terça-feira, 25 de setembro de 2012

O bom duelo tático no Independência


O Fluminense agradece o empate sem gols em Belo Horizonte. Mas quem assistiu ao duelo entre os outros dois candidatos ao título brasileiro de 2012 não pode reclamar do que viu. Principalmente no duelo tático entre times e treinadores.

Ao contrário do que o blog tentou prever (RELEIA AQUI), Cuca começou com Carlos César na lateral direita, Leonardo na frente e Guilherme pela direita. Provavelmente para não mudar as características dos substitutos de Marcos Rocha e Jô, mas fazendo uma alteração em função do adversário.
O treinador atleticano definiu as perseguições individuais: Pierre pegava Elano e Leandro Donizete cuidava de Zé Roberto. Richarlyson se juntava a Leonardo Silva e Rever para marcar Marcelo Moreno e Kléber com sobra. Pela direita, Carlos César batia com Anderson Pico, já que Guilherme ficava mais centralizado, dividindo com Ronaldinho a atenção de Souza e Fernando.
A movimentação defensiva mudou a dinâmica de ataque do Galo e confundiu o Grêmio de Luxemburgo. O 4-4-2 “híbrido” dos últimos jogos – duas linhas de quatro sem a bola e muita movimentação do quarteto ofensivo em um típico 4-2-2-2 na transição ofensiva – deixava muitos espaços às costas dos volantes (ou meias centrais) e Carlos César voava para cima do lento Anderson Pico, com Fernando atento a Guilherme sem poder auxiliá-lo e Zé Roberto sem saber a quem marcar.


As perseguições individuais do Galo confundiram o Grêmio de Luxa
As perseguições individuais do Galo confundiram o Grêmio de Luxa

Depois de 15 minutos de pressão e muita intensidade dos donos da casa, Luxa corrigiu invertendo o posicionamento de Elano e Zé Roberto e quebrando o ritmo com jogo de passes curtos, ganhando metros de campo e obrigando o adversário a marcar de forma menos agressiva. O primeiro tempo seguiu intenso, pegado e mais igual, apesar dos 63% de posse atleticana. Inclusive nos chutes no travessão: Carlos César ganhando de Pico e batendo forte; Elano em cobrança de falta.

Na segunda etapa, foi a vez de Luxa confundir o técnico do oponente. Abriu Kléber pela esquerda e repaginou o tricolor gaúcho numa espécie de 4-2-3-1, centralizando Zé Roberto. Para não prender Carlos César, Cuca abriu Leonardo Silva quase como lateral para acompanhar o Gladiador, centralizou Richarlyson e abriu Pierre pela esquerda para seguir acompanhando Elano. Não funcionou e o Grêmio cresceu no jogo.

Também pela ótima atuação de Pará, que anulou Bernard e ainda apareceu na frente para roubar bola de Richarlyson na intermediária atleticana e servir Moreno, que perdeu gol feito em uma das nova conclusões erradas dos gremistas – apenas duas na direção da meta de Victor contra cinco do Atlético-MG (sete no total). Pouco antes, Cuca tentou melhorar a produção ofensiva com Neto Berola na vaga de Guilherme, mas o time mineiro perdeu força. 

Com Marquinhos, Léo Gago e André Lima nas vagas dos exaustos Elano, Zé Roberto e Kléber, o Grêmio ficou preso atrás nas duas linhas de quatro e perdeu a saída para os contragolpes. Mas Cuca também não foi feliz nas mexidas. Serginho não manteve a força ofensiva de Carlos César nem Ronaldinho foi a esperada referência na frente com a troca de Leonardo por Escudero. O Galo ficou com a bola (terminou com 53% de posse), mas pouco criou.

De notável, apenas as duas faltas na entrada da área sofridas por Neto Berola que Heber Roberto Lopes não marcou provavelmente pelo histórico de simulações do atacante. Pouco para times que precisavam tanto da vitória para não verem o líder abrir vantagem e pela expectativa do reencontro de Victor com o Grêmio e Luxemburgo com Ronaldinho.

Mas não o suficiente para entrar em desespero. A disputa segue aberta e interessante. Tão boa quanto a partida e o duelo tático no Estádio Independência.

De Neymar a Ganso: a cotação das estrelas no Brasileirão cheio de 'craques'

Ainda falta 1/3 do Brasileirão. 12 rodadas. Mas a janela de inscrições já fechou. Dá para fazer uma primeira avaliação do desempenho dos principais jogadores no campeonato mais 'estrelado' no país nas últimas décadas. Tem Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Fred, Seedorf, Forlán, Lucas... Quem diria... Vamos avalia-los?

Bernard (Atlético-MG): Revelação do Campeonato Brasileiro. Rápido, inteligente, imprevisível. Vai ser de fato testado nesta reta final. Nota: 8

Ronaldinho Gaúcho (Atlético-MG): Superou as expectativas. Mais interessado, mais magro, mais focado, mais participativo que no Flamengo. Voltará a ser de fato decisivo? Nota: 7,5

Kléberson (Bahia): Longe de ser o jogador protagonista do penta em 2002. Jamais se firmou como titular, e conviveu com lesões. Nota: 5

Mancini (Bahia): Outro que decepcionou, e nunca foi de fato titular da equipe. Mostra dificuldade de adaptação aos sistemas táticos brasileiros. Nota: 5,5

Renato (Botafogo): Começou bem. Caiu. Se lesionou. Não tem mais posição garantida no time, com a ascensão dos jovens no meio-campo da equipe. Nota: 6,5

Seedorf (Botafogo): Veio como grande estrela. Estranhou no início. Penou com a sequência de jogos, mas engrenou. Mostra vitalidade, comprometimento e talento. Nota: 7,5

Douglas (Corinthians): Só virou titular com a saída de Alex. Emagreceu, entrou em forma, e voltou, aos poucos a brilhar. Mas ainda falta muito. Nota: 6

Emerson (Corinthians): Confusões, lesões, falta de interesse. Fez (e como...) seu papel na Libertadores e no Brasileiro, assim como o time, vive momento discreto. Nota: 6,5

Lincoln (Coritiba): Só virou titular recentemente. Alterna boas e más partidas e ainda tem dificuldade em manter o ritmo durante um jogo todo. Nota: 6

Deivid (Coritiba): No Flamengo, foi mal este ano. Entrou bem na equipe do Coxa, mas sua missão nesse campeonato ainda é maior. Ainda está devendo. Nota: 5,5

Montillo (Cruzeiro): Depois de ser disputado a tapa no início do ano, não repetiu no mexido Cruzeiro o desempenho da temporada anterior. Nota: 6

Tinga (Cruzeiro): Vem tendo a sequencia de jogos que tanto desejava, mas, como volante ou meia, não brilhou como se esperava. Nota: 6

Vágner Love (Flamengo): Joga (quase) todas, faz gols, dá assistências. Falta melhor companhia. Mas está fazendo o dele. Nota: 7,5

Ibson (Flamengo): Discreto no Santos, continua discreto no clube de coração. Não consegue ser armador e nem volante. Nota: 5,5

Fred (Fluminense): Um dos artilheiros do campeonato. Quando não está machucado, resolve. E, além de tudo, é líder nato da equipe. Nota: 8

Deco (Fluminense): O problema é o de sempre: excesso de lesões. Quando joga, joga bem. Carece de maior sequência. Nota: 7

Thiago Neves (Fluminense): Mais regular que seus companheiros de time, porém menos decisivo. Tem feito bom campeonato. Nota: 7,5

Zé Roberto (Grêmio): Ainda tem fôlego e talento de sobre. Tem jogado melhor como volante do que como meia de criação. Nota: 7,5

Elano (Grêmio): Visto como 'acabado' no Santos, voltou a jogar bem sob o comando de Vanderlei Luxemburgo. Nota: 7

Kléber (Grêmio): Cartões, gols, polêmicas. É o Kléber de sempre. Para o bem, para o mal. Ainda carece de maior constância. Nota: 7

D´Alessandro (Inter): Mais confusões e reclamações do que boas partidas. Tenta nesta parte final uma sequência boa. Nota: 6,5

Forlán (Inter): Demorou a se adaptar. Custou a fazer o primeiro gol. Mas parece estar engrenando. Nota: 6,5

Leandro Damião (Inter): Não repete o brilhantismo da temporada anterior, mas continua fazendo gols importantes. Nota: 7

Valdívia (Palmeiras): Ausências, cartões, lesões. Demorou a engrenar. Tem a missão de livrar o time do rebaixamento. Nota: 5,5

Barcos (Palmeiras): Não foi tão atingido assim com a queda abrupta da equipe. Chegou a ser convocado para a seleção argentina. Nota: 6,5

Marcos Assunção (Palmeiras): Sem as bolas paradas dele, o time simplesmente não funciona. Voltou de lesão recentemente. Nota: 6,5

Dida (Portuguesa): Um tempão sem jogar, uma escolha 'estranha'. Mas vem sendo um dos melhores goleiros do campeonato. Nota: 7,5

Neymar (Santos): E não é que ele ficou 'sozinho'? Quando não joga, o time é um desastre. O problema é que joga pouco (por conta da seleção). Nota: 8

Rogério Ceni (São Paulo): Voltou de lesão e emendou sequência de jogos. O time ficou mais seguro com ele, mas vem de atuações 'normais'. Nota: 6,5

Lucas (São Paulo): Entre idas e vindas pela seleção, alguns bons jogos. Vive seus últimos momentos no clube. Nota: 7

Luís Fabiano (São Paulo): Um dos artilheiros do campeonato, mas muitas lesões e algumas suspensões. Quando está em campo, é decisivo. Nota: 7

PH Ganso (São Paulo): Não jogou pelo novo clube e fez pouquíssimo pelo antigo (Santos), até porque esteve muito com a seleção. Nota: 5

Juninho Pernambucano (Vasco): Cérebro do time. Ótimo início de campeonato. Uma pequena queda, até pela sequência de jogos. Nota: 8

Felipe (Vasco): Algumas desavenças, poucos jogos em sequência, sem o fator decisivo de outros tempos. Nota: 6

Dedé (Vasco): Zagueiro ilustre na lista. Não repete a temporada passada, mas faz um bom campeonato. Nota: 7


Investimento e experiência: perigos africanos para o Corinthians

O futebol africano foi o responsável por acabar com uma das máximas que imperavam sobre o Mundial de Clubes da Fifa, desde que assumiu o atual formato. Antes de 2010, quando o Mazembe eliminou o Internacional e chegou à decisão do título, as semifinais do torneio eram vistas como meras formalidades para os representantes de Europa e América do Sul.

A lembrança de dois anos atrás tem de estar viva para o torcedor do Corinthians, que pode ver seu time enfrentar o campeão africano na luta por uma vaga na final. Será o caso se o vencedor da CAF Champions League superar, em seu primeiro compromisso, o vencedor do duelo entre o campeão japonês da temporada e o Auckland City, campeão da Oceania.

O torneio de clubes africano está na fase semifinal, que terá seus jogos de ida no primeiro fim de semana de outubro. O Mazembe pega o Espérance, da Tunísia, enquanto os egípcios do Al Ahly medem forças com o Sunshine Stars, da Nigéria.

Bicampeão africano em 2009 e 2010, o Mazembe só não teve a oportunidade de buscar o tricampeonato em 2011 por causa da escalação de um jogador irregular nas fases classificatórias. 

A principal força do time é o entrosamento do elenco, que mantém a base há várias temporadas, incluindo o folclórico goleiro Kidiaba, que chamou a atenção por suas curiosas celebrações. Os defensores Sunzu e Sinkala ajudaram a Zâmbia a conquistar a Copa Africana de Naçoes no início do ano e também são peças importantes.

O Mazembe, que já havia sido bicampeão continental nos anos 60, voltou a ser uma potência continental graças ao investimento do empresário Moise Katumbi Chapwe, governador da província de Katanga, sul da República Democrática do Congo. 

O encontro com o Espérance na semifinal é motivo para boas lembranças. Foi justamente o time tunisiano o adversário na última conquista, em 2010, quando o Mazembe goleou por 5 a 0 na primeira partida e confirmou o título com um empate por 1 a 1 na volta. 

O Espérance, que deu a volta por cima com o troféu em 2011, espera se vingar dos congoleses e confia muito no futebol do talentoso meia-atacante Youssef Msakni, que aos 21 anos já é figura importante na seleção nacional. Caso vá ao Mundial, terá reforço importante no ataque: Emmanuel Clottey, artilheiro da CAF Champions League pelo Berekum Chelsea, de Gana.

Do outro lado da chave, o Al Ahly tem alguns dos jogadores mais experientes do futebol africano. O momento do futebol egípcio, porém, não é dos mais animadores. O clube ainda vive o trauma do massacre que vitimou 74 torcedores em Port Said, no início do ano, e provocou o cancelamento da temporada 2011/12. A seleção ficará fora da CAN pela segunda edição consecutiva.

A temporada egípcia começa em outubro e o Al Ahly, de nomes como Aboutrika, Barakat e Gomaa, espera recuperar algum ritmo de competição. O clube é recordista em participações no Mundial da Fifa, com três, e tem o terceiro lugar de 2006 como melhor colocação, alcançada com a vitória sobre o América do México após perder a semifinal contra o Internacional.

O Sunshine Stars, adversário do Al Ahly, fica atrás dos concorrentes em termos de estrutura e já é vitorioso por alcançar as semifinais em sua primeira participação no torneio. Discussões entre jogadores e dirigentes por pagamentos atrasados têm afetado a preparação da equipe para o confronto.

Assim como o Mazembe, o Sunshine Stars tem um político como investidor. De acordo com a imprensa nigeriana, porém, Olusegun Mimiko tem deixado a equipe de lado em prol de sua campanha pela reeleição ao governo de Ondo State.

Em tempo: no Japão, faltando oito rodadas para o final, o líder é o Sanfreece Hiroshima, com 50 pontos. Os principais concorrentes são o Vegalta Sendai, com 48, e o Urawa Red Diamonds, com 45. Dos três, apenas o último tem experiência prévia em Mundiais.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Argentino

17h10 Estudiantes 2x1 Arsenal Sarandí

Espanhol

14h45 Rayo Vallecano 0x2 Real Madrid
16h30 La Coruña 0x2 Sevilla

Português

15h00 Estoril 3x1 Marítimo
16h15 Sporting 2x1 Gil Vicente

Seedorf brilha no empate entre Bota e Corinthians

A contratação de Clarence Seedorf é dos bons episódios do Brasileiro de 2012. O holandês acrescentou qualidade ao Botafogo e hoje, sem exagero, é o jogador que mais se destaca. Em pouco tempo, assumiu liderança no grupo e chamou responsabilidade nos momentos complicados. Como no clássico deste domingo com o Corinthians: não só marcou os dois gols da equipe, no empate por 2 a 2, como deu passes, cobrou faltas, ordenou o jogo.
Seedorf tem 36 anos, não é garoto nem deve prolongar a carreira por muito tempo. Mas, até o momento, desmente quem visse sua aventura no Brasil apenas como uma oportunidade para curtir as praias e o sol do Rio, ou como um período de férias remuneradas. Ele faz a parte que lhe cabe e, por seu talento, alimenta a esperança do torcedor de que o time possa garantir uma vaga para a Taça Libertadores de 2013.  Objetivo possível, mas um tanto difícil.
Difícil porque o Botafogo oscila, como mostrou no Engenhão. Como em tantas outras partidas, teve altos e baixos, o que emperra voos mais ousados. Largou bem, com o gol de Seedorf aos 4 minutos, mas sentiu o baque com a virada corintiana, nos gols de Guerrero aos 7 e de Douglas, de pênalti, aos 11. O pênalti existiu, em cima de Martinez, que pegou rebote de Jefferson após chute de Romarinho. O detalhe: Martinez estava impedido.
O Botafogo teve o mérito de não baixar a guarda, ao ficar em desvantagem, e insistir. O prêmio veio com o segundo gol de Seedorf, na etapa final. Não vale nem falar que o holandês teve sorte nos dois lances, porque em ambos contou com algum desvio de corintianos. Explicação com indisfarçável dor de cotovelo. Fez os gols, porque os procurou.
O resultado deixa o Botafogo ainda a flertar com o bloco principal da competição. Para o Corinthians não altera nada. A intenção de Tite e seus rapazes é manter ritmo constante, para que o time chegue forte no Mundial de Clubes, no final do ano, no Japão.
Neste domingo, não jogaram, por motivos diversos, Fábio Santos, Chicão, Emerson, Danilo. O rodízio será mantido até algumas rodadas antes do encerramento, quando então entrará em campo sempre o time principal. Estratégia interessante.

Diante da criatura

A vitória sobre o Figueirense é um símbolo de esperança. Se representa ou não a guinada do Palmeiras no Brasileirão, só as próximas rodadas poderão dizer. A derrota para o Corinthians empurrou a família Scolari para o abismo, ampliou a fragilidade administrativa da instituição e desenvolveu incertezas.

A semana quase terminou sem treinador, não fosse a disposição de Gilson Kleina ao risco. Por que não aceitar o desafio? Se conseguir evitar o retorno do clube ao inferno, as consequências para a carreira serão muito maiores do que se cair. A permanência na elite é um feito heroico diante da queda anunciada.
O risco de rebaixamento ainda é gigantesco, mas a troca pode despertar o time que duvidou do próprio sofrimento, certo da imunidade gerada pelo título da Copa do Brasil. Jogadores profissionais deveriam nascer vacinados contra o vírus que amolece as pernas e o pensamento.
A sorte palmeirense é que liderança, maturidade e capacidade técnica não são problemas para Marcos Assunção, perfeito em Florianópolis: foram dois cruzamentos para gol e uma bola na rede num placar de 3 a 1. Aos 36 anos, trata-se de destreza impar no futebol brasileiro.
O mérito do Palmeiras foi tocar a ferida dos defeitos do adversário. A defesa catarinense e as saídas em falso do goleiro Wilson foram determinantes para a derrota. Seria injusto, porém, usar esses erros para diminuir o tamanho da vitória. Recentemente o Figueirense empatou com o Fluminense e superou Corinthians, Cruzeiro e Coritiba. Havia com o que se preocupar.
O melhor da noite, entretanto, estava reservado para o fim do confronto. Assunção exibiu seu caráter para mostrar a porta de saída da crise: a mudança de comportamento. Sem ela Gilson Kleina será apenas mais um nome na lista dos treinadores palmeirenses.
"Não precisou mudar de técnico, o que mudou foi a atitude. Se o Felipão estivesse aqui, se nós não quiséssemos, não ia adiantar." A objetividade e a clareza da frase não tiram o mérito do novo chefe. Afinal, parte dessa mudança de postura pode até ser atribuída a ele, pela transformação do ambiente.
Não houve nenhuma revolução. O sistema de jogo era do conhecimento de todos, assim como as bolas extraordinárias de Assunção. A saída está na reação individual e no esforço coletivo. Cada um pode fazer a sua leitura do resultado.
Além de ajudar a reestabelecer a confiança, Kleina agora enfrentará a ainda sua Ponte Preta, que contratou Guto Ferreira, do Mogi Mirim, para comandá-la. Se o substituto de Felipão chegou precisando criar um fato novo no Palmeiras, a primeira tarefa de Ferreira é não estragar o que vem funcionando.
Diante de tanto sofrimento atrás de uma rota de fuga, a conclusão é a seguinte: no sábado, no Pacaembu, Kleina enfrenta ele mesmo, tendo a vantagem de poder explorar os defeitos e neutralizar as virtudes de sua criatura. Que oportunidade!

Vai dar Mundial

Hoje é o dia do sorteio das chaves do Mundial de Clubes. Tite não quer saber. Diz quase não assistir ao Chelsea jogar. "Por enquanto, deixo para os meninos", diz, referindo-se à sua equipe. Por ora, o objetivo do Corinthians é fazer 43 pontos: "Depois começamos a pensar no Mundial", diz o técnico. Se pensasse mais sobre o assunto, Tite estaria entre a ansiedade e a realidade. O Chelsea, possível rival da final do Mundial de Clubes, não está jogando bem. É líder do Campeonato Inglês, mas soma quatro jogos ruins seguidos. Derrota por 4 x 1 para o Atlético de Madrid, empates contra Queen's Park Rangers e Juventus de Turim, vitória por 1 x 0 sobre o Stoke City sábado. Jogando mal!

O técnico Roberto Di Matteo trocou a firmeza defensiva das finais da Liga dos Campeões (veja a ilustração 1) pela incerteza de três meias leves que criam e marcam pouco. Oscar joga bem, o espanhol Mata não e o belga Hazard começou muito bem, deu quatro passes para gol, mas caiu de produção. O problema é que o Corinthians também não convence, ainda. Oscila. É o Robin Hood do Brasileirão, rouba pontos dos grandes, devolve aos pequenos e empata contra os de aspiração média, como o Botafogo.

Além de se aproximar dos 43 pontos, Tite deseja outra coisa: encontrar seu centroavante. "O time foi desenhado para isso", afirma. Nesse aspecto, o empate de ontem, contra o Botafogo, foi positivo. O primeiro gol do peruano Guerreo pelo Corinthians dá confiança para que se firme como o dono da camisa 9. Aos poucos, ele se acostuma ao sistema tático que Tite pretende repetir no Mundial, em comparação com a Libertadores: marcação pressão, com início no centroavante. Ao mesmo tempo, o Chelsea lidera na Inglaterra, mas sem mostrar a mesma força da reta de chegada da Liga dos Campeões. A impressão é que vai dar jogo!

domingo, 23 de setembro de 2012

Brasileirão Série A

16h00 Botafogo 2x2 Corinthians
16h00 São Paulo 1x0 Cruzeiro
16h00 Ponte Preta 0x0 Vasco
16h00 Atlético-GO 1x2 Flamengo
18h30 Internacional 3x1 Bahia
18h30 Atlético-MG 0x0 Grêmio
18h30 Sport 1x0 Coritiba

Brasileiro Série D

15h30 Cianorte 1x2 Mogi Mirim
16h00 Baraúnas-RN 2x0 Campinense-PB
17h00 Sampaio Correa-MA 0x0 Mixto

Brasilerão Série C

15h30 Caxias 1x0 Tupi
16h00 Cuiabá-MT 5x1 Treze-PB
16h00 Icasa 0x1 Luverdense
16h00 Salgueiro 0x0 Fortaleza
16h30 Guarany de Sobral 3x2 Águia de Marabá

Argentino

15h10 River Plate 0x1 Racing Club
17h10 San Martín 4x0 Quilmes
17h10 Colón 1x2 Newells Old Boys
19h15 Lanús 2x0 Boca Juniors

Copa Kaiser SP

13h Nápoli EC Vila Industrial 0x0 Juventus da Liberdade
13h Classe A 1x1 EC Noroeste
13h Turma do Baffô 2x0 Cantareira
13h EC Ajax 2x0 Tiradentes

Português

12h00 Vitória de Setúbal 1x0 Olhanense
12h00 Nacional da Madeira 3x3 Paços Ferreira
14h00 Braga 4x1 Rio Ave
16h15 Acadêmica 2x2 Benfica

Copa Kaiser BH

11h45 (4) Inconfidência 1x1 Roma EC (3)

Inglês

09h30 Liverpool 1x2 Manchester United
11h00 Newcastle United 1x0 Norwich
12h00 Manchester City 1x1 Arsenal
12h00 Tottenham 2x1 QPR

Alemão

10h30 Bayer Leverkusen 1x1 Borussia Mgladbach
12h30 Werder Bremen 2x2 Stuttgart
12h30 Hoffenheim 3x1 Hannover 96

Francês

09h00 Bordeaux 2x2 Ajaccio
12h00 Olympique 1x0 Evian
16h00 Lille 1x1 Lyon

Italiano

07h30 Sampdoria 1x1 Torino
10h00 Atalanta 1x0 Palermo
10h00 Bologna 1x1 Pescara
10h00 Cagliari x Roma
10h00 Catania 0x0 Napoli
10h00 Internazionale 0x2 Siena adiado o jogo 
10h00 Udinese 2x1 Milan
15h45 Lazio 0x1 Genoa

Espanhol

07h00 Mallorca 2x0 Valencia
11h00 Levante 2x1 Real Sociedad
13h00 Atlético de Madri 2x1 Valladolid
14h50 Athletic Bilbao 0x0 Málaga
16h30 Rayo Vallecano x Real Madrid

sábado, 22 de setembro de 2012

Brasilerão Série D

19h30 Friburguense 3x1 CRAC-GO

Brasileirão Série A

18h30 Fluminense 2x1 Náutico
18h30 Figueirense 1x3 Palmeiras
21h00 Santos 1x3 Portuguesa

Português

16h30 Porto 4x0 Beira-Mar

Brasilerão Série C

15h45 Santo André 1x0 Madureira
16h00 Brasiliense-DF 3x2 Oeste
16h00 Macaé 0x0 Chapecoense
16h00 Duque de Caxias 1x1 Vila Nova-GO
16h00 Paysandu-PA 0x0 Santa Cruz-PE

Brasilerão Série B

15h00 Atlético-PR 2x1 Ceará
16h00 São Caetano 3x2 CRB
16h00 Grêmio Barueri 1x2 Boa
16h00 Ipatinga-MG 2x3 Criciúma
16h00 Vitória 3x1 Goiás
21h00 ASA 0x2 América-RN

Argentino

14h00 Argentinos Juniors 3x3 Unión
16h10 San Lorenzo 1x2 Vélez Sarsfield
20h20 Independiente 1x1 All Boys

Italiano

13h00 Parma 1x1 Fiorentina
15h45 Juventus 2x0 Chievo Verona

Francês

12h00 Bastia 0x4 PSG
15h00 Brest 2x1 Valenciennes
15h00 Lorient 1x1 Nice
15h00 Reims 2x0 Nancy
15h00 Sochaux 3x1 Troyes
15h00 Toulouse 2x2 Rennes

Espanhol

11h00 Zaragoza 3x1 Osasuna
13h00 Celta 2x0 Getafe
15h00 Betis 1x0 Espanyol
17h00 Barcelona 2x0 Granada-ESP

Alemão

10h30 Schalke 04 0x2 Bayern de Munique
10h30 Wolfsburg 1x1 Greuther Fürth
10h30 Mainz 05 2x0 Augsburg
10h30 Hamburgo 3x2 Borussia Dortmund
10h30 Fortuna Düsseldorf 0x0 Freiburg

Inglês

08h45 Swansea City 0x3 Everton
11h00 Chelsea 1x0 Stoke City
11h00 Southampton 4x1 Aston Villa
11h00 West Bromwich Albion 1x0 Reading
11h00 West Ham 1x1 Sunderland
11h00 Wigan 1x2 Fulham

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Brasilerão Série B

19h30 Avaí 2x0 Guaratinguetá
21h00 Joinville 3x1 Paraná Clube
21h00 ABC 3x1 Guarani

Argentino

19h10 Belgrano 1x0 Godoy Cruz
21h15 Atlético Rafaela 3x0 Tigre

Português

16h15 Moreirense 0x1 Vitória de Guimarães

Francês

15h45 Montpellier 1x1 Saint-Etienne

Alemão

15h30 Nuremberg 1x2 Eintracht Frankfurt

O desafio de Ganso

Paulo Henrique Ganso, agora, é do São Paulo e terá um novo desafio. Veja a análise!
Clique no player e veja a análise!

Fantasma de Felipão entra em cena e já atazana Mano dos manos

Antes das tradicionais chorumelas da Pachecada, é bom que se diga: o ‘Superclássico das Américas’ é um caça-níquel disputado por um grupo de brasileiros e uma turma de hermanos, com um pouco de rivalidade, e olhe lá! Genéricos com camisas tradicionais.

Isto posto, segue o baile. A vitória dos tupiniquins no Serra Dourada, conquistada na bacia das almas, serviu apenas para aliviar a barra do Mano dos manos.

A torcida já enchia o peito para homenageá-lo com uma estrepitosa vaia por causa da burocrática bolinha do time, quando o juiz marcou um pênalti em Damião – dificilmente seria assinalado se fosse na casa do tango, ainda mais aos 48min do segundo tempo. 

Em noite de chuteiras normais, Neymar cobrou e garantiu a virada por 2 a 1. Que começou com o apito amigo do trio paraguaio comandado por Carlos Amarilla: Paulinho, impedido, empatou. 

Mas Mano já sentiu na pele que não será nada fácil conviver com o fantasma de Felipão. Ao trocar Lucas ‘Marcelinho’ por Wellington Nem, mesmo num amistoso chinfrim, o ‘professor’ foi saudado aos gritos de ‘burro’, ‘adeus, Mano’ e ‘volta Felipão’ pela maioria dos torcedores (37.871). 

De nada adiantou a campanha do governo de Goiás para incentivar a equipe, ‘aconteça o que acontecer’, subsidiando mais da metade dos ingressos – gastou R$ 2 milhões. O fantasma de Felipão está mais vivo do que nunca. 
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Fumaça verde 1. Depois de uma chuva de raios, finalmente a chaminé do ninho dos periquitos em revista soltou a fumacinha verde: habemus ‘professor’. O cardeal Arnaldo Tirone, o popular Pituca, anunciou Gilson Kleina até dezembro de 2013. Ao lado de San Gennaro, o ex-treinador da Macaca terá a missão de salvar o clube da segunda degola em 10 anos. Se conseguir, ganhará até um busto no Palestra; se afundar com o time, dificilmente permanecerá, mesmo conhecendo o borbulhar do caldeirão do diabo (subiu com a Ponte em 2011), já que o clube elegerá novo presidente em janeiro. Kleina receberá R$ 300 mil por mês, R$ 200 mil a menos do que Falcão exigiu. Ele pintou como quarta opção, depois de Jorginho, Carpegiani e Falcão. Se não tem tu, vai tu mesmo. 

Fumaça verde 2. Aos 44 anos, Kleina, campeão alagoano pelo Coruripe (único título da carreira), será o 13 ‘professor’ dos periquitos em revista desde 2003, quando começou a era dos pontos corridos no Brasileirão. O troca-troca:

2003: Jair Picerni 
2004: Jair Picerni e Estevam Soares 
2005: Estevam Soares, Candinho, Bonamigo e Emerson Leão 
2006: Emerson Leão, Tite e Jair Picerni 
2007: Caio Júnior 
2008: Vanderlei Luxemburgo
2009: Vanderlei Luxemburgo e ‘Muriçoca’ Ramalho 
2010: ‘Muriçoca’ Ramalho, Antonio Carlos Zago e Felipão
2011: Felipão
2012: Felipão e Gilson Kleina

Fumaça verde 3. Nada contra, ao contrário. Mas não deixa de ser quiçá interessante e, por que não dizer, um tiro no escuro a contratação de Gilson Kleina num momento de tamanha turbulência. O Palmeiras deveria ao menos ter tentado convencer a dupla Marcos/Evair a comandar o time nos 13 jogos que faltam no Brasileirão. ‘São Marcos’ ficaria encarregado das palestras motivacionais, enquanto Evair sentaria no banco para comandar o time, já que chegou a dirigir algumas equipes. A escalação ficaria sob o crivo dos dois. Dois palmeirenses que certamente nenhum palmeirense (de verdade) contestaria num momento tão delicado.

Sugismundo Freud. Só os traidores não falam cara a cara.

Pif-Paf. Vice-presidente corintiano, Luiz Paulo Rosenberg confessou estar na torcida por uma grande virada palmeirense na reta final do Brasileirão. Entre tapas e beijos: ‘A maior sacanagem que o Palmeiras pode fazer com o Corinthians é voltar para a Série B. Jogar contra eles é certeza de seis pontos garantidos’. Caravaggio!

Dona Fifi. Novo hit domina os funcionários do Vasco: ‘Lata d'água na cabeça, lá vai Dinamite, lá vai Dinamite. Paga a conta e não reclama. Pela mão leva a grana, lá vai Dinamite...’ Clube espera normalizar a situação nesta quinta, após uma semana de seca.

Jambalaia. O rei Leão vai matar a saudade dos engomadinhos do Morumbi em 15 de outubro. O tenro encontro será na Justiça. Leão cobra uma grana do Tricolor, algo em torno de R$ 800 mil. O clube garante que não deve nada. Pagou o aviso prévio e a multa do FGTS. 

Tiro curto. Batismo do tatu-bola: Zé da Medalha.

Gilete press. “Santista fanático, daqueles que dedica uma parede em sua casa para fotos, camisas e objetos do time autografados por Pelé, Gilmar Mendes [ministro do STF] tem se queixado a colegas sobre a novela que se transformou a saída de Ganso do clube. Apesar de elogiar bastante o que Ganso fez pelo Santos, quer ele fora do time o mais rápido possível.” Faz sentido.

Twitface. Urubu confirma zagueiro Renato Santos e meia Cléber Santana na luta contra degola. Eles estavam no Avaí, disputando a série B. Tudo a ver.

Tititi d’Aline. Quem pode, pode, quem não pode se sacode. Quando tem vontade de saborear uma boa pizza, Ronaldinho aluga um jatinho, aterrissa no Rio, fecha um restaurante na Barra, devora alguns pedaços e volta para BH. 

Você sabia que... o goleiro Júlio César recusou proposta do Palmeiras antes de trocar a Inter de Milão pelo Queens Park Rangers?

Bola de ouro. Dilma Rousseff. A presidenta torpedeou a ideia de o governo perdoar a monstruosa dívida de R$ 5 bilhões dos clubes.

Bola de latão. Fluminense. Em apenas seis meses, a dívida do clube das Laranjeiras pulou de R$ 361 milhões para R$ 389 milhões.

Bola de lixo. Vasco. Mais um dia sem água e com humilhações nas redes sociais: ‘Torcedor que levar uma garrafa de água contra a Ponte entra de graça’.

Bola sete. “Não vou acompanhar o jogo porque irei ao cinema com uma amiga. Vou assistir ‘Intocáveis’. Mas vou torcer, pois tenho muitos amigos lá” (de Fred ‘Slater’, preocupadíssimo com o Superclássico das Américas). 

Dúvida pertinente. Palmeirense: dá para apostar em Gilson Kleina?

Lembra do time de Dunga? Quais daqueles jogadores você convocaria hoje?

Julio Cesar, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos (Gilberto); Gilberto SIlva, Felipe Melo, Daniel Alves e Kaká; Robinho e Luis Fabiano (Nilmar).

Foi com esse time que a seleção brasileira perdeu para a Holanda na Copa do Mundo de 2010, sendo eliminada na África do Sul. Terminava ali a "Era" Dunga como técnico da equipe cebeefiana. E vários jogadores sumiriam das convocações.

Mano Menezes tem trabalhado com muitos jovens. Mesmo no duelo com a Argentina, contando apenas com atletas que atuam no país, manteve os garotos como maioria. Já técnico "hermano", Alejandro Sabella, optou por um grupo repleto de "trintões".

Mas e se Mano quisesse um time mais velho e "cascudo". Poderia contar com os ex-Dunga's Boys? De 2010 para vá, exceto por Daniel Alves, que costuma se chamado pelo treinador, todos estão em fases piores do que as que viviam na última Copa do Mundo.

Você chamaria alguns daqueles jogadores para a seleção de hoje? 
Reprodução
Júlio César posa com a camisa do Queens Park Rangers
Júlio César com a camisa do Queen's Park Rangers: do campeão europeu para um pequeno time londrino

O que se tira de bom do amistoso da seleção brasileira contra a Argentina

A vaia e o grito de Felipão aconteceram logo depois da  troca de Lucas por Wellington Nem e, do nado, a notícia de Goiânia passou a ser o pedido pelo ex-técnico do Palmeiras: "Volta, Felipão!" 
E, a partir desse momento, pouca gente perguntou se a reclamação pela saída de Lucas era justa ou se justo é o pedido por Felipão, demitido do Palmeiras em 19o lugar no Brasileirão.

Definitivamente, não é a hora de Felipão na seleção.
E Lucas fazia lances de efeito, não mais do que isso.

A alteração foi normal, até para ver Wellington Nem em ação.
De bom do ponto de vista individual, entre as atuações da seleção de ontem, Paulinho. A cada atuação, mais o volante do Corinthians parce tomar conta da posição.

Neymar foi o cara do jogo, mas sem ser o craque do Santos. Decidiu com o gol de pênalti - que houve -- no último minuto do jogo. Também houve impedimento no gol de Paulinho, o do empate por 1 x 1. A seleção controlou o jogo, teve o pecado de levar o contra-ataque do gol argentino. Pecado também da dificuldade de entrar na cerrada defesa adversária. Mas jogou bem.

Quanto aos pedidos de Felipão, a torcida de Goiânia, que aplaudiu, é um retrato da torcida da seleção brasileira. Tire Mano Menezes e escale Felipão como técnico. E no terceiro jogo haverá uma faixa pedindo Muricy... ou Dunga...

Vida longa no circuito versus as lesões

Fui fazer um evento estes dias com o Dr. Rogerio Teixeira, que está no mundo do tênis há muito tempo e tem muita experiência no nosso esporte, e conversando com ele me deu vontade de escrever sobre um assunto muito discutido na nossa viagem.

Vida longa no circuito contra lesões.

Com a lesão do Nadal, a vida longa do Federer, a velocidade em quadra do Djokovic e as costumeiras lesões da grande maioria dos atletas, uma discussão importante vem sendo colocada sobre a mesa.
Será que o tênis está no caminho certo? Será que um jogo de mais de 5 horas permite um atleta a viver por muitos anos no circuito?

Estive vendo os jogos bem de perto neste US Open e pude constatar que a velocidade do jogo e principalmente a velocidade dos jogadores aumentaram muito. Na minha época (10 anos atrás), e nem preciso ir mais pra trás, o esporte não era tão veloz e os jogadores não se desgastavam tanto quanto agora.

No lado técnico é humanamente impossível conseguir um rendimento alto por muito tempo (anos). Obviamente que existem vários estilos de jogadores, e os que menos armas e mais pernas têm sofrem mais. Se colocamos Nadal, Djoko, Murray, Ferrer e outros desse estilo que ficam em média mais de 3 horas nos jogos duros, percebemos que o desgaste físico é muito grande. Fica até difícil explicar como eles conseguem jogar no dia seguinte. A galera que saca mais e não se desgasta correndo acaba desgastando muito articulações, ombro, punho, cotovelo, ao sacar o tempo todo a mais de 220 por hora. Se não sofre tanto com as pernas, sofre com o resto do corpo.

Do lado clínico, acho e conversando com médicos percebo que a vida do atleta ficou mais curta. Alguns médicos dizem que é muito difícil manter a excelência por mais de 5 anos. Não tem como não pagar o preço pela velocidade do jogo.

Outro ponto claro é ver que os jogadores mais altos se machucam mais. Isso sempre foi assim e só tem a piorar. 

Solução? Não tem como não achar que o calendário tem que mudar. Para mim os jogos de GS têm que continuar sendo melhor de 5 sets, mas de alguma maneira o circuito ter que ser encurtado. Não se pode pedir para um Nadal, Djoko, Murray jogar de 1 de janeiro até 20 de Novembro em um nível alto por muitos anos. Em poucos anos eles vão quebrar. O Nadal já deixa claro isso e não nos enganemos, o Djoko vai pelo mesmo caminho e o Murray também.

Alguns vão dizer. O Federer consegue. Ele realmente não se machuca, mas tenho certeza que ele jogaria muito mais se pudesse ter mais tempo livre sem ter que pular torneios.

Infelizmente, a ATP não pensa assim. Tanto se fala em encurtar o circuito, mas está aprovando a mudança do circuito sul-americano para dezembro. Se for mesmo pra dezembro, o tenista descansa quando? 

Pelo visto vamos ver jogadores incríveis abandonando a carreira em menos de 5 ou 6 anos. Quem perde é o atleta e principalmente o amante do esporte.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012