terça-feira, 12 de julho de 2011

Agora não dá mais para vacilar

Semana passada escrevi neste espaço pedindo paciência com Mano Menezes. Continuo com a mesma opinião. É preciso dar tempo ao tempo, para que as coisas se ajustem. No entanto, também é preciso reconhecer que, depois do sofrido empate com o Paraguai, a situação agravou-se. O Brasil depende apenas de si. Mas pelo que tem jogado, ninguém pode garantir que vá passar com facilidade pelo Equador. O time está naquela situação em que não existem adversários fáceis. Todos podem complicar.
Pedi serenidade em relação a Mano porque entendo que o treinador é figura importante na montagem e desempenho de um time, mas não faz nada sozinho. Estou longe de concordar com aquela frase de que técnico bom é aquele que não atrapalha. Não acredito é em milagreiros. Nesse ponto, sou cético. Treinador bem-sucedido é aquele que consegue tirar o melhor do elenco que tem. É, para usar a frase manjada, aquele que consegue cozinhar a melhor omelete com os ovos disponíveis.
Agora, o que dizer do treinador de uma seleção brasileira, que dispõe de todos os jogadores nascidos no País, atuem eles por aqui ou no exterior? É, teoricamente, um universo de convocação muito grande. Ainda mais se formos acreditar naquele outro chavão, o que diz que "aqui brotam talentos". Certo. Mas nada mais duvidoso do que acreditar de maneira cega em clichês.
Por exemplo, se você quiser um meia armador, quem vai encontrar além de Ganso? Se estiver em má fase, ou machucado, quem o substitui? Ninguém, porque não existe outro para a função, pelo menos no mesmo nível. O mesmo se pode dizer do outro jogador do Santos, Neymar, que também não correspondeu, na seleção, às expectativas nele depositadas. O que é que há, Neymar, está ainda de ressaca do título da Libertadores? É o que a torcida se pergunta. E, mais do que a torcida, Mano Menezes, que depende dos jogadores para fazer boa figura na Argentina e se manter no cargo até a Copa de 2014.
Pois é aí que está a questão: para montar o seu time, Mano depende não apenas do seu talento individual como estrategista, motivador ou o que for; depende de jogadores que executem em campo o que ele prega nos treinos. E, pelo visto, até agora tem pregado no deserto. O segundo tempo contra o Paraguai, por exemplo, foi lamentável. Até sair o gol de Fred, o Brasil havia chutado uma única bola em gol, se não me falha a memória. Muito pouco para um ataque com nomes estelares como Neymar e Pato, municiados por PH Ganso. Jogador é gente, e, portanto, oscila. Mas esse pessoal é cotado na base de dezenas de milhões de euros. Valem isso? Ou o futebol é o reino da fantasia? Você decide.
Daí porque é preciso tirar um pouco da pressão de cima do técnico e ver que os jogadores não estão fazendo a sua parte. Hoje em dia é de mau tom dizer que não se esforçam na seleção como em seus clubes. Parece um argumento fútil, descartável, coisa de torcedor em mesa de botequim. Mas o que acontece quando a crítica parte do interior mesmo do grupo? Afinal, Lúcio, capitão do time, do alto da sua raça e experiência, foi quem disse que é preciso mais comprometimento. "Não basta ser genial", disse, "é preciso dar alguma coisa a mais". O recado, claríssimo, foi para os colegas mais jovens e já devidamente portadores de máscaras portentosas.
Nem tudo está perdido, e a Copa América também não é uma prioridade nacional. Ninguém vai fechar a Avenida Paulista para festejar em caso de vitória. E ninguém vai perder o sono se o título não vier. Basta não dar vexame. E mostrar futebol melhor, que indique progresso da equipe. Sendo o mundo da bola o que é, o fiasco de cair na primeira fase pode comprometer todo o trabalho visando à Copa do Mundo. Daí a importância do perigoso jogo com o Equador. 

Argentina deve ser mais forte, agora que tirou a pressão de suas costas



A Argentina criou 18 oportunidades de gol no primeiro tempo, entre as agudas, como a bola na trave de Burdisso, e as menos intensas, como o cruzamento de Di Maria, que cruzou a meta de Moreira e saiu do outro lado em tiro de meta. Mas foi um primeiro tempo com um problema grave. Depois de ótimo início, o time se espalhou à medida em que o tempo passava, sem o gol sair. Mais distantes, os jogadoes erravam mais passes, evidenciavam o nervosismo. Mas criavam chances e mais chances, mesmo tensos.

Quando o gol saiu, no rebote do tiro de Gago -- ótima atuação --aproveitado por Aguero -- três gols, artilheiro da Copa América -- foi como se a Argentina tirasse do segundo tempo os três zagueiros que mais a atrapalhavam: Ansiedade, Angústia e Aflição.

Sem esses beques, o jogo fluiu muito mais na segunda etapa. E se viu Messi.

O mesmo jogador convocado pela primeira vez para a seleção sub-20 pelo técnico Hugo Tocalli que, em 2004, pediu que observassem ao garoto que assistira por uma fita de vídeo: um tal Mecci (acredite, Tocalli escrevia seu nome assim, a Argentina não sabia de quem se tratava).

E ainda não sabe.
Ou não passaria tanto tempo discutindo por que Messi não joga pela Argentina o que joga pelo Barcelona. Ora, porque há anos a Argentina não tem um time. Poco equipo, menos Messi, escreveu o Clarín no dia seguinte ao empate com a Colômbia.

Os três gols contra o frágil time da Costa Rica tiram o peso das costas. Não, a Costa Rica não é parâmetro. Mas é preciso saber avaliar o que atrapalhava a Argentina e como será o comportamento a partir de agora. No mesmo 4-3-3 de antes, com Gago e Di Maria meias, Messi na ponta direita, Higuaín centroavante e Aguero ponta esquerda, o time fez sua melhor atuação.

Mais leve, chegará forte às quartas-de-final. E, claro, é candidata ao título, mesmo que tenha o mais duro dos adversários na próxima fase: o Uruguai.

Corinthians e Flamengo: alguém pode desafiá-los?

O Brasileirão atinge o seu 'primeiro quarto' após 9 rodadas. Agora, sim, é possível fazermos uma projeção para o torneio mais nivelado do planeta. Os times já mostraram sua cara, já contrataram - pouca gente nova deve entrar, pouca gente deve sair.

E neste primeiro corte fica claro a supremacia das duas equipes mais populares do país: Flamengo e Corinthians - os dois invictos, os ponteiros do campeonato. Existe algum outro time capaz de desbancar a dupla? Quais são os favoritos para figurar no grupo da Libertadores? Quais os prováveis rebaixados?

Abaixo um pequeno exercício de futurologia. Encontre seu time num dos grupos. Opine, palpite, discorde, acrescente - só não vale palavrão...

GRUPO 1 - OS FAVORITOS
Corinthians e Flamengo: São times de chegada e já mostraram força, equilíbrio, padrão de jogo (além de acumularam pontos preciosos). O Corinthians ainda tem algumas cartas na manga. Alex começa a jogar agora. Emerson pode fazer muito mais. E Adriano pode decidir: para o bem, ou para o mal. O Flamengo encontrou seu time ideal, mas ainda pode elevar o seu nível, se ainda contratar um zagueiro e um centroavante para a equipe principal.

GRUPO 2 - OS QUE CORREM POR FORA
Sao Paulo, Palmeiras, Cruzeiro e Inter: Já somaram pontos importantes. Têm camisa, elenco e podem progredir. É a turma que disputa, por enquanto, as vagas na Libertadores. O São Paulo, se suportar o período desfalcado pelas seleções, acertar na escolha do novo treinador e recuperar Luís Fabiano, mudará de patamar. O Palmeiras, muito por conta de Felipão, desafia a lógica, suas crises internas e também depende de alguns reforços para sonhar com algo mais. O Cruzeiro começou muito mal, mas tem elenco, estrutura e dinheiro para dar continuidade à reação. Situação parecida à do Inter. Parece ter se encontrado com Falcão. Tem jogadores experientes e uma ótima safra de garotos. Precisa sair do 'quase'.

GRUPO 3 - OS 'CONFORMADOS'
Santos e Vasco: Já conquistaram seus objetivos na temporada. Campeão da Libertadores, o Santos pensa mais no Mundial de Clubes, no Barcelona. Campeão da Copa do Brasil, o Vasco se prepara para a próxima Libertadores. É natural que alternem partidas brilhantes, com Neymar, Ganso, Juninho Pernambucano, entre outros, e jogos apáticos, desconcentrados. Podem ser os fiéis da balança deste campeonato.

GRUPO 4 - AS INCÓGNITAS
Botafogo, Fluminense, Gremio e Atletico-MG: Clubes tradicionais, que, cada um a seu modo, vão sofrer para acompanhar os ponteiros. O Botafogo é o mais estável deles. Faz boa campanha, vai crescer com a entrada de Renato. Mas parece ter limites. O Fluminense se reformula com Abel e sem Conca. Tem dinheiro. Pode investir. Mas dificilmente vai recuperar o tempo perdido do início da competição. O Grêmio já trocou de comando e também se reinventa. Difícil repetir a arrancada absurda do Brasileiro passado. O Atlético prometia no início, mas viveu perto do inferno. A equipe foi renovada a fórceps e dificilmente vai produzir grandes resultados ainda este ano.

GRUPO 5 - OS COADJUVANTES
Ceará e Coritiba: Fizeram boa Copa do Brasil, penaram no início do campeonato, mas dão sinais, discretos, de reação. Optaram por manter seus treinadores, têm elencos razoáveis, torcida presente e atuante. Convencidos de que a missão é permanecer na primeira divisão, não devem passar grandes sustos. 

GRUPO 6 - OS AMEAÇADOS
Figueirense, Avai, Atletico-GO, Atletico-PR, America-MG e Bahia: O Figueirense já acumulou pontos importantes, e o Bahia investiu bastante, mas não consegue ainda se impor em casa. Os demais, todos começando pela letra "A" por sinal, já eram candidatos ao rebaixamento antes de o campeonato começar. O Avaí se destroçou após a Copa do Brasil. O Atlético-GO e o América-MG se reforçaram pouco. E o Atlético-PR vive uma fase delicada, de troca de comando, de jogadores...

Corinthians e Flamengo: alguém pode desafiá-los?


O Brasileirão atinge o seu 'primeiro quarto' após 9 rodadas. Agora, sim, é possível fazermos uma projeção para o torneio mais nivelado do planeta. Os times já mostraram sua cara, já contrataram - pouca gente nova deve entrar, pouca gente deve sair.

E neste primeiro corte fica claro a supremacia das duas equipes mais populares do país: Flamengo e Corinthians - os dois invictos, os ponteiros do campeonato. Existe algum outro time capaz de desbancar a dupla? Quais são os favoritos para figurar no grupo da Libertadores? Quais os prováveis rebaixados?

Abaixo um pequeno exercício de futurologia. Encontre seu time num dos grupos. Opine, palpite, discorde, acrescente - só não vale palavrão...

GRUPO 1 - OS FAVORITOS
Corinthians e Flamengo: São times de chegada e já mostraram força, equilíbrio, padrão de jogo (além de acumularam pontos preciosos). O Corinthians ainda tem algumas cartas na manga. Alex começa a jogar agora. Emerson pode fazer muito mais. E Adriano pode decidir: para o bem, ou para o mal. O Flamengo encontrou seu time ideal, mas ainda pode elevar o seu nível, se ainda contratar um zagueiro e um centroavante para a equipe principal.

GRUPO 2 - OS QUE CORREM POR FORA
Sao Paulo, Palmeiras, Cruzeiro e Inter: Já somaram pontos importantes. Têm camisa, elenco e podem progredir. É a turma que disputa, por enquanto, as vagas na Libertadores. O São Paulo, se suportar o período desfalcado pelas seleções, acertar na escolha do novo treinador e recuperar Luís Fabiano, mudará de patamar. O Palmeiras, muito por conta de Felipão, desafia a lógica, suas crises internas e também depende de alguns reforços para sonhar com algo mais. O Cruzeiro começou muito mal, mas tem elenco, estrutura e dinheiro para dar continuidade à reação. Situação parecida à do Inter. Parece ter se encontrado com Falcão. Tem jogadores experientes e uma ótima safra de garotos. Precisa sair do 'quase'.

GRUPO 3 - OS 'CONFORMADOS'
Santos e Vasco: Já conquistaram seus objetivos na temporada. Campeão da Libertadores, o Santos pensa mais no Mundial de Clubes, no Barcelona. Campeão da Copa do Brasil, o Vasco se prepara para a próxima Libertadores. É natural que alternem partidas brilhantes, com Neymar, Ganso, Juninho Pernambucano, entre outros, e jogos apáticos, desconcentrados. Podem ser os fiéis da balança deste campeonato.

GRUPO 4 - AS INCÓGNITAS
Botafogo, Fluminense, Gremio e Atletico-MG: Clubes tradicionais, que, cada um a seu modo, vão sofrer para acompanhar os ponteiros. O Botafogo é o mais estável deles. Faz boa campanha, vai crescer com a entrada de Renato. Mas parece ter limites. O Fluminense se reformula com Abel e sem Conca. Tem dinheiro. Pode investir. Mas dificilmente vai recuperar o tempo perdido do início da competição. O Grêmio já trocou de comando e também se reinventa. Difícil repetir a arrancada absurda do Brasileiro passado. O Atlético prometia no início, mas viveu perto do inferno. A equipe foi renovada a fórceps e dificilmente vai produzir grandes resultados ainda este ano.

GRUPO 5 - OS COADJUVANTES
Ceará e Coritiba: Fizeram boa Copa do Brasil, penaram no início do campeonato, mas dão sinais, discretos, de reação. Optaram por manter seus treinadores, têm elencos razoáveis, torcida presente e atuante. Convencidos de que a missão é permanecer na primeira divisão, não devem passar grandes sustos. 

GRUPO 6 - OS AMEAÇADOS
Figueirense, Avai, Atletico-GO, Atletico-PR, America-MG e Bahia: O Figueirense já acumulou pontos importantes, e o Bahia investiu bastante, mas não consegue ainda se impor em casa. Os demais, todos começando pela letra "A" por sinal, já eram candidatos ao rebaixamento antes de o campeonato começar. O Avaí se destroçou após a Copa do Brasil. O Atlético-GO e o América-MG se reforçaram pouco. E o Atlético-PR vive uma fase delicada, de troca de comando, de jogadores...

Na declarada guerra Kleber X Cartolas, coitado do Palmeiras

Independentemente da incompetência de dirigentes, um jogador tem que respeitar o clube, sua torcida e seus profissionais. Kleber agiu de forma insubordinada ao fazer uma ressonância que não comprova se tinha, ou não, condições de jogo — clique aqui e leia mais. Médicos pedem exames quando são necessários, não é o paciente quem determina se vai tirar sangue, fazer um raio X ou uma tomografia.

A ressonância magnética serviu apenas como munição numa guerra que ocorre, coincidência ou não, depois do interesse do Flamengo, que teria surgido a partir de acenos aos rubro-negros feitos por gente próxima do atacante. O staff do "Gladiador" nega que isso tenha ocorrido. Kleber tem contrato, sua prioridade deve ser cumprí-lo. Se está com dores e não pode jogar, não jogue até ficar bom.

Mas isso não justifica ficar fora da concentração e fazer um exame por conta própria. Imagine se todo atleta que sentir algo ignorar o departamento médico e procurar um hospital de plantão. Em último caso, caberia ao centroavante ficar concentrado e, ainda com a região dolorida, deixar isso claro e não jogar contra o Santos. Ou alguém seria capaz de obrigá-lo a entrar em campo? 

Não defendo os cartolas palmeirenses. Tampouco o jogador. Coitado do Palmeiras.


a

Palmeiras precisa de paz. E de um dirigente para o futebol.


Felipão é treinador, gerente, diretor e vice-presidente do Palmeiras. 

Faz tempo que o responsável pelo setor técnico é obrigado a assumir quase todas as tarefas e também as broncas do departamento de futebol do clube.

Os atritos gerados pelo “caso Kleber” ainda não conseguiram interferir no astral do grupo e tampouco no rendimento dentro de campo, mas não se pode garantir que esteja longe disso.

A entrevista do jogador à Estadão/ESPN nesta segunda-feira foi, no mínimo, explosiva. O atacante detonou a diretoria e chamou o vice-presidente Roberto Frizzo de mau caráter.

Não é dessa forma que se constrói uma equipe vencedora. O Palmeiras precisa de alguém que possa ser visto e respeitado como dirigente de futebol. Por enquanto, essa figura não existe.

Os 18 pontos conquistados até agora, a quatro do líder Corinthians, representam um rendimento de 66%. Se mantido, esse percentual deixará o time na disputa pelas primeiras posições.

Mas como todos sabem, é muito difícil manter a regularidade num campeonato equilibrado como tem ocorrido no sistema de pontos corridos.

Maikon Leite é uma ótima contratação, é veloz, sabe marcar gols e não tem medo da área. Valdívia voltará depois da Copa América e pode ser outro bom reforço. 

Felipão tem o mérito de manter o time organizado, com espírito de luta nas alturas. Scolari demonstra crescer nas crises, mas um pouquinho de paz não faz mal a ninguém.

e

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Musa da copa do nundo feminino musa do esporte



A goleira americana Hope Solo mostra as mãos para a torcida após a vitória sobre o Brasil

Goleira americana Hope Solo defende pênaltido batido pela brasileira Daiane

Copa América

21h45 Argentina 3x0 Costa Rica

Pequeno pitaco sobre o caso Kleber

Não estou em uma fase, digamos, muito ativa nos bastidores do futebol. Então, o que eu sei do caso Kleber vem do noticiário, do ouvido atento às entrevistas dadas hoje e das informações dos repórteres que acompanham o caso.

Marcos disse que todas as partes estão certas, mas quanto mais penso no caso avalio que todas as partes estão, na verdade, erradas.

A lógica fácil da situação: o Flamengo tem direito a oferecer um salário maior a um jogador de outro time; Kleber, com isso em mãos e sabendo de outros salários do Palmeiras, tem direito de pedir mais; o Palmeiras, com o contrato em mãos, tem direito de exigir que este seja cumprido.

Mas todas essas lógicas acima podem ser descontruídas. E aí o imbróglio se forma. Hoje, há um verdadeiro impasse.

Vejamos. A regra da Fifa é claríssima para esses casos. Um clube só pode conversar diretamente com um jogador se este estiver nos últimos seis meses de contrato, o que não é o caso de Kleber. Salvo essa situação, um clube X precisa se acertar com o clube Y para, então, falar com o jogador. O Flamengo não pode fazer o que está fazendo.

Logicamente, essa é a regra mais difícil de ser seguida e de ver ser seguida. Burlar essa regra é algo em que José Mourinho, Alex Ferguson e grandes clubes europeus são especialistas. Isso dá um desconto, mas não deixa de tirar a razão do Flamengo na história. Não cola o discurso do "livre comércio", "um time tem direito de querer o jogador do outro". Sim, tem. Mas vai lá, negocia com o "outro" e, SÓ DEPOIS, com o jogador.

Agora, o Kleber. Vamos considerar a premissa de que ele mereça, sim, um aumento. Que seu salário esteja defasado pela importância que tem no clube, no futebol brasileiro, etc. Ótimo, ele tem todo o direito de pedir um reajuste, de negociar por um novo e melhor contrato. 

Mas não tem direito de desrespeitar o vigente, que está assinado por ele. O cara não pode treinar bem a semana inteira e aparecer com dor na véspera do jogo (todo mundo que sabe o mínimo de futebol sabe que a lesão é cascata, que, não fosse o imbróglio, o Gladiador teria jogado hoje. Todos sabemos que jogador entrar em campo sem dor é uma ilusão. A profissão de esportista de elite é doída, são os ossos do ofício). 

E, o fundamental: o cara não pode simplesmente não aparecer na concentração. É como faltar sem avisar. Não pode, é antiprofissional. Primeiro, tem que cumprir as obrigações. Depois, pedir mais. 

Por fim, o Palmeiras. Talvez, vendo de fora, o menos errado de todos. Mas nós não sabemos - ou eu não sei, pelo menos - se algum dirigente do Palmeiras prometeu o tal aumento ao Kleber. Vai saber se o presidente ou vice ou algum diretor chegou para o cara e disse mundos e fundos. São os detalhes de bastidores que precisariam vir a público, se é que existem.

Se isso não aconteceu, o Palmeiras tem razão de estar bravo. De exigir que o Flamengo pague a multa rescisória na íntegra ou deixe seu jogador em paz. E exigir que seu jogador, seu melhor jogador, se dedique, faça gols e cumpra suas obrigações. Agora, em um clube tão dividido politicamente, é difícil imaginar que Kleber não tenha ouvido promessas de aumento de algum lado.

Todos têm sua parcela de razão. E todos estão errados, de alguma forma. 

No fim das contas, vai acontecer o que Kleber e seu empresário quiserem. Porque sempre é assim no futebol. No fim, é o cara quem entra em campo e joga, então é ele quem determina seu futuro. Um dia, os jogadores foram quase escravos. Hoje, eles têm as leis a seu lado. É bom que seja assim. Mas que está enchendo esse poder todo, está...

Willians rouba a cena do Fla x Flu


O torcedor que foi ao Engenhão apostava em Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves, Rafael Moura, Ciro e Deivid como possíveis herois do Fla x Flu. Só que o volante Willians roubou a cena. 

Ele não foi brilhante, mas foi preciso e fez o gol que garantiu a 4ª vitória consecutiva do Rubro-negro no Campeonato Brasileiro. O resultado deixa o time na briga pela liderança da competição, vendo o Corinthians bem, de perto.

Quando Willians é heroi de um clássico é sinal que as coisas estão fora da ordem? Sim e não! O Fla x Flu teve boas emoções no início, com o Fluminense tendo as melhores chances. 

Aliás, se o time tivesse forçado mais com o Ciro, o resultado final poderia ser outro. O atacante era o mais perigoso e estava enlouquecendo a defesa do Flamengo. Ronaldo Angelim e Junior Cesar sabem bem do que estou falando. 

Só que futebol é bola na rede. Mesmo com Thiago Neves distante dos bons tempos, o meia consegue mostrar que pode ser decisivo, como no passe para o gol do Willians. O volante aproveitou o presente e fez o gol único. 

Ronaldinho não reeditou as últimas atuações, mas não teve atuação ruim. No entanto, o placar foi injusto. O empate seria mais justo. Só que o futebol não permite justiça. O velho esporte bretão quer é bola na rede e gols para contar história. 

No fim, o técnico Abel Braga exaltou a luta do time. Mesmo sem Fred e Mariano, o Fluminense brigou e dominou boa parte do primeiro tempo, além de ter equilibrado as ações no segundo. Só que a posição na tabela já preocupa o treinador. 

Hoje, o Tricolor está em nono com 12 pontos e 10 atrás do líder Corinthians, que também tem um jogo a menos que a maioria. 

Então, é bom o Abel encontrar um jeito para fazer o Fluminense somar três pontos com mais freqüência, como tem feito o Flamengo. 

Caso contrário, a briga pelo G4 vai começar a ficar distante. Se tratando do campeão brasileiro, este não é o papel que o torcedor quer ver em campo.

"Vamos que Vamos!": emocionante livro sobre o Uruguai e a alma uruguaia

Ana Laura Lissardy é uruguaia, escritora, jornalista e, mais recentemente, torcedora de futebol. Assistiu à Copa do Mundo da África do Sul pela televisão e pelas imagens das pessoas de seu país, nas ruas. Percebeu que cada gol fazia redescubrir um pedaço da alma dos uruguaios. Em dezembro, ela reuniu todas as emoções e partiu para as cidades onde vivem os 23 campeões, digo, quartos colocados no Mundial da África. O resultado disso é o livro “Vamos que Vamos!”, publicado pela editora Prisa Ediciones (http://www.prisaediciones.com/uy/libro/vamos-que-vamos/)No livro, ela traça os perfis dos 23 convocados, cada um a partir de um epíteto. Na entrevista abaixo, ela não dá um depoimento sobre futebol. É um depoimento emocionante sobre o Uruguai e sobre o efeito da Copa no povo uruguaio.


PVC - Como surgiu a ideia de fazer os perfis dos jogadores do Uruguai, da Copa do Mundo de 2010?
Ana Laura Lissardy -
 Não foi uma busca claramente futebolística, é um estudo muito mais humano. Queria ver como esses 23 jogadores, com suas maneiras de ser, seus comportamentos, suas visões, nos fizeram recordar quem somos, nossa identidade. 
Como disse Lugano no livro, eles são reflexo do país. Não é o país o reflexo deles. 
Suas histórias e suas personalidades são as que são porque nasceram e foram criados no Uruguai. E então essas histórias são as nossas. A sua, a do vizinho, da prima do vizinho, a minha história também.
A prova de que este reencontro com nossa identidade transcendeu o aspecto futebolístico foi o fato de a população ter saído para festejar depois da partida que o Uruguai perdeu para a Alemanha e terminou em quarto lugar. Queriam dizer que o placar não era o mais importante. Dizer também: “Nós somos vocês!”
O mesmo se passou com a recepção no retorno da África do Sul. 
Chegar em quarto lugar no Mundial potencializou este sentimento popular, mas não foi isso o que gerou esse sentimento. O que gerou foram as personalidades dos que construíram essas histórias. Por isso decidi fazer esses perfis, que são os perfis de todos nós, o povo uruguaio.

PVC - A seleção modificou o ânimo do país?
Ana Laura –
 Uma noite durante a Copa do Mundo, eu estava esperando um ônibus, chovia e fazia muito frio. Havia duas estudantes conversando sobre uma prova que fariam. Uma dizia que não conseguiriam se preparar para a prova. E então a outra respondeu algo assim: “Sim, vamos conseguir, veja a Celeste como pode fazer coisas que todos duvidam!”
É um exemplo gráfico de como a seleção mudou o estado de ânimo do país. Porque a sensação de “Vamos Poder!” se vivia nas ruas, no trabalho, em todos os lados. E é justamente por tudo isso que digo: recordamos quem somos.

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Vamos que vamos!: a capa



PVC – A sua relação com o futebol começou quando era criança? O que falavam seu pai, seu avô, sua mãe sobre o futebol uruguaio do passado?
Ana Laura –
 Na verdade, minha relação com o futebol não completou nem sequer um ano. Comecei a ver futebol durante a Copa do Mundo, puxada por tudo isso que comentei nas respostas anteriores. Agora vejo até mesmo partidas de clubes europeus. Aprendi a gostar de futebol, mas não tenho uma história de vida com o futebol, tenho uma relação que cresce, mas é recente.
Há muita gente como eu, sobretudo mulheres, que começaram a ver futebol e a entendê-lo e desfrutá-lo a partir da Copa do Mundo da África do Sul, a partir do resultado da Celeste.
A alguns jogadores e à comissão técnica chegaram cartas ou mensagens de gente que dizia ter visto uma partida de futebol pela primeira vez na vida, durante a Copa do Mundo e que agora estavam se tornando torcedores. Viraram torcedores de futebol e não apenas da Celeste.
A seleção aproximou o povo, porque foi mais do que uma seleção de futebol.



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Ana Laura Lissardy



PVC – Que importância tem para o Uruguai, para a continuidade do que houve no Mundial, a conquista da Copa América?
Ana Laura –
 Eu mentiria se dissese que não há grandes expectativas no Uruguai, quanto à Copa América. As expectativas são grandes, sim. Mas me parece que a continuidade não vai depender do resultado da Copa, ainda que esteja claro que uma boa campanha consolidaria e fortaleceria o que se fez até aquí. Refiro-me ao fato de que a continuidade depende muito mais de se poder seguir com um projeto que começou em 2006, de um pensamento de futebol, de profissinalismo, de como fazer as coisas. E esse projeto e esse processo vão continuar independentemente da conquista da Copa América. 

PVC – O que significa a Olimpíada de Londres em 2012? A primeira disputa da Celeste em Olimpíada desde o título de 1928.
Ana Laura –
 Sabe que vários jogadores da seleção principal – para não dizer todos – estavam assistindo em suas casas à partida da seleção sub-20 contra a Argentina, e que foram vários os que se emocionaram com a vitória? Mandaram mensagems para os garotos para dar parabéns aos jogadores da sub-20?
Imagino Forlán, Abreu, Suárez, Lugano, vendo o jogo pela televisão, acordados no meio da madrugada, muitos deles, e se emocionando e festejando, mandando mensagens ou telefonando para dar um abraço.
E imagino, por outro lado, os jogadores da seleção sub-20 recebendo um telefonema ou uma mensagem desses jogadores consagrados, que tanto admiram e que tanto seguem. Imagino-os atendendo ao telefone e escutando a voz de Lugano ou de Forlán, que lhes dizem: “Parabéns!” Imagino a emoção de um lado e do outro e acredito que essas duas imagens simultâneas mostram bem o que significa a classificação para o Uruguai.

PVC – Nos perfis, você deu apelidos a cada jogador, epítetos. Me lembre todos eles e me diga qual te parece a história mais impressionante?
Ana Laura –
 São várias. A de Diego Pérez, porque é o símbolo da garra charrúa e é um homem super sensível. Tudo o toca muito e a sensibilidade é a sua força. Sente tudo, e tanto, que dá tudo de si no campo. 
Também a de Luis Suárez, que começou a treinar no futebol profissional querendo jogar na Europa, por amor, porque sua mulher, na época sua noiva, estava lá. 
A de Lugano criança, que acompanhava sua mãe para ensinar trabalhos manuais em centros de acolhida e via realidades duras de abandono, e que ao ver isso, desde cedo, começou a desenvolver um forte sentido social, que tem até hoje.
Ou a de Abreu, que aos 7 anos, quando ouviu a empregada que trabalhava em sua casa lhe pediu para deixar de chutar a bola contra a parede, respondeu: “Deixe, porque serei o futuro goleador do Nacional e da sua Seleção Nacional. Abreu se lembrou disso quando se preparou para bater o pênalti contra Gana, na Copa do Mundo.

Os apelidos:Fernando Muslera – A timidez
Diego Lugano – O idealismo
Jorge Fucile – O otimismo
Walter Gargano – A picardia
Mauricio Victorino – A tranquilidade
Edinson Cavani – A águia
Sebastián Eguren – A solidariedade
Luis Suárez – A atitude
Diego Forlán – O profissionalismo
Alvaro Pereira – O atleta
Juan Castillo – A empatia
Sebastián Abreu – O carisma
Nicolás Lodeiro – O protegido
Egidio Arévalo Rios – O resiliente
Ignacio González – A fé
Andrés Scotti – O equilíbrio
Alvaro Fernandez – As raízes
Sebastián Fernández – O intelectual
Martín Cáceres – A frescura
Martin Silva – A família
Oscar Tabares – O fazedor

Após recusar teste do bafômetro, Romário bate-boca no Twitter PUBLICIDADE DE SÃO PAULO

O deputado federal e ex-jogador Romário (PSB-RJ) bateu boca ontem no Twitter com seguidores que criticaram o fato dele ter se recusado a fazer o teste do bafômetro na madrugada deste domingo (10), no Rio. Romário teve a carteira de habilitação apreendida após ter sido parado pouco depois da meia-noite numa blitz da Lei Seca na avenida Armando Lombardi, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.
No começo da discussão na internet, Romário afirma que é pública a informação de que não bebe. "Não é novidade q vcs sabem q eu não bebo né, e tb não é novidade q já fui parado outras vezes.Como qualquer cidadão tenho direito de recusar."
Na sequência, ele diz ser "100% a favor da Lei Seca, os números, pesquisas e estatísticas já comprovaram q diminuiu e muito o numero de acidentes", mas ao ser provocado por seguidores que diziam não acreditar que o ex-atleta não bebe, responde: "Não me preocupo nem um pouco se alguém acredita ou não sobre este assunto de eu beber".
Mesmo irritado, com muitos seguidores que usam palavra de baixo calão para ofendê-lo, Romário não baixou o tom ao nível de seus críticos."Tô recebendo uns twits aqui dizendo pra eu bloquear os babacas e imbecis q querem fazer graça em cima de mim. Pelo contrário."
Alan Marques - 05.abr.11/Folhapress
Romário tem carteira apreendida em blitz da Lei Seca no Rio
Romário tem carteira apreendida em blitz da Lei Seca no Rio
"Só uma perguntinha p alguns : Qual foi o mau exemplo q eu dei em relação à blitz da Lei Seca?", questiona em meio a ofensas de seguidores.
O documento do deputado ficará retido por cinco dias e o deputado terá de pagar multa de R$ 957,70 e responderá processo administrativo no Detran.
O carro, uma Land Rover, foi liberado porque um dos acompanhantes do ex-jogador estava habilitado para conduzir o veículo.
A assessoria parlamentar do deputado confirma que a conta Romário11 é do parlamentar, mas não comentou o assunto.
Romário tem mais de 219 mil seguidores no Twitter.

Flamengo vence o Fluminense e segue na cola do Corinthians Williams fez o gol do 1 a 0 e time rubro-negro soma quatro vit

e Fluminense, o clube rubro-negro venceu por 1 a 0, neste domingo, no Engenhão, e segue na segunda colocação do Campeonato Brasileiro, com 19 pontos, na cola do líder Corinthians, que tem três pontos a mais. O Flu permanece com 12 pontos.
Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE
Williams comemora o gol da vitória do Fla com Ronaldinho
A quarta vitória seguida do time da Gávea foi marcada por muita luta e pouco brilho de Thiago Neves e Ronaldinho Gaúcho. O jogador mais efetivo em campo foi o volante Willians, voluntarioso como sempre. "É importante vencer, se manter no grupo da frente. Estamos no caminho certo. Valeu a persistência", comentou Renato.
O clássico evidenciou a carência tricolor no meio de campo, com a venda de Conca. Souza e Marquinho não conseguiam criar e no banco não havia quem pudesse entrar e mudar o panorama do jogo.
Jogo. As equipes buscavam o gol, mas os erros de passe faziam com que a bola não saísse das intermediárias. Não pode se dizer, porém, que era um jogo desprovido de emoções, apesar de a arbitragem não contribuir para a evolução da partida, marcando qualquer lance de contato como falta.
Aos 22, Deivid tocou para as redes, depois de lançamento de Ronaldinho Gaúcho, mas o lance foi invalidado corretamente por impedimento. Dois minutos depois, o Flu respondeu com uma bola na trave de Rafael Moura, em conclusão na pequena área.
O gol veio nos acréscimos. Uma boa trama ofensiva rubro-negra, com a bola rodando da direita para a esquerda, encontrou Thiago Neves, que cruzou de primeira na cabeça de Willians, sozinho e em posição legal, testar para o gol: 1 a 0.
"Estava no lugar certo na hora certa. Agora não podemos descuidar para não sermos surpreendidos pelo Fluminense", comentou Willians.
O segundo tempo seguiu a mesma receita. Muita luta, passes errados, faltas em demasia e pouca inspiração. Melhor para o Flamengo, que apenas administrava a vantagem.
O técnico Abel Braga tentou como pôde e terminou o jogo com quatro atacantes: Rafael Moura, Ciro, Rodriguinho e Matheus Carvalho. Mas faltava quem lhes passasse a bola em boa situação. O Fluminense teve duas boas chances de empatar. Rodriguinho chutou cruzado para fora aos 33 e Ciro desperdiçou sozinho de cabeça, aos 41.
Por fim, fica evidente que o Flamengo tem suas limitações, mas tem boas opções no banco. Ao Flu, resta ir ao mercado e tentar arranjar um nome ou dois capaz de fazer às vezes do argentino que partiu para a China.
FLUMINENSE - 0 - Diego Cavalieri; Diogo (Matheus Carvalho), Gum, Márcio Rosário e Carlinhos; Edinho, Diguinho (Fernando Bob), Marquinho (Rodriguinho) e Souza; Ciro e Rafael Moura. Técnico: Abel Braga.
FLAMENGO - 1 - Felipe; Leonardo Moura, Welinton, Ronaldo Angelim e Junior Cesar; Airton, Willians, Renato e Thiago Neves (Diego Maurício); Ronaldinho Gaúcho (Bottinelli) e Deivid (Negueba). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
Gols - Willians, aos 46 minutos do primeiro tempo; Árbitro - Rodrigo Nunes de Sá (RJ);Cartões amarelos - Márcio Rosário, Diguinho, Carlinhos e Airton; Renda - R$ 656.500,00; Público - 18.884 pagantes; Local - Estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro (RJ).

Olha a frente!

O Brasileiro é uma tremenda casca de banana para os críticos, pelo sobe e desce constante. Ainda assim, arriscamos a opinar. Então, lá vai. Com a ressalva de que muita bola vai rolar, antes de sair o campeão, já há indícios fortes que sinalizam para onde caminha a briga pelo título. Corinthians e Flamengo são boas apostas. Ambos têm chamado a atenção, pela regularidade, pelos resultados e, de quebra, pela invencibilidade.
Ok, as posições que ocupam no momento estão sujeitas a chuvas, trovoadas, pênaltis, desfalques, polêmicas e até entregadas de rivais na reta final. Só que não é por acidente que se encontram no topo após nove rodadas. Trata-se de fruto de qualidade e empenho.
Seria leviano dizer que Corinthians e Fla encantam. O exagero e a distorção ficam para quem molda sua opinião pelos números do Ibope. Pra ser sincero, infelizmente não há um supertime. O nivelamento dos concorrentes ajuda a entender por que a Série A nacional está entre as mais equilibradas do mundo.
Inegável, porém, é a eficiência que líder e vice-líder mostram até agora. O Corinthians se refez de traumas de início de temporada - sobretudo da eliminação na fase preliminar da Libertadores - e engatou uma quarta. Algum mérito, que vai além da "sorte", deve ter uma equipe que venceu sete e empatou um de oito jogos disputados. Falta-lhe acertar o ponto da quinta marcha e disparar.
O Flamengo conseguiu engatar a terceira, depois de arranhar a trajetória com empates embaraçosos. Com o 1 a 0 diante do Fluminense, na tarde de ontem, no Engenhão, pôs no bolso a quarta vitória em seguida e mostrou que não será figurante. Exceto se cometer o pecado de gastar todo o gás antes da hora. O que também é comum na elite, pois todo ano tem um ou dois cavalos paraguaios.
O Corinthians tem conjunto forte - e está nesse aspecto uma das explicações para a largada acima da média. Tite conseguiu fazer com que sejam bem coordenadas ações defensivas e ofensivas. Parece coisas simples, mas não é tão fácil ir à frente ou fechar-se, sempre em bloco. Cena corriqueira: ver Ralf, Paulinho, Danilo arriscar chutes a gol, assim como é comum acompanhar Jorge Henrique (ontem Alex), Willian, Liedson recuados quando o time é pressionado. Não há "postes" nesse Corinthians solidário.
Essa característica funcionou contra o Atlético-GO, num desafio complicado. O Corinthians não mandou no jogo; ao contrário, em muitos momentos foi pressionado e teve até uma bola defendida por Júlio César que deu a impressão de ter entrado. Daqueles lances polêmicos que geram discussões intermináveis.
Nas situações mais agudas, o alvinegro não se desesperou. Teve paciência para controlar o ânimo adversário, ficou em vantagem com Willian e dela não se separou até o fim. Amadureceu - e muito.
Serena também tem sido a postura do Flamengo. A turma do profexô Luxemburgo pode não estar afinadíssima, só que passa longe da afobação do Carioca e da Copa do Brasil. Sabe suportar carga, e não foi diferente no clássico. O Flu ficou mais tempo no ataque, sem sucesso. Numa bola, o Fla decidiu. E até a defesa, antes seu calcanhar de aquiles, anda segura. Imaginou se Ronaldinho deslanchasse? Aí seria pedir demais...
Olha a rabeira! Sinal de alerta no Santos. O campeão da Libertadores parece ainda viver a ressaca do título. Tem dois jogos a menos do que os demais, mas só 8 pontos. Pouco. Por isso, ronda a zona de rebaixamento. Está certo que os desfalques pesam. Então, que pedisse adiamento também do clássico de ontem à noite.
O Palmeiras mantém rotina de decepcionar numa hora, como no empate com o América-MG, e empolgar em outra, como na vitória no Pacaembu. O primeiro tempo foi estupendo. Com ritmo forte, atropelou o Santos, fez os três gols, fora outras tantas oportunidades de ampliar. Desacelerou no segundo. O que estará a pensar agora Kléber? Fica ou prefere pegar o bonde andando? História estranha.
Isto é América! É praxe, em grandes competições, que na última rodada os jogos de mesma chave sejam disputados simultaneamente. Por aqui, é diferente. No Grupo A, a Colômbia se garantiu ontem, ao bater a Bolívia. Hoje, a Argentina entra em campo e precisa ganhar da Costa Rica para seguir adiante. Nas chaves B e C, as partidas estão marcadas para o mesmo dia, porém com horários diferentes. Dá pra levar a sério? 


O esquema do time da Agentina

A noite de segunda-feira tem um jogaço marcado e não há hipótese de ser diferente o Argentina x Costa Rica. Ou a Argentina deslancha e o jogo será espetacular, por Messi e Cia., ou a Costa Rica dificulta o jogo e a partida valerá pela emoção.
Nesse caso, vai ser um tango!
O Brasil tem mais justificativas para jogar mal do que a Argentina, na Copa América, porque é mais jovem. Mas, como o time de Mano Menezes, os argentinos têm uma equipe em formação.
É duro, muito duro começar um trabalho que rompe com o anterior e não deixa nenhum ponto em comum. Se Kaká estivesse na seleção de Mano, haveria um fio condutor com o que restou de Dunga.
A Argentina tem Messi, Tevez, Agüero, Higuaín e um enorme complexo de inferioridade. Nas ruas, percebe-se o que o país perdeu nas últimas décadas. A cabeça erguida, às vezes confundida com prepotência, diminui à medida em que aumentam os problemas sociais. No futebol, isso se reflete.
A Argentina só pensa em copiar o Barcelona. Em 2010, Maradona imitou o 4-2-3-1 com que Guardiola escalava o Barça. Messi era o armador, enganche, como se diz por aqui.
Em 2011, Batista tentou o 4-3-3 com Messi escalado como atacante centralizado, como no Barcelona. Como Banega e Cambiasso não são Xavi e Iniesta, não podia dar certo.
Hoje, o time volta ao modelo do ano passado com Messi armando e Higuaín como centroavante. O armador, Pastore, parece mais necessário do que o centroavante. Batista pensa diferente.
Impossível piorar. Ao lado da escalação, deveria vir a placa: time em construção. Na Copa América, a Argentina não é eliminada na primeira fase desde 1983. Pode ser hoje. Não precisa torcer contra. Vitória do time de Messi por 2 x 0 permite ao Brasil passar com empate contra o Equador, na quarta.
JOGADA ENSAIADA
Corinthians Líder
Alex vai entrando no time aos poucos e William detonando sempre. O Corinthians é o time que melhor aproveita os desfalques de Santos e São Paulo, durante o Campeonato Brasileiro.
E Luxemburgo recupera-se. O Flamengo só perdeu uma este ano e agora esboça brigar pelo título nacional.
Palmeiras Forte
No 4-2-3-1, mesmo sem o atacante Kleber - com lesão muscular e salarial - o time do Palmeiras jogou grande partida no clássico contra o Santos, no Pacaembu. O time está organizado, não
pronto para brigar pelo título, é óbvio. Mas muito mais forte do que o time do ano passado, que
terminou em décimo lugar. Felipão pode brigar por uma vaga na Taça Libertadores do ano que vem.