Cláudio Coutinho ganhou quatro de sete confrontos sendo pragmático até a medula.
Se o estilo Telê tivesse sido desprezado depois de 1982, por que razão a CBF teria contratado Telê de novo para ser o técnico em 1986?
Ele só pôde retornar porque sua campanha na Espanha foi muito valorizada.
É até hoje.
Pergunta-se ainda em 2013 se é preferível perder como em 1982 ou vencer como em 1994. A resposta pode ter sempre estado oculta apesar de ter sempre sido óbvia: melhor ganhar como em 2002. No penta, o Brasil venceu todas as sete vezes e registrou o ataque mais positivo.
A derrota do Sarriá cria tantos mitos e perguntas por ter para os maiores de 40 anos o mesmo significado do Maracanazo para os maiores de 70. Os que hoje têm 25 anos sofreram o mesmo com os 3 x 0 da França, em 1998.
Os mais velhos dirão que não há nível de comparação. Sempre há.
O Gilardino brasileiro nunca jogou na seleção principal. Fabrício, volante ex-Corinthians, ex-São Paulo e ex-Cruzeiro, nasceu em 5 de julho de 1982, como o centroavante reserva de Balotelli.
Os gols de Paolo Rossi provocaram dores de parto em sua mãe. O pai, perplexo diante da TV, disse que só a levaria à maternidade quando o jogo acabasse e sua dor passasse. A mãe poderia estar esperando até hoje.

Wozniacki vence e chega à semi em Eastbourne; Li perde

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Wozniacki avançou e segue como uma das favoritas
Wozniacki avançou e segue como uma das favoritas
Mesmo tomando um susto, a dinamarquesa Caroline Wozniacki confirmou o favoritismo e garantiu vaga na semifinal do WTA de Eastbourne, na Inglaterra, com a vitória sobre a russa Ekaterina Makarova, nesta quinta-feira, com parciais de 4/6, 6/0 e 6/3, após 2h02. A grande surpresa do dia foi a derrota da chinesa Na Li, cabeça de chave 6.
Com a eliminação da chinesa, Wozniacki, cabeça de chave 5, passou a ser a principal candidata ao título da competição. Para chegar à final, ela terá pela frente a norte-americana Jamie Hampton, que venceu a tcheca Lucie Safarova, de virada, por 3/6, 7/6 (7/1) e 6/4. Embora a dinamarquesa seja favorita, Hampton já surpreendeu na competição com a vitória sobre a polonesa Agnieszka Radwanska, cabeça de chave 1.
Sexta melhor tenista da atualidade, Li foi derrotada pela a russa Elena Vesnina, 36ª do ranking mundial, em dois sets, sem apresentar muita reação, com placar final de 7/6 (7-4) e 6/3. Apesar da diferença no ranking, Vesnina chegou à sua terceira vitória em quatro partidas disputadas contra Li.
Classificada, a russa enfrentará na próxima fase a belga Yanina Wickmayer (51ª), que também surpreendeu e eliminou a russa Maria Kirilenko (10ª), em três sets, com parciais de 6/2, 1/6 e 7/5.

Técnico prevê futuro glorioso para Sasha no vôlei: 'Tem todos os traços'



Madura, talentosa, líder do grupo e extremamente avessa aos holofotes. Assim é, na opinião do técnico Josimar Reis, a levantadora Sasha Meneghel, capitã da equipe infantil de vôlei feminino do Flamengo e filha única da apresentadora Xuxa com o ator e empresário Luciano Szafir. A um mês de completar 15 anos, a menina é tratada como uma promessa do voleibol carioca. Com 1,74m de altura, a ilustre atleta tem ótimas chances de se tornar uma jogadora de ponta, segundo a avaliação do seu treinador.
Sasha Meneghel jogadora de vôlei Flamengo (Foto: Flávio Dilascio)Com 1,74m, Sasha Meneghel vem sendo tratada como uma promessa do Flamengo (Foto: Flávio Dilascio)
- Esse é o quarto ano que a Sasha está comigo. Ela pode vir a ser uma grande jogadora no futuro, porque tem todos os traços de uma atleta: é longilínea, tem braços e pernas longas e ainda não fechou a estatura óssea. Ela detesta os holofotes. Ela quer é jogar voleibol e não aproveitar o fato de ser filha da Xuxa para para ganhar fama - afirmou Josimar, técnico do infantil feminino do Flamengo.
Apesar da indisfarcável timidez, Sasha é tida como uma das líderes do grupo rubro-negro. Sensível, ela chega a atuar como conselheira sentimental das amigas e até do próprio treinador.
- A Sasha tem uma cabeça muito boa. Às vezes,chego para trabalhar com algum problema, ela percebe e vem falar comigo. Ela é capitã do time não por ser a Sasha, mas por ser madura o suficiente para passar um controle emocional às companheiras mesmo estando fora de quadra - destacou Josimar.
Flamengo vôlei infantil (Foto: Flávio Dilascio)Josimar conversa com atletas: prioridade é formar
grandes jogadoras (Foto: Flávio Dilascio)
Mesmo com todos os elogios e a confiança demonstrada pelo seu técnico, Sasha tem ficado na reserva nas últimas rodadas. A explicação do treinador tem a ver com a formação de uma nova jogadora. Substituta da famosa levantadora, a jovem Carol vem sendo testada perto da rede para atuar futuramente em uma outra posição.
- A Sasha era a primeira levantadora, mas fiz a opção por outra jogadora para formar uma futura líbero. A menina que hoje está no lugar da Sasha tem menos altura, mas tem mais técnica. Tenho que pensar em formar jogadoras, não posso pensar só em ser campeão. A Sasha compreendeu bem a mudança e tem dado força para a Carol - revelou Josimar.
Incentivada por Xuxa e Szafir, que costumam acompanhar a filha nas partidas do Flamengo, Sasha tem tido problemas apenas para conciliar os seus horários na Escola Americana com os treinos na Gávea. Estudando em regime integral, ela tem se atrasado constantemente nas atividades no clube.
- Isso prejudica na questão do ritmo de jogo, mas a Sasha se empenha bastante quando chega, o que faz com que seja respeitada dentro do grupo - comentou.
Sasha Meneghel jogadora de vôlei Flamengo (Foto: Flávio Dilascio)Sasha (camisa 7) tem tido problemas para chegar na hora nos treinos (Foto: Flávio Dilascio)
Atuando com a camisa 7 do Flamengo, Sasha tem no voleibol o seu estilo de vida. Quando não está jogando ou treinando, está na orla carioca aprendendo os fundamentos do vôlei de praia, o que tem a ajudado a aperfeiçoar o seu estilo de jogo. No início do ano, a levantadora rubro-negra chegou a ser convocada para a seleção sub-19 de vôlei de praia, realizando um período de treinamentos no centro de desenvolvimento da CBV, em Saquarema (RJ).
- Jogar na praia é importante para desenvolver a habilidade. A Sasha está sempre querendo se aperfeiçoar e evoluir. Quando olho para ela, vejo uma jovem que quer muito crescer no esporte por méritos próprios - elogiou Josimar.
O Flamengo, de Sasha, perdeu para o Fluminense por 3 sets a 0 (25-21, 25-15 e 25-21) nesta quarta-feira, no ginásio da Gávea. Sem chances no primeiro turno, a dupla Fla-Flu apenas cumpriu tabela, uma vez que Tijuca e Botafogo farão a final desta etapa da competição - Sasha foi reserva durante toda a partda. No sábado, o Rubro-Negro fecha a sua participação no turno contra o Barra Mansa, em casa, às 15h. O returno começa no dia 3 de agosto.
Flamengo Fluminense vôlei feminino infantil (Foto: Flávio Dilascio)Flamengo e Fluminense apenas cumpriram tabela nesta quarta-feira, na Gávea (Foto: Flávio Dilascio)
- Esse primeiro turno foi de muita observação. Temos um grupo de meninas ainda imaturas, que acabaram de vir do mirim e que se juntaram com as que já jogavam no infantil no ano passado. Como temos um elenco bem distinto, até engrenarmos uma equipe homogênea levaremos algum tempo. Como no segundo turno já vamos ter o time mais entrosado, creio que teremos boas chances de chegarmos à final - finalizou o treinador.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Copa das Confederações



16h00 Espanha 10x0 Taiti
19h00 Nigéria 1x2 Uruguai

Estacionou

As atuações de David Luiz (impecável) e de Thiago Silva (excelente) revelam que houve problemas. Eles aconteceram na cobertura e posicionamento dos laterais e resultaram em pane do time brasileiro no final do primeiro tempo.
Editoria de Arte/Folhapress
"Quero Thiago Silva ou então não precisam contratar zagueiro nenhum." A frase foi ouvida da boca do técnico do Barcelona, Tito Vilanova, por gente do Barcelona, ao final da temporada europeia. Ele fala sério. O Barça pode até comprar Hummels. Mas Tito só quer Thiago Silva.
David Luiz também salvou bolas importantes. Aos 13 do segundo tempo, Guardado cruzou e o beque do Chelsea tirou para escanteio. Era o mesmo erro de cobertura nas costas dos laterais, acentuado à medida em que o Brasil chamava o México para tentar contra-atacar.
Melhorou um pouco a partir dos 15 do segundo tempo, quando o Brasil voltou a ocupar o campo de ataque. Coincidiu com a mudança de sistema para o 4-3-3, com o ataque formado por Hulk, Fred e Neymar. Durou pouco, porque o time fica mais separado e com dificuldade para prender a bola no campo ofensivo. Aos 29, a numerosa torcida mexicana entoou um "sí, se puede", porque podia mesmo haver o empate.
Os pontos positivos apareceram até os 25 minutos da primeira etapa. Movimentação de Neymar e Oscar com inversão de posição constante. A saída de bola aconteceu com passes mais curtos, como era esperado pelo fato de o México não ter feito pressão. Favorável também não sofrer gol pela terceira vez e ver Neymar driblar no espaço de um lenço, como no belíssimo segundo gol.
O nono jogo de Felipão não permite dizer que a evolução prossegue. A décima partida é contra a Itália, mais montada pelas 39 vezes em que foi dirigida por Cesare Prandelli. E, diferente do México, incomodada por um tabu, o de não vencer o Brasil desde 5 de julho de 1982. São seis partidas, com três vitórias brasileiras e três empates.
Vai ser difícil.


Neymar, espetacular

Depois que perceberam a importância e a legitimidade das manifestações, até a CBF, a Fifa, Marin, Marco Polo Del Nero, governantes, amigos e parceiros do poder e corruptos, de todos os tipos, passaram a ser a favor dos protestos.
Só falta irem a passeatas e chorarem, enrolados na bandeira brasileira.
Se não fosse Neymar, o jogo terminaria empatado em 0 a 0. Ele foi espetacular, nos dois gols e durante quase toda a partida. Os torcedores do Barcelona devem estar eufóricos.
O Brasil jogou muito bem os primeiros 20 minutos e muito mal o restante da partida.
No início, o time marcou muito bem por pressão, tomou a bola com facilidade e criou chances de gol, graças à velocidade e habilidade de Neymar e, às vezes, de Hulk.
Depois disso, apenas belos lances de Neymar, como no gol de Jô.
Na metade do primeiro tempo, o México equilibrou o jogo. Foi melhor no segundo tempo. Apesar de não ter tido claras chances de gol, o México, pelos lados, principalmente no de Marcelo, fez vários cruzamentos, com perigo, da linha de fundo. Por detalhes, alguém, livre na área, não fez o gol.
O Brasil não sabe alternar as jogadas em velocidade com o jogo cadenciado e o domínio da partida.
Se soubesse, ficaria com a bola, trocaria passes e paralisaria o adversário.
Fred e Oscar tiveram atuações apagadas ontem. Continuam as dúvidas sobre as condições do Brasil para enfrentar as melhores seleções. Como os dois zagueiros são excepcionais, e temos Neymar, poderemos vencê-los, principalmente por jogarmos em casa, nos beneficiarmos do calor e estarmos com muito mais vontade para conquistar a Copa das Confederações.
JOGOS DE HOJE
Imagino que a Espanha, com os reservas, deve fazer menos gols no Taiti do que fez a Nigéria.
Com a ausência de Xabi Alonso, contundido, o time titular ficou ainda mais parecido com o Barcelona. Dos seis do meio para a frente, apenas Soldado, do Valencia, não atua no time catalão.
A defesa da Espanha é melhor que a do Barcelona, principalmente nas jogadas aéreas, com o zagueiro Sergio Ramos, do Real Madrid, ao lado de Piqué.
Daniel Alves é muito melhor que Arbeloa, no apoio, mas o lateral do Real Madrid marca mais, além de ser mais alto.
O Uruguai tem um pouco mais de chances que a Nigéria porque tem Suárez, um excelente atacante.
Suárez é um dos raros atacantes que unem habilidade e técnica com força física e agressividade.


Algumas vezes, passa do limite. Chegou até a morder um adversário, como se fosse um animal irracional.

Fortaleza, mas nem tanto

Jamais havia ido a uma praça esportiva em minha vida sob tanta tensão.
Dizer que não estava com medo dentro do ônibus disponibilizado pela Fifa para levar os jornalistas seria provocação e de provocadores estamos cheios.
Mas, pensei em alguns caros amigos que cobriram guerras pelo mundo afora como José Hamilton Ribeiro, o Zé Palmito, que perdeu uma perna no Vietnã, e em seu genro, Sérgio Dávila, além de Fernando Valeika de Barros, filho do inesquecível cavalheiro e editor de moda, Fernando de Barros, sem esquecer de Leão Serva e do xará Varella.
Deve mesmo ser uma experiência e tanto.
Porque ver rostos raivosos, sofridos, aos berros, e ouvir bombas e vê-las, não é coisa para quem está com o espírito de ir cobrir um simples jogo de futebol. Pobre Fifa.
Imagine o arrependimento pela escolha deste complexo Brasil. Imagine o Lula, apesar de alertado para o risco de que suas duas vitórias ao trazer Copa e Olimpíada para o país poderiam se transformar em tiros no pé. Pois é.
Curiosa e comovente a reação de quem estava dentro do Castelão, cantando o hino à capela e plenos pulmões.
Impressionante a reação do time, que saiu mordendo o México com volúpia que poderia ter resultado, no mínimo em dois, talvez três gols nos primeiros 20 minutos.
Ficou só em um, mais um, novo golaço de Neymar.
Passada a pressão inicial, os mexicanos equilibraram, assustaram e terminaram o primeiro tempo com 52% de posse de bola, situação invertida ao fim dos 90 minutos, com 51% de posse brasileira.
O segundo tempo foi mais tenso porque o México rondou a área nacional com a picardia de Giovani dos Santos e David Luiz teve de ser, atrás, o leão que Hulk é na frente.
O time de Felipão dá mais um passo, ganha corpo, bobeia ainda, seja em gestos impensados dos dois laterais, um que dá chapéu na área, outro que deixa a mão no rosto do rival, seja na dificuldade em sair jogando com mais qualidade, o que explica parte do predomínio azteca.
Verdade que o jogo dos mexicanos encaixa com o nosso e o nosso encaixa menos com o deles.
Verdade também que Neymar, inspirado, resolve os problemas não só ao fazer o gol que fez como ao dar o passe que deu para Jô ampliar nos acréscimos. Melhor ainda: os dribles que aplicou em dois adversários antes de dar o passe. Ou o chapéu que deu num zagueiro e no árbitro inglês ao mesmo tempo.


Fortaleza viveu o que temos de melhor e pior no mesmo dia. Para mim, deu.

Longe de tudo

Alexandre Gallo foi o observador destacado por Luiz Felipe Scolari para mapear o México antes da partida de hoje contra a seleção brasileira, em Fortaleza.
Sua análise da estreia mexicana contra a Itália indica uma equipe forte para marcar apenas do meio de campo para trás.
Avançar os volantes e pontas para pressionar a saída de bola do Brasil é um risco muito grande para os mexicanos, por terem um zagueiro lento como o veterano Francisco Rodriguez.
Esse diagnóstico parece correto. E também positivo para o tipo de jogo atual de Felipão.
Pressionado na marcação dos laterais e volantes, o Brasil entrega a bola aos zagueiros e lança. Não tem rifado a bola, na gíria dos boleiros, porque Thiago Silva e David Luiz são ótimos passadores. Mas usá-los para lançamentos só será bom como uma alternativa, nunca como obrigação causada pela falta de outras opções.
A estratégia mais atual para sair do aperto na defesa é usar a paciência como antídoto. Rodar a bola, tocar no lateral, voltar no volante, tocar no zagueiro, inverter o lado da jogada...
Pelo diagnóstico de Gallo: não dá!
"No Brasil, a torcida não tem paciência para ver a seleção trocando tantos passes atrás. Às vezes, temos de acelerar mais", Gallo afirma.
Está errado! Primeiro é preciso corrigir a deficiência, saber jogar em espaços curtos, melhorar a transição da defesa para o ataque.
Em seguida, utilizar a facilidade de passe de Thiago Silva e David Luiz como um elemento surpresa.
O Brasil ainda gosta de espaços largos.
A polícia também.
Em Fortaleza, a promessa de mais uma manifestação em torno do estádio fez a PM montar bloqueios nos quatro acessos ao Castelão a 1,5 km. Os torcedores terão ônibus gratuitos para a ida e a volta.
Foi a maneira encontrada para evitar tentativas de invasão e conflitos com a PM, como os que ocorreram em Brasília.
A estratégia policial pode até servir para impedir confusões. Em ambos os casos, da seleção e da manifestação, só há um remédio: aproximação.
Felipão precisa aproximar seus dois volantes dos três armadores para permitir, a cada passe recebido, duas ou três opções para entregar a bola.
A parcela dos protestos relacionada à Copa do Mundo diz respeito a governos estaduais e federais incapazes de compartilhar e divulgar decisões com a população.
É uma decisão coerente com esse distanciamento, portanto, criar uma barreira e manter o povo afastado 1,5 km do estádio.


O México não vai marcar por pressão. Mesmo assim, em campo, uma atuação com laterais, volantes e zagueiros longe de tudo pode ser fatal.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Bom apenas até os 25 minutos do primeiro tempo. Depois, a palavra evolução não vale



Bons vinte e cinco minutos.
Mas desta vez não é possível dizer que a seleção brasileira manteve seu processo de evolução. Fatores positivos houve. Até os 25 minutos, muita rapidez na troca de passes e inversões de posição constantes e naturais de Oscar e Neymar levaram ao 1 x 0. Pouco depois, Daniel Alves roubou bola no campo de ataque. Pressão funciona como o Brasil treina.
Mas houve problemas novos, principalmente as bolas enfiadas às costas dos laterais. Marcelo jogou mal, errou muito, e Daniel Alves também levou lançamentos no seu setor, principalmente durante a pane do final do primeiro tempo.
A saída da defesa para o ataque melhorou. Era de se esperar, porque o Brasil poucas vezes foi marcado por pressão. Aos 17 minutos do primeiro tempo, raro momento em que os mexicanos avançaram a marcação, Thiago Silva saiu com passe curto para Daniel Alves e deste para Paulinho. Pelo chão, a bola chegou à frente.
A lógica da evolução jogo a jogo não vale para a partida contra o México. Valeu por vencer, por não sofrer gol e porque Neymar mostrou que pode driblar em espaços curtos, como fez na jogada genial do segundo gol.

Os três Brasis que vi em Fortaleza a caminho do Castelão



Saímos do hotel a caminho do estádio às 10h15. Sabíamos que encontraríamos manifestações no caminho e o plano não era entrar no estádio tão cedo. Às 10h45, aproximadamente, encontramos os protestos. Já havia em torno de 3 mil manifestantes, expectativa de 35 mil. Descemos do carro.
Denis Gavazzi, Cícero Mello, Aline Saraiva, Pedro Link de Oliveira, Flávio Ortega e eu. Os que você conhece e os que você não conhece do vídeo.
Estava bonito.
Gente de todos os tipos, pobres ricos, letrados, analfabetos, gente que tatuou no corpo a expressão + Educassão, assim com dois esses propositais, justamente para expressar a falta de cultura.
A multidão se aproximou do cordão de isolamento montado pela Polícia Militar a 1,5 km do estádio. Por três vezes, tentou invadir. Nas três vezes, a polícia reagiu com bombas de gás e tiros de borracha. Ficou tenso.
A polícia não informava o trajeto a ser percorrido pelos ônibus de Brasil e México para chegar ao estádio. Era justo. Não fosse assim, haveria chance de não ter jogo.
Depois da tensão, começamos a tentar seguir por outro caminho ao estádio. Naquele bloqueio dos protestos, nem os credenciados passavam. Seguimos e decidimos parar para comer. Restaurante bom e barato. Cheio de gente com camisas da seleão, prontos para ir ao estádio. Felizes. Estes comiam, não protestavam.
Não os culpe. Há séculos fala-se que há dois Brasis.
Mas vi o terceiro.
Saindo do restaurante, a caminho do Castelão, o bloqueio da polícia parou o carro credenciado e informou que a manifestação havia se deslocado. Estava do lado oposto do estádio. O único jeito era descer e caminhar por cerca de quatro quilômetros.
Caminhar é tranqüilo. O sol é que castiga.
Andei trinta minutos e já perto do estádio vi a cena de ricos e pobres separados por duas calçadas. De um lado, os pobres vendiam cerveja a R$ 3. Do outro a R$ 4. Dentro do estádio, a R$ 9.
O quarto Brasil de arrepiar, foi a hora do hino. A banda parou na primeira metade da primeira parte. O estádio continuou. Chorei!

Campeonato Argentino

Vélez Sarsfield 0 x 0 All Boys

Copa das Confederações



16h00 Brasil 2x0 México
19h00 Itália 4x3 Japão

Musas do esportes



Tico-tico no fubá

Andrés Montes foi narrador de NBA e mais tarde de futebol espanhol pela Cadena Cope, da Espanha. Morto em 2009, Montes deixou como legado a expressão tiki-taka, popularizada pelo técnico Luis Aragonés, pouco depois de assumir a seleção espanhola em 2004.
Aragonés era um homem velho e sábio. Foi campeão espanhol dirigindo o Atlético de Madri de Leivinha e Luís Pereira em 1977.
Quase 20 anos depois, sua escolha pela federação pareceu para muita gente um equívoco enorme. A cabeça sempre abaixada no banco de reservas e os cabelos brancos contrastavam com a crise da seleção espanhola, eliminada na primeira fase da Eurocopa-2004.
A Espanha não tinha estilo nem esperança. Tinha o Barcelona, vice-campeão espanhol atrás do Valencia, dono de um estilo que apenas começava a encantar.
Foi quando Luis Aragonés se apossou da expressão criada por Andrés Montes e anunciou que sua seleção jogaria tiki-taka.
A história leva à Arena Pernambuco e à atuação impecável contra o Uruguai.
Leva também à fama justa de melhor seleção do mundo, construída em 54 jogos com Aragonés e 73 sob o comando de Vicente del Bosque --em 127 partidas, foram dez derrotas, um aproveitamento de 86% dos pontos em nove anos.
Aragonés não estava superado, como hoje se sabe, mas até a véspera da semifinal da Eurocopa de 2008, contra a Rússia, brincava-se com suas manias e superstições. A Espanha teria de jogar com o uniforme reserva contra os russos. Aragonés chamava a camisa amarela de mostarda.
Nada grave como sua decisão de 2006, de devolver a titularidade a Raúl na partida decisiva contra a França. A vaca sagrada do Real Madrid contrastava com o tiki- taka. A Espanha foi eliminada nas oitavas de final.
Raúl nunca mais foi chamado, Aragonés levou o tiki-taka ao título europeu e entregou a herança a Vicente del Bosque.
A chance de a Espanha ganhar a Europa era Aragonés ser Aragonés.
Andrés Montes criou a expressão tiki-taka, mas Aragonés não inventou o estilo. Copiou o jeito Barcelona, troca de passes + marcação por pressão.
A posse de bola é característica de outras equipes da história. Os times de Parreira, por exemplo. Fluminense campeão brasileiro de 1984, o Corinthians campeão da Copa do Brasil de 2002, o Brasil campeão de 1994.
Na época, dizia-se que o Brasil era europeizado. Era brasileiro. Trocava passes como os sul-americanos e não marcava por pressão, como os europeus.


A maior lição dos espanhóis para o Brasil não é o estilo de jogo. É a certeza de que só com paciência se faz uma boa seleção.

Revolução da Indignação



José Maria Marin: "Seria preferível que toda a atenção estivesse voltada exclusivamente para o futebol e acho que essa é a preocupação de grande parte do povo brasileiro".
Marco Polo Del Nero: "O povo brasileiro é tranquilo. E vai entender que a Copa é um evento mundial. Tem que falar para o povo coisas positivas do Brasil. Fazer a torcida gritar: Brasil, Brasil, Brasil".
Joseph Blatter: "Vocês vão ver que hoje, que é o terceiro dia de competição, isso vai se acalmar. Vai ser uma competição maravilhosa".
Jerôme Valcke: "Espero que não tenhamos críticas ao final da Copa. Tenho certeza de que não haverá críticas se o Brasil vencer a final. É impressionante como lembram da final de 1950. E como querem apagar aquela final".
Essas são as pessoas que cuidam da Copa das Confederações e cuidarão da Copa do Mundo.
As competições da Fifa não foram o estopim dos protestos, mas colaboraram e servem de vitrine.
São vitrines da indignação do povo brasileiro. Indignação que no estádio se transformou em vaias e se materializa em elefantes brancos.
Os vinte centavos são emblemáticos e devem servir de bandeira. Os problemas são maiores e todos conhecemos. Violência em alta, corrupção interminável, transporte público ruim, educação fraca, acesso pífio a saúde... Estádio não é prioridade.
Foi um dia histórico, é um momento histórico para o país. Todos que saíram nas ruas, tantos outros que mostraram sua insatisfação pelas redes sociais e milhões que sorriram ao verem as imagens pela televisão estão de parabéns. A maior parte pacífica. Nós formamos o povo brasileiro.
Toda imprensa que noticia, desde o início, os abusos da entidade que controla o futebol mundial está de parabéns. Ajudou a abrir os olhos de muitos.
Os políticos têm culpa. A Fifa tem culpa.
O esporte faz parte de tudo isso. Copa do Mundo é uma festa dos povos. O futebol faz parte da alma do brasileiro, que se viu roubado com o "Padrão Fifa". Padrão da politicagem.
Os protestos seguirão até que algo aconteça. A diminuição das passagens de ônibus, a redução do lucro da Fifa, a reprovação da PEC 37, a punição aos corruptos. Algo vai acontecer, e será apenas o começo. Tem que ser.
É uma revolução, e só não percebe quem não quer. A Revolução da Indignação.

Inacreditável F.C.



Nos últimos 15 dias, pelo menos 25 bebês morreram na Santa Casa do Pará. A superlotação faz com que as crianças fiquem amontoadas e vulneráveis a doenças. Esse é apenas um exemplo de como a Copa do Mundo, quase toda ela feita com recursos públicos, impõe uma troca perversa no País.
A experiência de participar de uma Copa do Mundo, seja jogando, fazendo a cobertura jornalística ou simplesmente se divertindo é única. Desde 30 de outubro de 2007, quando o Brasil foi definido oficialmente como a sede de 2014, o nosso país ficou dividido entre os rabugentos, que reconheciam no evento as incongruências de um gasto absurdo, e aqueles que viam nessa dinheirama os tijolinhos do legado.
Falta menos de um ano e todos sabem que o tal legado simplesmente não existe. O Mundial está aí, vamos curti-lo, mas não podemos tampar os ouvidos para a voz da revolta. No dia 17 de junho de 2013, parte do Brasil saiu às ruas para protestar. A maioria se comportou como deve ser feito, na paz, porque só ela dá razão a quem reclama.
A sensação de quem sempre colocou o dedo na ferida não é de vitória, é de derrota. Mas sempre fica uma esperança.