quarta-feira, 19 de junho de 2013

Tico-tico no fubá

Andrés Montes foi narrador de NBA e mais tarde de futebol espanhol pela Cadena Cope, da Espanha. Morto em 2009, Montes deixou como legado a expressão tiki-taka, popularizada pelo técnico Luis Aragonés, pouco depois de assumir a seleção espanhola em 2004.
Aragonés era um homem velho e sábio. Foi campeão espanhol dirigindo o Atlético de Madri de Leivinha e Luís Pereira em 1977.
Quase 20 anos depois, sua escolha pela federação pareceu para muita gente um equívoco enorme. A cabeça sempre abaixada no banco de reservas e os cabelos brancos contrastavam com a crise da seleção espanhola, eliminada na primeira fase da Eurocopa-2004.
A Espanha não tinha estilo nem esperança. Tinha o Barcelona, vice-campeão espanhol atrás do Valencia, dono de um estilo que apenas começava a encantar.
Foi quando Luis Aragonés se apossou da expressão criada por Andrés Montes e anunciou que sua seleção jogaria tiki-taka.
A história leva à Arena Pernambuco e à atuação impecável contra o Uruguai.
Leva também à fama justa de melhor seleção do mundo, construída em 54 jogos com Aragonés e 73 sob o comando de Vicente del Bosque --em 127 partidas, foram dez derrotas, um aproveitamento de 86% dos pontos em nove anos.
Aragonés não estava superado, como hoje se sabe, mas até a véspera da semifinal da Eurocopa de 2008, contra a Rússia, brincava-se com suas manias e superstições. A Espanha teria de jogar com o uniforme reserva contra os russos. Aragonés chamava a camisa amarela de mostarda.
Nada grave como sua decisão de 2006, de devolver a titularidade a Raúl na partida decisiva contra a França. A vaca sagrada do Real Madrid contrastava com o tiki- taka. A Espanha foi eliminada nas oitavas de final.
Raúl nunca mais foi chamado, Aragonés levou o tiki-taka ao título europeu e entregou a herança a Vicente del Bosque.
A chance de a Espanha ganhar a Europa era Aragonés ser Aragonés.
Andrés Montes criou a expressão tiki-taka, mas Aragonés não inventou o estilo. Copiou o jeito Barcelona, troca de passes + marcação por pressão.
A posse de bola é característica de outras equipes da história. Os times de Parreira, por exemplo. Fluminense campeão brasileiro de 1984, o Corinthians campeão da Copa do Brasil de 2002, o Brasil campeão de 1994.
Na época, dizia-se que o Brasil era europeizado. Era brasileiro. Trocava passes como os sul-americanos e não marcava por pressão, como os europeus.


A maior lição dos espanhóis para o Brasil não é o estilo de jogo. É a certeza de que só com paciência se faz uma boa seleção.

Revolução da Indignação



José Maria Marin: "Seria preferível que toda a atenção estivesse voltada exclusivamente para o futebol e acho que essa é a preocupação de grande parte do povo brasileiro".
Marco Polo Del Nero: "O povo brasileiro é tranquilo. E vai entender que a Copa é um evento mundial. Tem que falar para o povo coisas positivas do Brasil. Fazer a torcida gritar: Brasil, Brasil, Brasil".
Joseph Blatter: "Vocês vão ver que hoje, que é o terceiro dia de competição, isso vai se acalmar. Vai ser uma competição maravilhosa".
Jerôme Valcke: "Espero que não tenhamos críticas ao final da Copa. Tenho certeza de que não haverá críticas se o Brasil vencer a final. É impressionante como lembram da final de 1950. E como querem apagar aquela final".
Essas são as pessoas que cuidam da Copa das Confederações e cuidarão da Copa do Mundo.
As competições da Fifa não foram o estopim dos protestos, mas colaboraram e servem de vitrine.
São vitrines da indignação do povo brasileiro. Indignação que no estádio se transformou em vaias e se materializa em elefantes brancos.
Os vinte centavos são emblemáticos e devem servir de bandeira. Os problemas são maiores e todos conhecemos. Violência em alta, corrupção interminável, transporte público ruim, educação fraca, acesso pífio a saúde... Estádio não é prioridade.
Foi um dia histórico, é um momento histórico para o país. Todos que saíram nas ruas, tantos outros que mostraram sua insatisfação pelas redes sociais e milhões que sorriram ao verem as imagens pela televisão estão de parabéns. A maior parte pacífica. Nós formamos o povo brasileiro.
Toda imprensa que noticia, desde o início, os abusos da entidade que controla o futebol mundial está de parabéns. Ajudou a abrir os olhos de muitos.
Os políticos têm culpa. A Fifa tem culpa.
O esporte faz parte de tudo isso. Copa do Mundo é uma festa dos povos. O futebol faz parte da alma do brasileiro, que se viu roubado com o "Padrão Fifa". Padrão da politicagem.
Os protestos seguirão até que algo aconteça. A diminuição das passagens de ônibus, a redução do lucro da Fifa, a reprovação da PEC 37, a punição aos corruptos. Algo vai acontecer, e será apenas o começo. Tem que ser.
É uma revolução, e só não percebe quem não quer. A Revolução da Indignação.

Inacreditável F.C.



Nos últimos 15 dias, pelo menos 25 bebês morreram na Santa Casa do Pará. A superlotação faz com que as crianças fiquem amontoadas e vulneráveis a doenças. Esse é apenas um exemplo de como a Copa do Mundo, quase toda ela feita com recursos públicos, impõe uma troca perversa no País.
A experiência de participar de uma Copa do Mundo, seja jogando, fazendo a cobertura jornalística ou simplesmente se divertindo é única. Desde 30 de outubro de 2007, quando o Brasil foi definido oficialmente como a sede de 2014, o nosso país ficou dividido entre os rabugentos, que reconheciam no evento as incongruências de um gasto absurdo, e aqueles que viam nessa dinheirama os tijolinhos do legado.
Falta menos de um ano e todos sabem que o tal legado simplesmente não existe. O Mundial está aí, vamos curti-lo, mas não podemos tampar os ouvidos para a voz da revolta. No dia 17 de junho de 2013, parte do Brasil saiu às ruas para protestar. A maioria se comportou como deve ser feito, na paz, porque só ela dá razão a quem reclama.
A sensação de quem sempre colocou o dedo na ferida não é de vitória, é de derrota. Mas sempre fica uma esperança.

Diário das Confederações - Não existe padrão Fifa para lutar por um país melhor



Eram muitos Lucas, Oscares, Felipes, Thiagos, quem sabe alguns Neymares. Eram Severinos, Joões, Josés; Marias, Fernandas, Carolinas, Lucianas. Eram jovens, velhos, jovens velhos, velhos jovens. Em tempos de Copa das Confederações, a menos de um ano da Copa, a rua virou, de fato, a maior arquibancada do Brasil.
Tentemos, por um par de instantes, esquecer os vândalos. Pensemos que o ontem o país foi às ruas pulsar.
Pensemos que ontem o país talvez tenha criado a maior chance de vencer a grande Copa de sua história. "Juntos num só ritmo"... Finalmente fez sentido.
Há dois meses escrevi aqui que o Brasil já havia perdido a Copa do Mundo, e isso nada tinha a ver com o resultado dentro de campo, mas com a falta de resultados foram dele. Os estádios estão aí, mas o país em volta dele ainda precisa de reformas, como disseram nos comentários de um texto sobre a BR 101, um absurdo a poucos quilômetros de uma arena de R$ 600 milhões.
Gian Oddi/ESPN.com.br
Faixas de manifestantes na Av. Paulista reclamam dos gastos com a Copa do Mundo de 2014
Faixas de manifestantes na Av. Paulista reclamam dos gastos com a Copa do Mundo de 2014  
As reformas ainda não começaram. Talvez nem comecem agora. Ainda assim, os protestos são apenas o início. Que eles continuem, que tenham meio e fim.
Pessoalmente, fico orgulhoso ao ver que muita gente já entendeu que o Brasil não precisa de uma Copa, não precisa de uma Olimpíada, não precisa ouvir de um par de franco-suíços que "tal coisa está fora do padrão Fifa".
Não existe padrão Fifa de protesto, senhor Joseph Blatter.
Os grandes eventos esportivos viraram os olhos do mundo para o Brasil e, durante anos, isso significou investir bilhões de dinheiro público em arenas para "não passar vergonha", ou para "fazer bonito". Como se o maior índice social de um país fosse a imagem que ele tem para consumo externo. Como se a grande preocupação fosse não deixar com que os gringos vissem o Brasil de verdade, aquele em que seríamos obrigados a viver quando eles fossem embora.
Esqueceram de combinar com o povo.
O mesmo povo que não foi consultado sobre a necessidade de o país se candidatar a receber Copa e Olimpíada, o mesmo povo que não foi consultado sobre os investimentos em estádios, o povo que pega o ônibus de má qualidade, que anda em estradas esburacadas, que faz filas em hospitais e não tem vagas em escolas.
O povo que agora mostra ao mundo que, vejam só, o Brasil não é uma roda de samba infinita que gira em torno de dribles de futebol e mulatas seminuas.
O Brasil padrão Fifa não existe. A nossa Copa é outra, monsieur Valcke.
Nossa Copa é ter um transporte público mais barato e de qualidade, nossa Copa é ter saneamento básico, é ter calçadas nas ruas, médicos nos hospitais, é poder sorrir depois que o jogo acaba, seja qual for o resultado, porque no futebol perder ou ganhar é só uma parte do espetáculo. É ter um país que seja feliz fora dos vídeos promocionais que rodam o mundo nas edições de vídeo da entidade que diz viver por "Amor ao jogo". Desde que o jogo seja feito no padrão ditado por ela.
Os protestos são contra muita coisa. Cada um tem suas reivindicações, cada um tem seus anseios. Cada brasileiro tem uma Copa para vencer.
Não existe padrão Fifa para a indignação. Nem para sonhar e lutar por um país melhor.

VÍDEO: Tenho orgulho do povo que sai às ruas também para dizer não à Copa e a tudo de errado que ela traz

Há mais de três anos escrevi um post — clique aqui e leia — neste espaço explicando os motivos pelos quais sou contra aventuras como a Copa do Mundo no Brasil. Bato mais forte nesta tecla desde 2007, quando a Fifa confirmou nosso país como sede do evento de 2014. Não é fácil nadar contra essa corrente da conveniência, da conivência, da covardia. A corrente dos que, mesmo cientes do que a Copa por aqui representaria, sempre a apoiaram nos moldes exigidos, impostos.
Copa do Mundo no Brasil. Sim, ela poderia acontecer se os estádios fossem construídos ou reformados dentro da nossa realidade. Com investimentos privados, em sedes nas quais existe futebol e após o certame fosse possível tratar a praça esportiva como local de eventos diversos. Casos específicos das novas casas de Grêmio e Palmeiras, esta ainda em construção. Particulares, resultado de acordos entre clubes e empresas que investiram e esperam lucrar.
Getty Images
Manifestantes em São Paulo questionam Copa do Mundo no Brasil
Manifestantes em São Paulo questionam Copa do Mundo no Brasil: o nosso país não precisa disso, jamais precisou
E o dinheiro público, os "zilhões" oriundos dos impostos que foram parar em "arenas" com selo Fifa? Seria destinado à educação, saúde, transporte, segurança e tudo aquilo que o cidadão precisa para viver dignamente. Que bom ver pessoas que não dependem do ônibus, do trem, do metrô, pelas avenidas pedindo pelos que não podem se locomover sem eles. Bom demais notar quem tem o melhor plano de saúde clamar por hospitais dignos que atendam quem deles depende.
A Copa do Mundo é a festa do futebol. Nas mãos certas estimularia investimentos que resultariam num verdadeiro legado para a nossa gente. Não tornaria o Brasil um país perfeito, mas um país melhor. Já critiquei tantas vezes a acomodação de boa parte dos brasileiros. E hoje, pelo menos hoje, posso repetir: tenho orgulho do povo que sai às ruas para também dizer não a essa Copa e a tudo de errado que ela traz. E quem ama o futebol não fica feliz ao vê-lo ser usado de tal forma.
Acordamos. Que não caiamos no sono outra vez. Saudações, Brasil!!!!
PS: sobre os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, também sou contra. Clique aqui e confira alguns dos motivos em post de 2009.
Gosta de vídeos de torcidas, de estádios? Vá ao canal no Youtube clicando aqui
Confira no vídeo o comentário feito no programa Linha de Passe, da ESPN Brasil, nesta segunda-feira

Entre os protestos, brilha a Copa do Mundo

Estive ontem na avenida Paulista e vi manifestantes absolutamente pacíficos, mostrando que a força desproporcional utilizada pela polícia dias antes foi desnecessária e irresponsável, embora tenha tratado, paradoxalmente, de dar maiores proporções à manifestação.
Vi que as reivindicações, os anseios e os temas dos cartazes e gritos eram, de fato, ecléticos. Mas entre os temas mais abordados, talvez superando até mesmo a redução das passagens de ônibus, esteve aquele que motivou os cartazes abaixo.

Gian Oddi
Manifestantes protestam contra a Copa do Mundo na avenida Paulista
Manifestantes protestam contra a Copa do Mundo na avenida Paulista 

Quando se protesta contra o aumento das passagens no transporte público, o objetivo é claro. 
Em relação à Copa do Mundo, agora que a realização do torneio é inevitável, nem tanto. Por enquanto. Mas ainda há, sim, o que cobrar. Como a divulgação pública de todas as contas relacionadas ao evento, por exemplo.
De qualquer forma, causas à parte, o legado do que acontece no Brasil é, no mínimo, a demonstração de força. A prova de que existe um poder de mobilização que parecia esquecido e que pode ser usado quando necessário.
Pense bem. Será que se Renan Calheiros fosse eleito amanhã o presidente do senado brasileiro, por tudo que isso representa, ele teria condições de assumir o cargo? Será?

Explicações? Menosprezaram a história de luta do brasileiro



Juan Arias é um premiado e competente intelectual. Homem de formação sólida, ocupou nos últimos anos ao posto de correspondente do bom jornal espanhol El Pais no Brasil. Sua inquestionável formação não o livrou de um imenso lapso ao reportar e analisar as manifestações que pipocam Brasil afora nos últimos dias. No dia 12 de junho, com os protestos engatinhando e parecendo ainda apenas serem contra um aumento de vinte centavos nas passagens, abriu seu relato com as seguintes palavras: "Brasil, pouco acostumado a protestar na rua, desta vez se levantou nas principais cidades do país contra o aumento das passagens do transporte público."
O jornalista desconhece a essência do que construiu boa parte da história do Brasil: sangue, protestos, manifestações, revoltas. Dezenas, centenas, milhares de revoltas. Nada por aqui foi conquistado sem reivindicação e muita revolta. Justiça seja feita, não está sozinho em sua desinformação. Muita gente boa por aqui acredita nessa história oficial e nesse chavão que pretendeu rotular o povo brasileiro como "bundão". Um rótulo conveniente e disseminado não à toa por quem tem tal interesse.

Um olhar sobre a história do Brasil é mergulhar na história de um povo que lutou e luta para driblar o projeto original (ou a ausência dele) que estava previsto desde sempre para ele: ser mão de obra desqualificada, ser escravo, ser trabalhador braçal sem direitos. E se hoje esse projeto está desmoralizado, e o país tem um papel importante no mundo, é porque muito sangue rolou. E esse projeto não foi aceito com conformação.
Desde sempre estava expressa a vontade soberana de um povo em não aceitar dominações vindas de fora. Já vão longe, mais de quatro séculos, a Confederação dos Cariris, a Revolta da Cachaça, do Sal, e tantas outras. Vieram os Mascates, os confederados do Equador, a revolução Pernambucana. As Conjurações. Mineira, Carioca, a Conspiração dos Suassunas, Praieira, Mascates. Diferentes razões, muitas vezes diferentes camadas sociais, mas, na maior parte delas, o sentimento de ser senhor da própria história.
Foram dezenas de revoltas indígenas. Outras tantas escravas e negras. O Maranhão com seus Balaios, a Bahia de tantas e inúmeras revoltas lutas pela independência, da Conjuração, dos Malês, da Sabinada, dos Guanais e da Guerra do Conselheiro, Belém e seus Cabanos, o Rio de João Cândido contra a Chibata e da Vacina e tantas outras que adoro o nome, como "Mata-Galegos", o sul da Farroupilha, do Contestado, as revoltas paulistas. Mesmo as mulheres brasileiras, muito a frente do seu tempo, viveram em Natal sua revolta. Tem tanta coisa, tanta história de revolta em nossas páginas que forçosamente irei cometer o pecado da omissão.
Com uma história dessas, por que diabos esses caras acreditaram quando tentaram nos jogar a pecha de bundões? Se a intenção era alimentar a conformidade, falharam. Basta lembrar mais uma, que já ia sendo omitida: a Revolta do Vintém, no Rio do fim do século XIX, que tanto tem a ver com o que acontece agora. Começou contra o aumento do bonde e virou algo bem maior.
Aqui vale a pequena digressão: a história da polícia militar e sua criação nesse país, a mesma que agora reprime passeatas sem o menor preparo e com inacreditável violência, a mesma que mata e tortura todos os dias na periferia (com as exceções de praxe), está intimamente ligada aos protestos de nossa gente. A primeira polícia nasce no Rio, sempre ao lado da corte. Depois, nos anos 30 do século XIX, vem as demais, com o intuito inicial e preponderante de reprimir as revoltas populares, que gritavam nas ruas contra a legitimidade do monarca que chegava. Nasce com o DNA e a função preponderante de bater em pobre, preto e povo. Com a certeza de que isso não é crime. A certeza dessa impunidade cresce nos anos de chumbo. O que se vê agora é apenas a sequência dessa trajetória. Que enquanto não for refundada, enquanto não se passar a limpo a história do país, dos crimes de estado, sempre será assim.
Voltemos as revoltas que marcam nosso povo. Veio o século XX e mais uma vez o povo tava nas ruas. Sempre. Perdoai, falar que é uma gente "pouco acostumada a protestar nas ruas" é desconhecer o histórico da mudança de uma capital. Pois mudaram uma capital, construíram uma cidade nova no meio do nada com a ilusão de que os governantes estariam livre de pressão. Governar no Rio não era fácil...Panela de pressão. Povo na rua o tempo inteiro...
Por uma dessas ironias, deixaram o projeto para Niemeyer. Humanista de corpo e alma, pensou com sua pena lugares e grandes vãos para protestos, para que o povo ocupasse. Num de seus desenhos, sentenciou que um dia a praça seria do povo e que nesse dia os direitos humanos e as liberdades "seriam conquistas irreversíveis". Mais uma vez o projeto de alijar o povo dava errado. Brasília virou um caldeirão de protestos semanais. Os anos de chumbo, muita gente boa caindo, cem mil nas ruas... A redemocratização, Diretas Já, milhões na rua. Tem pouco tempo, e o povo botou um presidente pra fora. Bundões? Podem querer relativizar, dizer que foi por isso, aquilo, mas sem a gente das ruas gritando, fazendo sua hora, nada teria acontecido...
E eis que estamos na rua novamente...A dificuldade de alguns em entender o que está acontecendo é o desconhecimento de nossa história, de nossa gente, de nossa essência.
O temor de muita gente boa em ver o que é legítimo com alguma desconfiança tem suas razões. O medo de desandar, dos oportunistas, daquela turma que marchou com Deus pela liberdade. (O temor de ter que relembrar a genialidade de Zé Keti: "Marchou com Deus pela democracia/ agora chia/ agora chia"!). Da mesma turma que outro dia pedia que a polícia metralhasse a favela e agora reclama. Quando o clima é de barata voa e a boiada estoura, os oportunistas sempre tentam fincar sua bandeira. Num país que nos últimos anos fez imensos progressos, a brecha para fincar a bandeira do oportunismo andou pequena. Mas nada deve ser temido. Povo na rua nunca deve ser razão de temor. Mesmo as eventuais distorções não podem assustar. A história não tem pressa. Mesmo a eventual despolitização que tentam impor ao movimento não passa.
Chegamos aos dias de hoje. Nesse caldeirão que tanto dificulta a análise dos nossos cientistas sociais, um elemento não pode ser esquecido e é dele que tratamos até aqui: menosprezaram demais um povo que tem em seu DNA os protestos e a revolta. Acreditaram na história do povo bundão. Valendo-se de bons ventos da economia, de inegáveis indicadores que melhoravam, iniciou-se uma farra. Cujo ápice tem a ver com nossa seara de esportes. Em nome da Copa do Mundo, em nome da Fifa, foram entregando tudo, passando por cima da lei. É claro que não digo aqui que esse é o estopim. Seria ridículo. Mas isso é elemento forte desse caldeirão. A farra do boi que some com milhões e constrói obras faraônicas, a volta do estado de exceção, com remoções à margem da lei imperando. Um templo sagrado destruído no Rio igonorando a lei como foi o Maracanã enquanto o mandatário estava em Paris de guardanapo na cabeça. Não foi uma nem duas vezes que escrevi aqui em textos antigos ou falei em nossos programas que isso teria uma resposta da população, que era uma falta de conhecimento de tudo achar que iriam seguir brincando e sumindo com dinheiro e nada aconteceria. Vinha gente de fora e debochava, falando em "dar um chute no traseiro. Elimina-se o povo da festa. Em algum momento vem a conta. Estive nas ruas hoje. Lembrava do Maracanã quando o povo xingava o Cabral...Escrevi tantas vezes que a vingança viria...Tinha motivos para estar especialmente comovido com tudo.
Como foi possível um governador destruir um símbolo por cima da lei e entregar ao amigo que empresta jatinhos? Como foi possível um prefeito ignorar lei ambientais, modificar, para permitir empreendimentos imobiliários, campos de golfe? Mais incrível foi terem achado que iam fazer tudo isso e não prestariam contas nas ruas.

Foi Eduardo Galeano que exemplarmente definiu o que foi o período na mineração no Brasil, dizendo que "o ouro deixou buracos no Brasil, templos em Portugal e fábricas na Inglaterra". Tantos anos depois, nos vemos diante do mesmo fenômeno. Agora é uma copa de confederações, uma copa do mundo, que vai deixando buracos no Brasil, ouro na Fifa e na conta de alguns.
Dá pra imaginar o que passa na cabeça da presidenta a essa altura. Se arrependimento matasse...Ah, essa copa...Ah, essas Olimpíadas...Dona de bela biografia de luta e resistência, tem mil pecados e responsabilidades nisso tudo, principalmente porque não soube dizer não a uma situação e acordos que herdou. Até ter que engolir o aperto de mão com José Maria Marin. Se omitiu em tantas coisas... E a óbvia maldade risonha de Blatter rindo ao botar fogo na vaia do estádio. Quem muito se abaixa... Quem muito faz concessão. Nessa história toda, está ficando sozinha com o ônus. Lula, que depois de rasgar sua biografia perdeu o pudor em tudo, segue rindo e lucrando com a copa, em suas viagens e palestras para empreiteiras. Fazendo lobby pra Ricardo Teixeira, Marin...Governadores, políticos, todos...Dilma ficou com o ônus. Pediu isso ao se omitir. Deixou Cabral rasgar a constituição e passar por cima dela no Maracanã. A alma dos removidos pesa, os milhões consumidos em elefantes brancos enquanto o povo pena nos hospitais e escolas debilitadas, no transporte. A conta chegou.
Está sendo cobrada por um povo acostumado a fazer isso. Por mais que ainda queiram dizer que não.
Ps- depois de testemunhar tudo que vi, sei que foram muito mais de cem mil. Ainda tenho muitas perguntas para fazer, tentar responder, várias coisas que não entendi ainda.  Os próximos dias vão dizer, ajudar a entender. Mas tenho certeza de uma coisa: o DNA de um povo que forjou sua história com muita rua e luta foi o decisivo. Muitas vezes brutalmente reprimido por um estado que sempre o deixou à margem. Se reinventando nas brechas, até a próxima luta ou revolta. Não menosprezem. Não tentem distorcer a história dele.
Quanto a Fifa, melhor botar as barbas de molho. Acharam que vinham para um passeio. Teriam um estado de exceção, removeriam casas, debochariam, dariam pé na bunda. Sempre com a cumplicidade colonizada e desonesta de alguns serviçais que vão levando suas generosas partes. Destruiriam nossos templos e nos deixariam de fora da festa. O povo no seu lugar de hábito mandou avisar que vai participar da festa. Do seu jeito. Como ele decidir. Soberano.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Eliminatórias da Concacaf



22h06 Estados Unidos 1x0 Honduras
23h00 Costa Rica 2x0 Panamá

Eliminatórias Asiáticas

05h30 Austrália 1x0 Iraque
09h00 Coreia do Sul 0x1 Irã
09h00 Uzbequistão 5x1 Qatar
13h00 Jordânia 1x0 Omã

O rival de Fortaleza

Uma Copa das Confederações mudou a história de Brasil x México. No estádio Azteca, a seleção de Vanderlei Luxemburgo perdeu por 4 x 3 a decisão do torneio. Nunca mais o confronto foi o mesmo. Antes daquela decisão, os mexicanos haviam vencido os brasileiros duas vezes. Nos últimos catorze anos, ganharam sete, em doze encontros. O Brasil venceu três vezes.
O susto antes do segundo jogo da seleção na Copa das Confederações tem outros ingredientes. O Brasil não perde em casa desde 2002, 29 partidas com 20 vitórias. A última derrota aconteceu na despedida de Felipão, depois da Copa da Ásia, por 1 x 0 para o Paraguai, em Fortaleza, palco da partida de quarta.
O último ingrediente foi a atuação do México contra a Itália. Massacrado nos primeiros vinte minutos da estreia, o México reagiu com a mobilidade de Giovanni dos Santos, reserva nas últimas partidas das Eliminatórias.
Na estreia da Copa das Confederações, no Maracanã, contra a Itália, Giovanni dos Santos voltou.
Filho do brasileiro Zizinho, do São Paulo dos anos 80, é hábil, rápido e tem deslocamentos que confundem. Foi ele quem sofreu o pênalti do gol mexicano.
Dos lados do campo, Aquino protege pela direita e Guardado, pela esquerda, marcará Daniel Alves toda vez que o brasileiro tentar ir ao ataque.
Os lados marcam e liberam Giovanni para se aproximar de Chicharito e criar dificuldades contra Thiago Silva e David Luiz, como fez contra Barzagli e Chiellini.
A Itália sofreu, mas venceu e encerrou série invicta de 13 partidas dos mexicanos. Golaço de Mario Balotelli, agora apelidado pelos italianos de Mariocanã.
A marcação mexicana vai subir e atrapalhar a saída de bola da defesa brasileira. Cuidado é bom, mas não é mais tempo de temer o México pela escrita dos últimos 14 anos.


Se o Brasil jogar bem, como fez contra o Japão, vencerá e garantirá o lugar nas semifinais.

A bola que queima pés brasileiros é a que os espanhóis domesticaram. E fazem dela gato e sapato

Encerrada a primeira rodada da Copa das Confederações, algumas conclusões. O time brasileiro trocou 515 passes ante o Japão e os italianos apenas nove a mais contra o México. Mas a distribuição entre os setores foi bem diferente. Luiz Gustavo e Paulinho, os dois volantes, deram, juntos, um total de 102, enquanto a dupla De Rossi-Pirlo somou 142. Os quatro defensores brasileiros (Daniel Alves, David Luiz, Thiago Silva e Marcelo) somaram 265 toques, enquanto o quarteto defensivo da Azzurra (Abate, Barzagli, Chiellini e De Sciglio) totalizou 247.
Fica evidente que os dois meio-campistas mais próximos dos defensores da Itália são mais acionados, participam mais ativamente do início dos lances. Isso faz com que o vice-campeão europeu trabalhe melhor a posse de bola, saia tocando e evite lançamentos longos a todo instante, recurso comum no futebol brasileiro e no time sob a batuta de Luiz Felipe Scolari.
Tanto que 48% da posse de bola do Brasil foi no meio-campo e a Itália alcançou 58% de sua posse nesta faixa do gramado. Isso porque o Brasil ligava diretamente da defesa ao ataque, cabendo a Hulk, Oscar e Neymar segurar a pelota, enquanto os italianos procuravam conduzí-la, tocando. Uma nítida diferença de estilo. Os brasileiros tocam menos, aceleram e esticam mais.
Mas espantoso mesmo é ver o quanto os meio-campistas da Espanha dominam a pelota, a manejam, fazem o que bem entendem com ela durante quase 80% do tempo de jogo. Busquets, Iniesta e Xavi (que não jogou os 90 minutos) deram, cada um, mais de uma centena de passes, com praticamente 97% de acerto. O Uruguai foi mais um a ficar na rodinha de bobo dos campeões mundiais.

Getty
Iniesta contra o Uruguai: dono do jogo e com mais toques na bola sozinho do que os volantes do Brasil
Iniesta contra o Uruguai: dono do jogo e com mais toques na bola sozinho do que os dois volantes do Brasil

Se no Brasil os dois zagueiros aparecem entre os três que mais passes trocaram contra o Japão, diante dos uruguaios a dupla de zaga da Espanha ocupou apenas a sexta e a sétima posições no ranking dos que mais tocaram na pelota. E como observa o companheiro Marcelo Bechler — cliqueaqui para ler ótima análise — "a seleção brasileira teve mais do que o dobro (27% a 13%) de bola na defesa do que os espanhois. A Espanha teve apenas 13% da bola no pé em sua retaguarda. A maior parte esteve no meio-campo, na construção e sobretudo controle do jogo".
Claro que o Brasil está em estágio diferente do poderoso e montadíssimo time espanhol. Mas alguns números escandalizam. Se a dupla de volantes brasileiros trocou 102 passes, sozinhos, Iniesta e Xavi tocaram mais na bola do que Paulinho e Luiz Gustavo. E Xavi (saiu 32 aos minutos do segundo tempo), teve apenas um passe a menos. Conclusão: é abissal a distância do time cebeefiano para quem hoje melhor domina a bola, a controla, e com isso constrói jogadas.
E quando falamos da seleção, a imagino buscando o melhor, a excelência. Isso não está acontecendo hoje. Não que seja obrigatório ver todos os times jogando à espanhola, pelo contrário. Mas seria ótimo observar os brasileiros praticando um futebol competitivo, moderno, técnico, como foi nos melhores tempos. Que isso pelo menos fosse um objetivo. Um exemplo? O Bayer de Jupp Heynckes (três anos mais velho do que Felipão) foi competitivo, moderno, vencedor na temporada.
A bola que queima pés brasileiros e os obriga a despachá-la para longe, para alívio e euforia de alguns, é a mesma que os espanhóis domesticaram. E fazem dela gato e sapato.
Total de passes*
Brasil (x Japão)
Daniel Alves 84 (5)
Thiago Silva 74 (3)
David Luiz 54 (3)
Luiz Gustavo 56 (0)
Marcelo 53 (5)
Oscar 48 (3)
Paulinho 46 (3)
Hulk 36 (6)
Neymar 35 (1)
Itália (x México)
Chiellini 77 (1)
De Rossi 77 (4)
Pirlo 65 (2)
De Sciglio 63 (4)
Barzagli 54 (1)
Abate 53 (3)
Montolivo 54 (3)
Giaccherini 33 (5)
Marchisio 26 (2)
Espanha (x Uruguai)
Busquets 108 (4)
Iniesta 107 (4)
Xavi 101 (4)
Alba 92 (5)
Arbeloa 81 (6)
Piqué 59 (1)
Sérgio Ramos 58 (0)
Fábregas 63 (7)
Pedro 53 (1)
* entre parênteses o número de passes errados
Fonte: Footstats

Os números incríveis da Espanha. Não no ataque, mas na defesa



A Espanha foi campeã da Europa em 2012 sofrendo um único gol em toda a campanha. É a melhor defesa da Euro em todos os tempos.
A Espanha foi campeã do mundo em 2010 com dois gols sofridos. Junto com a Itália de 2006, o campeão mundial menos vazado em todos os tempos.
O ataque da Espanha no Mundial foi fraco, é verdade. Faltava um homem gol e os oito gols da Roja, cinco de David Villa, fizeram os espanhois entrarem nos livros de recordes como o pior ataque campeão.
Mas é impressionante como a Espanha massacra seus adversários. Ainda que se possa dizer que fez falta ao Uruguai uma rotina mais forte de treinos no Recife, pelo caos e pela chuva, a Espanha segue sendo a rainha do futebol mundial.
Já são 23 jogos de invencibilidade, 18 vitórias nessa sequência. 
E com Del Bosque, no comando desde 2008, um incrível aproveitamento de 86% dos pontos após disputar 73 partidas.
16/junho/2013
ESPANHA 2 x 1 URUGUAI
Local: Arena Recife (São Lourenço da Mata); Juiz: Yoichi Nichimura (Japão); Público: 41.000; Gols: Pedro 22, Soldado 33 do 1º; Luis Suarez (falta) 43 do 2º; Cartão amarelo: Pique, Arbeloa, Lugano, Cavani
ESPANHA (4-3-3): 1. Casillas (6), 17. Arbeloa (5,5), 3. Pique (6), 15. Sergio Ramos (6,5) e 18. Alba (6); 16. Busquets (6,5), 8. Xavi (7) (4. Javi Martínez 32 do 2º (sem nota)) e 10. Fabregas (6,5) (20. Cazorla 20 do 2º (5,5)); 11. Pedro (6,5) (13. Mata 36 do 2º (sem nota)) 14. Soldado (6) e 6. Iniesta (8). Técnico: Vicente Del Bosque
URUGUAI (4-4-2): 12. Muslera (5,5), 16. Maxi Rodriguez (5), 2. Lugano (4,5), 3. Godín (5,5) e 22. Martín Cáceres (5); 18. Gastón Ramírez (5) (20. Álvaro González, intervalo (5)), 15. Diego Pérez (5,5) (10. Forlán 24 do 2º (5)), 5. Gargano (5) (14. Lodeiro 18 do 2º (6)); 7. Cavani (5) e 9. Luiz Suarez (6). Técnico: Oscar Tabarez
O Uruguai não fez reconhecimento de campo na véspera do jogo, em protesto contra a falta de locais de treinamento no Recife, por causa da chuva, durante a semana.
MELHOR EM CAMPO FIFA - Iniesta
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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Agentino

20h15 Quilmes 0x0 Godoy Cruz

Copa das Confederações



16h00 Taiti 1x6 Nigéria

Hantuchova bate juvenil croata em Birmingham

Birmingham (Inglaterra) - A experiência sobre a quadra de grama foi decisiva em favor da eslovaca Daniela Hantuchova. A ex-top 5, agora com 30 anos, conquistou neste domingo o torneio de Birmingham, importante preparativo para Wimbledon, ao derrotar a juvenil croata Donna Vekic, de apenas 16, por dois sets a zero e parciais de 7/6 (7-5) e 6/4.

Este foi o sexto título de Hantuchova em 14 finais disputadas. Tenista sempre bem adaptada à grama, Hantuchova saiu na frente do primeiro set, mas permitiu uma quebra e a decisão foi ao tiebreak. Na outra série, ua única quebra no final do set garantiu a conquista da atual número 60 do ranking. A eslovaca havia perdido a final do torneio em 2011.

Vekic, que treina atualmente na Inglaterra, é apontada como uma das revelações do circuito feminino. Esta foi sua segunda final de nível WTA, depois de Tashkent no final do ano passado. A última vez que uma tenista com 16 anos ou menos conquistou um torneio de primeira linha foi em 2006, com a austríaca Tamira Paszek, então com apenas 15.

A croata é a tenista mais jovem a ocupar um lugar entre as 350 primeiras do atual ranking feminino.

Wimbledon recusa dar convite para Kleybanov

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Moscou (Rússia) - A russa Alisa Kleybanova lamentou neste sábado não ter sido atendida em seu pedido de convite para a chave principal de Wimbledon. A jogadora, que já foi número 20 do ranking, tenta retornar às competições após longo tratamento do Linfoma de Hodgkins. O All England Club não lhe deu o convite, apesar de ter ainda duas vagas a indicar.

"É uma prerrogativa dos organizadores. Ele tiveram uma reunião para decidir sobre isso na semana passada e na quarta-feira me informaram da recusa", lamentou a russa. "Claro que existe muita competição e dinheiro envolvidos nisso, mas prefiro não pensar assim. Terei outros torneios para jogar. Wimbledon é um dos meus favoritos e sempre joguei bem na grama".

Kleybanova teve o diagóstico confirmado em 2011 para uma doença em estágio 2 do linfoma. Retornou à competição em Indian Wells deste ano e chegou a ganhar uma rodada, mas percebeu que não estava fisicamente em forma. Voltou a treinar e disputou em maio torneios de nível US$ 10 mil nos Estados Unidos, ganhando um deles.

"O negócio é continuar lutando para recuperar meu melhor nível. Respeito a decisão dos organizadores e ficarei na luta para chegar no lugar onde desejo estar", promete a tenista

Pela Copa Pan-americana, Brasil perde a semifinal para os Estados Unidos

Divulgação
Brasileiras não conseguiram superar a forte equipe norte-americana
Brasileiras não conseguiram superar a forte equipe norte-americana
Único país a utilizar o time juvenil na competição,o Brasil não conseguiu repetir a sequência de vitórias e foi derrotado para os Estados Unidos, neste sábado, em Lima, no Peru. O jogo foi válido pela semifinal da Copa Pan-americana e as brasileiras perderam por 3 sets a 0, com parciais de 25/11, 25/20 e 25/22. Agora, em busca do terceiro lugar, elas enfrentam a Argentina, neste domingo.
O técnico Luizomar de Moura começou o jogo utilizando a levantadora Giovan, a oposto Sara, as centrais Saraelen e Valquíria, as ponteiras Gabi e Rosamaria e a líbero Dani Terra. Ao longo do confronto entraram Naiane, Maira, Domingas e Milka.
Assim como nas quartas de final contra o Canadá, Gabi foi a principal jogadora brasileira e a grande destaque do jogo, com 14 pontos marcados. Pelas adversárias, a maior pontuadora foi Rachael Adams, que marcou 12.
Na primeira partida do torneio, o Brasil estreou com uma derrota para a República Dominicana. Na sequência, a equipe se recuperou e venceu o México e a Colômbia para fechar a primeira fase. Nas quartas, contra o Canadá, as brasileiras conseguiram uma difícil vitória por 3 sets a 2.

Halep enfim conquista o primeiro título da carreira

Nuremberg (Alemanha) - Após três tentativas frustradas, enfim a romena Simona Halep conseguiu seu primeiro título de nível WTA da carreira. A tenista de 27 anos derrotou a alemã Andrea Petkovic, por duplo 6/3, na decisão do torneio de Nuremberg, disputado sobre o saibro.

Petkovi ganhou convite dos organizadores e disputou sua primeira final em 20 meses, após sofrer uma série de contusões. A ex-número 10 do ranking buscava seu terceiro troféu.

Já no torneio de Birmingham, na Inglaterra, a adolescente Donna Vekic, de apenas 16 anos, está na decisão, após derrotar a eslovaca Magdalena Rybarikova, cabeça 16 da semana, com parciais de 7/6 (7-5), 1/6 e 6/3. Vekic é croata, mas está morando na Inglaterra.

Sua adversária será a experiente eslovaca Daniela Hantuchova, que sofreu para derrotar de virada a norte-americana Alison Riske, por 5/7, 6/1e 6/4. Riske saiu do qualificatório e derrotou na manhã do próprio sábado, em partida suspensa na véspera pela chuva, a alemã Sabine Lisicki, por 7/6 (7-2), 2/6 e 6/4.

Halep confirma favoritismo e conquista primeiro título da carreira

Getty
A romena Simona Halep golpeia bola durante o US Open
A romena Simona Halep ganhou seu primeiro título de nível WTA
A romena Simona Halep estragou a festa alemã e conquistou o título do WTA de Nuremberg, na Alemanha, nesta sábado, com a vitória sobre a tenista local Andrea Petkovic, em 2 sets a 0, com parciais de 6/3 e 6/3, após 1h25.
Cabeça de chave número 7, Halep era a principal favorita, mas a adversária chegava com uma zebra, já que havia eliminado a cabeça de chave 1 Jelena Jankovic na semifinal. No entanto, mesmo com a boa campanha, que ao longo do torneio derrotou as cabeças 4, 8 e 1, a alemã não ofereceu grande resistência à adversária.
Aos 21 anos e atualmente na 58ª posição, a romena recebe o troféu da competição alemã e ganha o primeiro título de nível WTA da carreira. Na temporada, a tenista havia se destacado em maio, quando chegou à semifinal do Premier de Roma, perdendo para a norte-americana Serena Williams, melhor tenista da atualidade.
A partida deste sábado começou equilibrada. Com boas devoluções, a alemã chegou a ter grandes chances de quebrar o serviço, mas não soube aproveitá-las. No quinto ponto, Halep foi a primeira a conseguir uma quebra, o que a deixou em vantagem até o final da parcial.
No segundo set, Petkovic deu indícios de que iria começar surpreendendo, já que fez 40/15 no primeiro ponto. No entanto, a romena reagiu, salvou dois break-points e confirmou o serviço. Na sequência, ela mesmo conseguiu uma quebra, abriu 3/0 e deixou a situação mais fácil para garantir o primeiro título da carreira.

Estreia sem susto

Uma das máximas do futebol ensina que é importante estrear com vitória, ainda mais em competições de tiro curto. Com resultado positivo, espanta-se tensão e decrescem as dúvidas, na mesma proporção em que aumentam confiança e chance de classificação. Por essa perspectiva, foram impecáveis os 3 a 0 sobre o Japão, na abertura da Copa das Confederações. Triunfo sem sobressaltos, que deu a medida da diferença entre as equipes. Felipão e seus rapazes podem curtir relaxados o domingo de folga.
Noves fora a constatação inicial, é preciso deixar claro que o Brasil desempenhou o papel que se esperava de um anfitrião de grosso calibre - quer dizer, cumpriu com a obrigação. E o fez com certo brilho, elegância e atenção. Com raros momentos de comportamento burocrático. Não foi brilhante - ainda continua comum, como observei, depois de ganhar da França -, tampouco passou tédio ao público.
Concentração talvez tenha sido o aspecto mais agradável da turma de Luiz Felipe Scolari. O pessoal levou a sério o desafio, como manda o manual do profissional correto. Como consequência dessa atitude, não passaram de esporádicos os episódios de desatenção, assim como erros de marcação. Vá lá que os japoneses não exigiram suor acima da conta - Julio Cesar apareceu no máximo com três defesas. Também os brasileiros não vacilaram a ponto de tomarem sustos. Deu pra perceber, desde que a bola começou a rolar no irregular gramado do Mané Garrincha, que o adversário oriental, já classificado para o Mundial, não seria páreo duro. E não foi, ainda bem.
A largada feliz começou pelo meio-campo, em geral o fiel da balança de qualquer equipe. Luiz Gustavo e Paulinho barraram arroubos ofensivos dos nipônicos, e receberam ajuda dos laterais, fora Hulk e Oscar. A estratégia prevaleceu cedo, e o lindo gol de Neymar aos 3 minutos deixou o rival grogue.
Neymar acabou com a cobrança de que amargava jejum de sei lá quantas horas. Os amantes das estatísticas estapafúrdias advertiam que faltavam uns poucos minutos para superar o próprio "recorde negativo" de mandar a bola às redes. Essa zica foi pro espaço, e vale notar que o rapaz não caiu muito após as divididas. Neymar saiu na metade do segundo tempo (Lucas entrou no lugar dele) por precaução, já que sentia dores. Até então, havia sido um dos destaques, ao lado de Oscar.
Ambos jogaram de acordo com a categoria que possuem e reforçaram a sensação de que a seleção vai girar, cada vez mais, em torno deles. Não se trata de supervalorização, porque são mesmo os que têm talento de sobra. Só continuo com um pé atrás pela idade e rodagem baixas. Espero que Felipão faça a cabeça da dupla para não encarar a missão como fardo pesado pra carregar. Se estiverem serenos, a tendência é a de ditarem o ritmo do time, agora e principalmente dentro de um ano.
Ainda tem vento pra chuchu pra soprar, o México será mais complicado e, espera-se, a Itália o osso duro de sempre. Mas, devagar, se delineia o contorno da amarelinha: a defesa se consolida com Julio Cesar, Daniel Alves (caiu muita na segunda parte), Thiago Silva (firme), David Luiz e Marcelo. No meio, Luiz Gustavo protege bem, Paulinho continua incansável (e faz gols, para o bem de crítica, torcida, companheiros e certamente também o treinador), Oscar assume a condição de maestro e Hulk carrega piano, é jogador que se encaixa no espírito que Felipão pretende ver. Neymar é intocável e Fred, o costumeiro centroavante, que some e aparece na hora certa (ontem, discretamente).
A seleção tem uma cara, tende a evoluir, afinar o entrosamento - e não pode ser diferente. Fico só a imaginar com que cara foram pra casa a presidente Dilma e Joseph Blatter. As vaias que tomaram não estavam no gibi. O manda- chuva da Fifa ensaiou um pito na plateia, na base do "que é isso, gente?", e ouviu assovios mais forte, interpretados como "vai mandar em outra freguesia". Na próxima, chama o Pelé. É mais seguro.

De olhos bem abertos

Os japoneses arregalaram seus olhos quando Neymar acertou o sem-pulo e acabou com seu jejum de gols. O estádio inteiro também arregalou seus olhos. E Neymar respirou fundo, de olhos bem fechados.
A seleção também respirou aliviada.
Depois do gol, o jogo do primeiro tempo pode ser chamado de insosso ou paciente. Levando em conta o fato de o time estar em construção, a troca de passes lenta entre os zagueiros foi uma qualidade. Mesmo quando Thiago Silva e David Luiz abusaram de lançamentos longos.
A ligação direta é evidência de que é preciso melhorar a saída de bola. Precisa sair pelos laterais e pelos volantes também. A dificuldade existe, porque ainda há uma distância enorme entre Luiz Gustavo e Paulinho e a linha dos três armadores, Hulk, Neymar e Oscar, o que produziu contra-ataques japoneses.
Quando a bola chegou aos quatro da frente, houve muito mais deslocamentos e trocas de posição do que contra Inglaterra e França (veja ilustração). Esse é o grande avanço. Exemplo é Fred sair da área para ajeitar com o peito no lance do gol. Ou Neymar deixar Fred na cara do gol depois de uma arrancada pela esquerda, aos 42 minutos.
Bom também o apoio de Paulinho, autor do segundo gol, dentro da área inimiga, em outra jogada iniciada por Neymar.
Não se esqueça de que o Japão é bem estruturado por Alberto Zaccheroni, técnico campeão italiano pelo Milan em 1999. A vitória não é de se desprezar.
A seleção terminou o jogo no 4-3-3 que Felipão testa como alternativa e que teve o ápice no lindo passe de Oscar para o terceiro gol, de Jô.
A seleção progride. O Brasil de Dilma Rousseff e a maior vaia de seu mandato, não. Escudos transparentes, cassetetes, capacetes reluzentes e a determinação de manter tudo em seu lugar.


Selvagem! Os versos acima, dos Paralamas, banda da turma de Brasília, são de um tempo em que cidade fazia mais sucesso.

domingo, 16 de junho de 2013

Copa das Confederações

16h00 México 1x2 Itália
19h00 Espanha 2x1 Uruguai

Argentino

14h15 Unión 1x1 Vélez Sarsfield
16h10 All Boys 0x1 Racing Club
16h10 Atlético Rafaela 0x3 Newells Old Boys
18h10 Boca Juniors 1x0 Arsenal Sarandí
21h30 Lanús 5x1 River Plate

Eliminatórias Africanas



09h00 Tanzânia 2x4 Costa do Marfim
10h00 Etiópia 2x1 África do Sul
10h00 Lesoto 0x2 Gana
10h00 Moçambique 0x1 Egito
10h30 Ruanda 0x1 Argélia
11h30 Congo RD 0x0 Camarões
13h00 Guiné Equatorial 1x1 Tunísia
13h00 Libéria 0x2 Senegal
14h00 Guiné 2x0 Zimbábue
15h00 Mali 2x2 Benin